Possível uso público no espaço da antiga sede da Corsan gera especulações e debate em Torres

Prédio, que por anos sediou a estatal de saneamento em Torres, foi recentemente demolido. Terreno será devolvido para a municipalidade, e sugestões para possíveis uso do espaço começam a surgir

Imagem via pagina do Facebook- Rede Cultura Torres
12 de novembro de 2025

Na semana passada, grupos que militam pela preservação de Patrimônio Arquitetônico, ambiental e cultural de Torres se manifestaram em redes sociais acerca da derrubada do imóvel por muito tempo ocupado pela Corsan, no centro da cidade. O tradicional prédio por anos funcionou como sede da ex estatal gaúcha (agora empresa privada), que operava e ainda opera o sistema de tratamento de água e esgoto na cidade.

A demolição do prédio em área central foi uma surpresa e chamou atenção de moradores e visitantes – gerando ainda especulações sobre a futura utilidade do espaço. Circulou nas redes sociais uma maquete eletrônica (publicada no Facebook pelo Rede Cultura Torres), que sugeria uma utilidade ao prédio antigo – caso fosse preservado –  como Biblioteca Municipal (foto acima).

Anúncio 1

Mas o imóvel foi derrubado sem maiores explicações públicas prévias para a comunidade, nem da Corsan nem da prefeitura.

Na segunda-feira (10 de novembro), em seu pronunciamento na sessão ordinária da Câmara de Torres, o vereador Moisés Trisch (PT) fez uma indicação, para que a prefeitura utilizasse o local para a construção de mesma demanda de movimentos culturais de Torres (Biblioteca Municipal ou Centro Cultural), mas com o nome de Mercado Público Municipal; conforme sugeriu o vereador, neste futuro espaço poderiam  haver atividades culturais e artísticas.

Anúncio Slider Meio

 

Decisões rápidas e em andamento

A FOLHA Torres entrou em contato com a assessoria de comunicação (Ascom) da Prefeitura de Torres, já que nenhuma nota ou sinalização pública havia sido feita anteriormente. Em resposta, foi salientado que o terreno é de propriedade da municipalidade, tendo sido décadas atrás oferecido para a então estatal Corsan construir sua sede operacional na cidade.

E a Ascom da Prefeitura explicou que a demolição foi efetivada pela mesma Corsan (agora privatizada, pertencendo ao grupo Aegea) como parte do antigo acordo de cessão – uma vez que contrato firmado estipulava que a Prefeitura recebesse o imóvel de volta  como entregou: somente com o terreno, sem edificações. Foi citado ainda (como justificativa para a demolição) que o espaço abandonado vinha sendo utilizado como abrigo por pessoas em situação de rua e ponto de tráfico de drogas, cenário que aumentava a sensação de insegurança para moradores e turistas.

A Rádio Maristela chegou a fazer uma enquete, em sua página nas redes sociais, sondando sobre possibilidades de uso ao espaço da antiga sede da Corsan – com a ideia de um centro cultural aparecendo como destaque entre os votantes.

A FOLHA Torres então perguntou para a mesma administração municipal qual seriam, afinal, os planos para a utilização do terreno: Se a área seria vendida, permutada, ou se existiria algum plano para que a prefeitura de Torres instalasse ali um algum novo empreendimento público. E conforme resposta encaminhada pela comunicação do governo Delci na terça-feira (11 de novembro), ainda não há nenhum plano estruturado para a utilização do terreno devolvido recentemente ao município, sendo que primeiro é necessário encerrar a dação (ou devolução) com a entrega oficial do terreno sem nenhuma edificação e limpo (como estaria estipulado contratualmente). Mas o prefeito já salientou anteriormente que sua prioridade é destinar a área para um uso público que gere impacto positivo para a cidade

 

Centro Cultural vem sendo demandado há tempo

Museu Histórico está fechado desde maio de 2022, por problemas estruturais

Movimentos culturais, compreendidos por vários grupos militantes em Torres, cobram da municipalidade faz alguns anos um espaço público para a comunidade, através de uma Casa Municipal de Cultura. Até programa de rádio comunitária local (Cultural FM) possui este conteúdo como uma espécie de “slogan”, buscando militar de jeito mais afirmativo em demandas comunitárias frente ao poder público.

Desde final de 2019, com a entrega pela prefeitura de Torres do local onde por muito tempo funcionou o Centro Municipal de Cultura, no tradicional Prédio da SAPT (na Rua José Picoral) – interrompendo o contrato de aluguel que mantinha com o clube social – a Prefeitura de Torres não disponibilizou outro ponto público para operar o equipamento cultural, demandado por cidadãos e representantes de organizações.

O prédio histórico da sede antiga da Prefeitura Municipal (na  Rua Júlio de Castilhos) chegou a servir para o propósito por algum tempo. Houve recentemente fundamentação para obtenção de recursos orçamentários (via Política Nacional Aldir Blanc – PNAB), visando restauro do prédio para que lá fosse implementado o Museu Histórico de Torres, que poderia ser integrado também para formatação de um centro de cultura. Mas, de fato, o prédio está há anos com problemas estruturais e desativado, sendo que uma mudança nesse paradigma ainda deve durar algum tempo para ocorrer.

Outros prédios foram elencados, como pontos que poderiam ser utilizado para espaço de um centro de valorização artístico- cultural em Torres: lembra-se que a Prefeitura adquiriu um novo e amplo imóvel na Av. Castelo Branco, em 2022, para a disponibilização de uma escola. Recorda-se ainda da aquisição do em 2013 do prédio do antigo hotel Beira Mar –  de 13 andares, onde atualmente funciona o próprio Centro Administrativo da Prefeitura. Lá a municipalidade ocupa apenas alguns  dos andares disponíveis, após ter reformado cada um deles (de forma bastante onerosa) para possibilitar  a sua ocupação como repartição pública –  ao invés de quartos de hotelaria.

Lembrando que o prédio do antigo Hotel Beira Mar foi adquirido na gestão municipal de Nílvia Pereira, sendo uma das justificativas a de que o sistema público ocuparia seu espaço centralizando várias pastas em um mesmo local,  além de propiciar que outros imóveis alugados pela municipalidade pudessem ser entregues (para redução dos custos administrativos).

 

Quer acompanhar as notícias do jornal A FOLHA Torres no seu celular?

CLIQUE AQUI e acesse nosso grupo no Whatsapp

Anúncio Slider Final
Anúncio Slider Final

Publicado em: Cultura






Veja Também





Links Patrocinados