Recentemente (dia 21 de maio), Torres completou seu 148º Aniversário de Emancipação – momento para celebrar a história e o desenvolvimento da cidade, lembrar das conquistas da urbanidade, dos obstáculos superados e – também – pensar nos desafios futuros. Em meio a este contexto, importante ver como o município se apresenta no Índice de Progresso Social (IPS), recentemente divulgado pelo IPB Brasil.
Produzido pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em parceria com o Social Progress Imperative e outras instituições, o IPS Brasil 2026 foi divulgado no dia 20 de maio. Ele mede diretamente a qualidade de vida da população a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, sem utilizar critérios econômicos como composição do índice. O estudo avalia aspectos relacionados à saúde, educação, moradia, segurança, acesso à informação, meio ambiente, inclusão social e oportunidades.
A obtenção dos indicadores é baseada em dados públicos atualizados de fontes oficiais, como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), DataSUS, Inep, MapBiomas, Anatel, Cadastro Único e Conselho Nacional de Justiça.
Diferente de rankings tradicionais, o IPS utiliza o conceito de desempenho relativo. Isso significa que a cor atribuída a um indicador não reflete apenas a nota absoluta, mas como o município performa em comparação ao seu grupo de pares econômicos (cidades com PIB per capita semelhante).
Cada uma das cores usadas possui um significado no resultado relativo do IPS: Verde, Desempenho relativamente FORTE (acima da média do grupo de PIB); Amarelo, desempenho relativamente NEUTRO (dentro da média do grupo de PIB); Vermelho, desempenho relativamente FRACO (abaixo da média do grupo de PIB) e Cinza sem informações disponíveis.

O que realmente define uma cidade boa para viver?
Imagine que você vai ao médico para um check-up. Ele não olha apenas o seu peso; ele verifica sua pressão, seus exames de sangue e seu bem-estar mental. O Índice de Progresso Social (IPS) funciona da mesma forma para as cidades: ele é o “check-up” que vai além do bolso.
Muitas vezes, ouvimos que uma cidade é próspera apenas pelo seu PIB (Produto Interno Bruto). Em Torres (RS), o PIB per capita é de R$ 42.347,94. Mas será que esse dinheiro se traduz em vida boa para todos? O IPS Geral de Torres é 61,01/100, colocando a cidade na posição 1.743 entre os municípios brasileiros.
Um detalhe fundamental que você, como estudante e cidadão, precisa saber: o IPS não dá notas “vazias”. Ele compara Torres com outras cidades que têm a mesma faixa de riqueza (PIB), como Santo Ângelo ou Cambará do Sul. Se um indicador está em Vermelho, significa que Torres está pior que suas “cidades irmãs” em termos econômicos. Se está em Verde, ela brilha acima da média do grupo.
Dica: Para entender quem são os comparativos, observe sempre o rodapé do scorecard. Ali estão listados nominalmente os municípios do “Grupo de municípios com a mesma faixa de PIB per capita”. Um resultado vermelho indica que a cidade tem recursos financeiros suficientes para performar melhor, mas não está conseguindo converter esse capital em bem-estar.
“O Progresso Social é a capacidade de uma sociedade em satisfazer as necessidades humanas básicas de seus cidadãos, estabelecer as bases que permitam aos indivíduos e comunidades melhorar e manter a sua qualidade de vida, e criar as condições para que todos alcancem o seu pleno potencial.”
Para entender a avaliação de Torres, vamos analisar os três pilares que sustentam esse índice.
Pilar 1: Necessidades Humanas Básicas – O Alicerce da Vida
Este pilar foca no que é essencial para a sobrevivência e a dignidade humana. Torres possui uma pontuação de 74,15 (nota consolidada em AMARELO – Relativamente Neutro). Aqui, vemos que a cidade consegue entregar o básico, mas com um “alerta” importante sobre a segurança.
| Componente | O que avalia (Exemplos do Scorecard) | As “Dicas” levantadas |
| Moradia (85,38) | Coleta de resíduos, iluminação elétrica e qualidade das paredes/pisos. | Status: Amarelo (Neutro). Apesar da nota alta, Torres faz apenas o “feijão com arroz” comparada a cidades com o mesmo PIB. Considera Torres relativamente fraca no quesito domicílios com iluminação elétrica |
| Água e Saneamento (79,57) | Abastecimento de água e esgotamento sanitário. | Essencial para evitar doenças, mas ainda há perdas na distribuição que precisam de atenção. |
| Nutrição e Cuidados Médicos (79,15) | Mortalidade infantil, subnutrição e cobertura vacinal. | Um desempenho sólido que garante o início da vida com saúde. |
| Segurança Pessoal (52,51) | Assassinatos de jovens e mulheres (vermelho), homicídios e mortes no trânsito (amarelo). | Status: Vermelho (Fraco). Este é o grande gargalo. De nada adianta ter uma casa com paredes adequadas se o cidadão tem medo da violência urbana. |
Conexão: Uma vez que garantimos a sobrevivência (comida, teto e segurança), precisamos das ferramentas para que as pessoas possam se desenvolver e viver com qualidade.
