Em Torres e nos municípios da Comarca, mulheres em situação de violência podem contar com uma rede articulada de acolhimento, orientação e proteção
A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física. Muitas vezes, ela aparece de forma silenciosa, por meio de ameaças, humilhações, controle, isolamento, violência financeira, coerção sexual ou outras formas de desrespeito e violação de direitos. Reconhecer esses sinais e saber onde procurar ajuda pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de violência.
Em Torres, uma das principais portas de entrada para esse atendimento é o Centro de Referência da Mulher (CRM) Pricila Selau, equipamento vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. O serviço completou, em 26 de agosto deste ano, 11 anos de funcionamento e possui atuação regional, atendendo mulheres dos sete municípios que integram a Comarca de Torres: Torres, Arroio do Sal, Dom Pedro de Alcântara, Mampituba, Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras e Três Forquilhas.
Um serviço de portas abertas
Uma das informações mais importantes para as mulheres é que não é necessário ter registrado um Boletim de Ocorrência ou possuir uma medida protetiva de urgência para procurar o CRM.
O Centro é um serviço de portas abertas para mulheres que estejam vivenciando situações de violência ou que estejam buscando orientação e apoio para compreender a própria realidade e tomar decisões com mais segurança.
Isso significa que uma mulher pode procurar o serviço mesmo quando ainda não se sente preparada para denunciar o agressor.
Muitas mulheres chegam ao atendimento justamente nesse momento: sabem que alguma coisa não está bem, reconhecem comportamentos de violência, mas ainda têm medo, dúvidas, dependência financeira, filhos envolvidos ou não sabem como romper a relação sem colocar a si mesmas ou outras pessoas em risco.
Nessas situações, acolher também é proteger.
O CRM oferece atendimento psicoassistencial, com escuta qualificada, orientação e acompanhamento, além de realizar encaminhamentos e articulações com os demais serviços que integram a rede de proteção. O objetivo não é decidir pela mulher, mas ajudá-la a compreender seus direitos, fortalecer sua autonomia e construir, junto com ela, caminhos possíveis e seguros.
Que tipos de violência podem acontecer?
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência contra a mulher, entre elas a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
A violência física envolve qualquer conduta que cause dano à integridade ou à saúde corporal. A violência psicológica pode aparecer por meio de ameaças, humilhações, constrangimentos, controle, isolamento, perseguição ou outras atitudes que provoquem sofrimento emocional e diminuam a autonomia da mulher.
A violência sexual não se limita ao estupro e também pode ocorrer quando a mulher é constrangida a participar de uma relação ou prática sexual sem consentimento. A violência patrimonial envolve a retenção, destruição ou subtração de documentos, objetos, recursos financeiros e outros bens. Já a violência moral está relacionada a condutas como calúnia, difamação e injúria.
Também é cada vez mais utilizado, no campo da proteção às mulheres, o conceito de violência vicária, quando o agressor utiliza filhos, familiares ou pessoas importantes para a mulher como instrumento para causar sofrimento, controlar, ameaçar ou continuar exercendo violência sobre ela.
Por isso, é importante compreender que violência doméstica não é somente aquela que deixa marcas visíveis no corpo.
Uma rede que trabalha junto
O enfrentamento à violência contra a mulher não depende de um único serviço. Em Torres, a chamada Rede Lilás reúne diferentes instituições e políticas públicas que atuam de forma articulada para prevenção, atendimento, responsabilização e proteção.
Integram essa rede, entre outros parceiros, o Ministério Público (MP), Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), Conselho Tutelar (CT), Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Secretaria Municipal da Educação (SME), Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC), Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Torres, por meio do curso de Direito, Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Torres, Conselho Municipal de Saúde (CMS) e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA).
A rede também estabelece diálogo com outros serviços e instituições sempre que a situação exigir, porque uma mulher em situação de violência pode precisar, ao mesmo tempo, de atendimento de saúde, proteção policial, orientação jurídica, acompanhamento social, atendimento psicológico e medidas relacionadas à proteção dos filhos.
A articulação entre esses serviços é fundamental para evitar que a mulher precise contar sua história repetidas vezes ou percorrer sozinha diferentes portas em busca de ajuda.
Procurar ajuda não significa necessariamente denunciar naquele momento
Um dos maiores obstáculos para o rompimento do ciclo de violência é a ideia de que procurar ajuda significa, obrigatoriamente, denunciar imediatamente o agressor. Não é assim.
A mulher pode procurar orientação antes de tomar qualquer decisão.
O atendimento pode ser justamente o espaço para que ela compreenda o que está acontecendo, conheça seus direitos, avalie os riscos, conheça os serviços disponíveis e, junto com os profissionais, pense nos próximos passos.
Em muitos casos, o rompimento de uma relação abusiva não acontece de uma hora para outra. Pode ser um processo marcado por medo, dependência econômica, preocupação com os filhos, ameaças e diversas outras dificuldades.
Por isso, fortalecer essa mulher também faz parte do trabalho de proteção.
A violência não precisa chegar ao extremo para ser levada a sério
Informação é uma das ferramentas mais importantes para prevenir a violência e proteger mulheres e crianças.
Uma mulher não precisa esperar uma agressão física grave, uma ameaça de morte ou uma situação extrema para pedir ajuda. Da mesma forma, familiares, amigos, vizinhos e profissionais que percebam sinais de violência podem buscar orientação sobre como agir.
O silêncio não deve ser confundido com consentimento. O medo não significa que a mulher não queira ajuda. E pedir orientação não significa que ela esteja obrigada a tomar uma decisão naquele momento.
Em Torres, existe uma rede preparada para acolher, orientar e articular proteção.
Se você está vivendo uma situação de violência, ou conhece uma mulher que possa estar passando por isso, procure o CRM Pricila Selau. A primeira conversa pode ser apenas uma conversa. Mas pode também ser o início de uma mudança de vida.
Centro de Referência da Mulher – CRM Pricila SelauRua Travessa do Torrense, 87 – Centro – Torres/RS
Telefone: (51) 3626-9150 RAMAL 270 e 274 / CEL: (51) 9946-1977
Atendimento: segundas-feiras a sexta-feira , das 8h às 11h30 e das 13h às 17:30
Violência contra a mulher não é problema privado. É uma questão de direitos, proteção e responsabilidade de toda a sociedade.






