Com a reabertura do Turismo esportivo praticado através de caiaques Stand-up Paddle (SUP) na Ilha dos lobos – única ilha marítima do litoral gaúcho, distante cerca de 1,8km da orla de Torres (RS) – reacendeu-se a esperança da comunidade do surf de poder voltar a desfrutar das ondas do pico. As formações rochosas da ilha abrigam um tesouro que – quando as condições estão ideais – formam uma das esquerdas tubulares mais poderosas e perfeitas do litoral brasileiro, frequentemente comparada a picos de classe Internacional como Teahupoo (no Tahiti).
O fato é que a Ilha é uma unidade de conservação ambiental, mais especificamente um refúgio da Vida Silvestre (REVIS), que serve de abrigo para diversos animais, mais notoriamente os lobos e leões-marinhos. E neste contexto, um veto – imposto ainda em 2003 pelo Ibama – antigo gestor do REVIS Ilha dos Lobos – proibiu o surf no local, sendo que esse veto segue em vigor desde então.
De lá para cá, diversos estudos vem sendo feitos para analisar a possibilidade do esporte – seja na remada ou por Tow-in – voltar a acontecer nos arredores da Ilha, de forma sustentável e sem pôr em risco questões ambientais. E mais expectativa vem sendo gerada desde que foi aprovado o Plano de Uso Público da REVIS Ilha dos Lobos, documento fundamental para o planejamento e definição de estratégias de visitação à ilha de forma ordenada, com uma dinâmica que não cause interferências inaceitáveis na biodiversidade local deste ‘tesouro’ de Torres.
Para entender melhor em que ponto andam os estudos sobre o assunto, o Portal Waves (que há décadas é referência em notícias sobre o surf no Brasil), pediu um posicionamento da equipe gestora do REVIS Ilha dos Lobos – vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – que gerencia a unidade de conservação
Avaliação através de pesquisa científica
Em resposta à redação do Portal Waves, a equipe do ICMBio REVIS Ilha dos Lobos salienta que – através de um trabalho intitulado “Análise de Percepção para o planejamento do Uso Público do REVIS Ilha dos Lobos: identificando características do turismo local por meio das redes sociais” – foram levantadas 5 principais atividades de interesse de uso das pessoas no ambiente da ilha. As atividades foram: mergulho, surf, passeio de barco, stand-up paddle e caiaque. Com base neste levantamento, foram iniciados os trabalhos específicos para viabilizar as atividades por meio da estruturação e elaboração de instrumentos de gestão (plano de manejo plano de uso público, protocolos operacionais e de segurança).
Recentemente, os passeios de barco, stand-up paddle e caiaque já foram liberados (faltando, então, a regulamentação prevista para o surf e o mergulho). “O surf é uma atividade de interesse e apontada na pesquisa do ICMBio e, portanto, ela não é proibida, porém ainda deverá ser avaliado por uma pesquisa científica para analisar sua viabilidade ambiental”.

Questões de segurança e prática de Tow-in
Ainda de acordo com a equipe do REVIS, o que difere basicamente a liberação das modalidades de caiaque e stand-up paddle do surf de remada são as questões de segurança envolvidas. “(o surf) na Ilha dos Lobos, mesmo sendo entendida como uma modalidade de baixo impacto ambiental, se refere exclusivamente ao drope das ondas, o que eleva ao máximo o risco de acidente na prática de atividade na ilha. Fatores como a possibilidade ampla de surfe ao longo de toda a Costa da região também foram levados em consideração, para que não houvesse no curto prazo ações para viabilizar a prática (do surf) na unidade de conservação”.
Relacionado ao surfe de Tow-In (rebocado por jet-skis), a equipe gestora do Revis Ilha dos lobos destaca que esta modalidade representa uma questão de exclusividade – pela formação de onda em nível mundial e que desperta o interesse para a sua prática. “A onda gigante que se forma em condições oceanográficas específicas, poucas vezes ao longo do ano, é um dos recursos e valores fundamentais contidos no plano de manejo do REVIS ilha dos Lobos. Visto a complexidade desta modalidade, desde 2016 o ICMBio vem estreitando a relação com a Associação de Surfistas de Torres (AST) e, nos últimos anos, construindo um entendimento e refinamento das possibilidades de surf na Ilha dos Lobos”.
De acordo com o órgão, tal construção ideológica culminou na estruturação deu uma pesquisa científica, a ser desenvolvida ao longo de 3 anos, que avaliará a viabilidade ambiental da prática. “A partir disto, caso seja viável, o ICMBio poderá estabelecer o formato e regramentos (do surf na Ilha)”.
A equipe gestora do REVIS Ilha dos Lobos conclui indicando que o objetivo das ações, dentro do Refúgio de Vida Silvestre, tem como premissa “a conservação do ambiente e da fauna marinha em compatibilidade com a presença humana, integrando cada vez mais as pessoas aos ambientes naturais e, com isso, construindo um caminho de percepção e consciência capazes de gerar proteção e potencializar o desenvolvimento de atividades turísticas sustentáveis”. (Com informações de Portal Waves)
Quer acompanhar as notícias do jornal A FOLHA Torres no seu celular?
CLIQUE AQUI e acesse nosso grupo no Whatsapp