Pilar 2: Fundamentos do Bem-Estar – A Base para o Desenvolvimento
Este pilar mede se a cidade oferece condições para que o cidadão evolua intelectualmente e viva em um ambiente saudável. É o pilar em que Torres está melhor posicionada (Pontuação de Torres: 72,07/ nota consolidada em VERDE – Relativamente Forte)
O grande destaque de Torres no Brasil inteiro é o Acesso à Informação e Comunicação (93,53). A cidade ocupa a 37ª posição nacional neste quesito!
Por que isso importa para você? Com excelente qualidade de internet móvel (4G/5G) e banda larga, Torres facilita o estudo moderno, o acesso a cursos e a conexão com o mundo. Você está em uma “ilha de conectividade”.
Os componentes deste pilar são:
Acesso ao Conhecimento Básico (75,02): Avalia o Ideb e taxas de abandono escolar.
Acesso à Informação e Comunicação (93,53): O ponto forte da cidade (conectividade). Cobertura 4G/5G e densidade de Telefonia móvel/ banda larga considerada boa.
Saúde e Bem-Estar (57,35): Observa a Expectativa de Vida e a incidência de doenças crônicas.
Qualidade do Meio Ambiente (62,37): Analisa áreas verdes urbanas e emissões de CO2.
Conexão: No entanto, o progresso só é completo quando a cidade não apenas oferece internet e saúde, mas também garante que todos tenham os mesmos direitos e liberdades.
Pilar 3: Oportunidades – O Teto das Possibilidades
Aqui chegamos ao ponto mais crítico de Torres. A pontuação é de apenas 36,80 (nota consolidada em VERMELHO – Relativamente Fraco) a menor das três dimensões. Se a cidade é a 37ª em comunicação, ela despenca para a posição 5.372ª em Oportunidades. Isso revela a existência de “Barreiras Invisíveis” ao progresso.
Inclusão Social (19,04): Esta nota é considerada baixíssima. O scorecard aponta sinais vermelhos graves em Famílias em situação de Rua e Paridade de Negros na Câmara Municipal, e ainda em amarelo, Violência Contra Mulheres, Violência Contra Negros e Violência Contra Indígenas. Além disso, a falta de Paridade de Gênero na Câmara municipal que mostra que as decisões da cidade ainda não representam toda a sua diversidade.
Direitos Individuais (30,72): Reflete a dificuldade de acesso a programas de direitos humanos e à justiça – com destaque negativo para Resposta em processos familiares (vermelho). Apesar da nota baixa para Torres neste índice, destaque positivo para Taxa de Congestionamento Líquida de Processos.
Destaque Educativo – Educação Superior e Mercado (42,56): Este indicador é o motor da mobilidade social. Ele não olha apenas se você entrou na faculdade, mas foca em dados como a Nota Mediana no Enem (verde- relativamente forte em Torres) e, crucialmente, o número de Empregados com Ensino Superior (na cidade amarelo – neutro). Para o estudante, isso mostra se a cidade consegue absorver e valorizar o talento que ela mesma forma.
Conexão: Entender esses contrastes é o primeiro passo para transformar Torres em uma cidade tão justa quanto ela é conectada.
O Raio-X de Torres e o Seu Papel como Cidadão
O veredito do “check-up” social emitido pelo IPS Brasil 2026 é claro: Torres é uma cidade considerada economicamente ativa e tecnologicamente avançada (Verde em Comunicação), mas que também deixa seus cidadãos mais vulneráveis para trás (Vermelho em Inclusão e Segurança).
Lembre-se: as cores mostram que, comparada a cidades com o mesmo dinheiro (PIB), Torres está falhando em proteger minorias e garantir segurança.
*Com informações de: IPB Brasil; acesso em 20/05/2026; Torres-RS; ranking pode ser visualizado no endereço “https://ipsbrasil.org.br/explore/scorecard/4321501?year=2026“.
* Diderô é pesquisador com especiais interesses tanto pela História quanto pela preservação do patrimônio material e imaterial, histórico, paisagístico e cultural. Colabora com o Centro de Estudos Históricos de Torres e Região – CEHTR. Defende que o progresso de uma cidade só é real quando honra sua memória e garante o futuro de todos os seus cidadãos.
**Editado por Guile Rocha







