Estamos em fase pré- eleitoral no Brasil e nos Estados federativos e mais uma vez se nota que leis corporativas entram nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional e acabam sendo votadas quase que unanimemente favorável por todas as bancadas, mesmo vetadas pelas finanças dos Estados e da nação. Em Zero Hora desta última quarta-feira, o líder do governo Yeda aqui no RS chutou o balde. Adilson troca disse que em época eleitoral não existe base de governo, ao criticar a derrubada do veto responsável da governadora Yeda a um aumento de uma categoria de funcionários. Também em Brasília, os deputados federais votaram aumento nos rendimentos da previdência acima da possibilidade de caixa do governo federal conforme informou o ministério da Fazenda. E o presidente Lula deverá ter coragem para vetar o aumento.
Esta atitude de insistentes manobras em fase pré-eleitoral e as insistentes concordâncias de legisladores aprovando os projetos com medo de receber represália de seus eleitores se trata de uma mazela crí´nica perigosa para a administração pública. As decisíµes acima da capacidade fazem com que os governos, novos ou repetidos, entrem em seus mandatos com uma tarefa quase impossível como tema de casa primário. Ao invés de novos governantes entrarem nos governos e iniciarem saudavelmente os projetos idealistas que seus planos sugerem, teoricamente o principal motivo de terem recebidos votos de seus eleitores, acabam sempre, sem restrição, anunciando que os governos estão inviáveis financeiramente. Atacam os governos anteriores e a agenda de governo acaba passando a ser uma ampla administração de passivos de caixa e econí´micos. Ideologia? Não tem espaço, pois o MP e a imprensa passam a enfocar tão somente as pendências financeiras dos governos; e o povo mais uma vez assiste as promessas de campanha irem pelo ralo, sob os insistentes argumentos de falta de saúde financeira dos governos.
Urge que a legislação eleitoral elimine de vez a possibilidade de corporaçíµes de funcionários públicos, aposentados, seguro desemprego, dentre outros, possam receber aumentos de ganhos em ano de eleição. Não é mais possível que a sociedade se veja repetitivamente envolvida em ciladas corporativas e eleitoreiras que transfigurem a estrutura administrativa dos governos, sejam eles quais forem.
O governo Yeda Crusius, por exemplo, responsavelmente priorizou o equilíbrio das finanças do Estado como tema básico em sua gestão, o que, diga-se de passagem, deveria ser tema de casa de qualquer governante, de qualquer partido. Manobras da oposição ficaram durante 4 anos tentando atacar a postura da governadora trabalhando para derrubar o equilíbrio através de projetos de lei apoiados por corporaçíµes de gaúchos que seriam beneficiadas por aumentos salariais ou de benefícios. Mesmo assim o governo corajosamente conseguiu sobras para investimentos na infraestrutura do Estado, elogiado consequentemente por todos os municípios, onde a vida acontece na prática.
Mas parece que a cultura gaúcha quer manter o Estado do RS sem fí´lego para trabalhar. Parece que governar no RS é trabalhar com promessas utópicas que não são cumpridas por falta de capacidade econí´mica do Estado, como vinha sendo nos 20 anos anteriores ao governo atual, que inaugurou uma nova era de investimentos do RS após décadas de estagnação.


