Situação precária de prédios históricos de Torres debatida em reunião com Secretário de Cultura

Uma reunião para definição de representantes setoriais do Conselho de Cultura de Torres, realizada na quarta-feira (15), acabou rendendo conversas sobre vários assuntos - como os dos prédios da Antiga Prefeitura e da Escola Cenecista, Feira do Livro... e até a possibilidade da extinção da Secretaria de Cultura em Torres

FOTO DE ARQUIVO: Mais acima, o prédio abandonado do cenecista; abaixo, o prédio da Antiga Prefeitura de Torres
19 de julho de 2025

No começo de noite de quarta-feira (15), o espaço do Chalé Memorial do Surf recebeu uma reunião para definição dos representantes do Conselho Municipal de Cultura de Torres – no setor História, Literatura, Patrimônio Material e Imaterial. O encontro contou com a presença do Secretário Municipal de Cultura e Esporte, Blando Ferreira, além de vários representantes destes setores culturais de Torres.

Ao final, ficou definido que o historiador Leonardo Gedeon será o titular do setor no Conselho, tendo como suplente Rita Stamm (representante da literatura). O encontro foi emblemático, pois marcou a definição dos representantes da última setorial para formação do Conselho Municipal de Cultura – que atuará na formulação, implementação e fiscalização das políticas culturais em Torres. Mas outros importantes assuntos paralelos também foram debatidos, entre os participantes e o secretário Blando.

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Situação dos Prédios do Cenecista e da antiga Prefeitura

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Entre as questões debatidas na reunião, esteve a situação de dois  prédios históricos da cidade – que compõe o patrimônio material edificado de Torres, mas que, infelizmente, estão em estado de abandono e deterioração nos últimos tempos.

Em relação ao antigo prédio da Escola Cenecista – há quase 15 anos abandonado e se deteriorando no topo do Morro do Farol – o secretário Blando destacou que uma eventual reforma do imóvel para uso futuro está sendo estudada. Ele disse que há empresas interessadas no projeto (e ideias como transformar o local em Museu ou espaço cultural foram sondadas), mas que a questão burocrática atrapalha. Citou que deve ser providenciada pela municipalidade a contratação de técnicos para elaborar laudos, os quais atestariam se é possível ou não (do ponto de vista estrutural) uma reforma/restauro do prédio. Lembrou ainda que o imóvel está fundado em área de potencial valor arqueológico (topo do morro do Farol), o que também pode dificultar o andamento de eventuais obras.

A situação do antigo prédio da Prefeitura, na Rua Júlio de Castilhos – que chegou a abrigar por algum tempo o Museu Histórico de Torres – também foi discutida. O prédio está há mais de 3 anos fechado, sendo que, além da deterioração estrutural do imóvel, recentemente ocorreram invasões com destruição/ subtração de parte do acervo museológico. Em maio, ficou acordado que uma verba – proveniente dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em Torres – seria destinada para iniciar as necessárias melhorias no prédio.

Questionado pelos participantes da reunião sobre a situação de abandono do Museu e a possibilidade de novas invasões, o Secretário de Cultura e Esporte de Torres tentou tranquilizar dizendo que a Guarda Municipal está indo todas as noites no local, para verificar e prevenir eventuais irregularidades. Disse ainda que uma empresa será licitada em breve para fazer tampões eficientes, objetivando lacrar as entradas e impedir o ingresso de pessoas sem autorização. Mas um restauro do histórico prédio e efetivação do Museu Municipal no espaço parecem ainda distantes. Conforme Blando, há dificuldade em encontrar empresas que se qualifiquem para resolver corretamente os graves problemas estruturais, começando pelo telhado. “Pegamos (nesta nova gestão da Prefeitura, iniciada em 2025) uma defasagem grande (no setor do Patrimônio cultural em Torres). Precisamos de maior captação de recursos não apenas para reforma, mas para restauro. Temos que lutar para que o orçamento da Cultura aumente”, salientou Blando.

Outros assuntos, como a futura Feira do Livro de Torres – que em 2025 deve ser direcionada apenas a comunidade escolar, mas pode retornar ao grande público na Prainha em 2026 – também foram abordados.

FOTO – Reunião de terça-feira, com presença do secretário Blando

 

Possibilidade da extinção da Secretaria de Cultura preocupa

Presente no encontro, o jornalista e historiador Nélson Adams Filho levantou uma questão que vêm sendo ventilada em debates na cidade: de que a Secretaria de Cultura de Torres poderia ser extinta, sendo englobada pela Secretaria de Turismo numa futura reforma administrativa municipal. Nélson questionou o secretário Blando sobre o assunto, e este foi franco ao afirmar que os rumores da reforma administrativa não são infundados (destacando que uma Secretaria de Segurança Pública e outra de Captação de Recursos podem ser criadas). Entretanto, Blando ressalta que ainda não foi ‘batido o martelo’ sobre esta questão, indicando que a sociedade civil envolvida com o setor cultural pode se mobilizar para tentar modificar esta realidade, salientando também que o prefeito Delci Dimer está aberto ao diálogo.

A ideia de uma eventual ‘extinção’ da Secretaria de Cultura – que pode virar apenas um departamento junto a pasta do Turismo em Torres –  foi vista com preocupação pelos representantes culturais presentes na reunião, que veem a situação como um retrocesso no reconhecimento das políticas culturais do município (sem contar a possibilidade de refletir em redução de recursos via PNAB e Lei Paulo Gustavo). Em decorrência disto, uma reunião com o Prefeito Delci Dimer deverá ser solicitada, para melhor entendimento desta situação.

 

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Publicado em: Cultura






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