Independência do município
Torres completa neste dia 21 de maio 132 anos de independência política. Isto não quer dizer que o local não existia antes. Quer dizer que há 132 anos que decidimos ao menos teoricamente o que queremos, para onde queremos ir, com que recursos e com que prioridades que encaminharemos esta nossa caminhada anual.
Comemorar a independência do município é comemorar a existência da Câmara Municipal que faz as leis (ou deveria fazer) e arbitra a aplicação do dinheiro público feito pela prefeitura; é comemorar a existência da Prefeitura Municipal, que faz a gerencia do dinheiro de nossa cidade teoricamente aplicando a receita da maioria dos eleitores, pois foi eleita pelo voto popular; é comemorar a liberdade de sairmos por aí por qualquer lugar e sabermos que existe um pago onde a estrutura pública de lá nos dá vantagens por morarmos lá e, consequentemente, sentirmos que temos uma mãe pública para nos socorrer nas horas mais difíceis.
Comemorar o aniversário da independência é, acima de tudo, festejar a possibilidade de nós, simples cidadãos, podermos dar nossa opinião sobre muitas coisas que acontecem na cidade, o que não se faz muito ainda em todo o Brasil por conta de uma cultura de ditadura implantada por praticamente toda a história da nação, mas que o processo democrático permite, desde que cada um de nós queiramos participar. Podemos participar de audiência pública para decidir prioridades, para decidir mudanças, para sugerir avanços, para buscar demandas individuais de nossos bairros, nossas ruas: basta participar.
Comemorar a independência é festejar nossa possibilidade de ir í s urnas e decidir quem indicaremos para ser prefeito e vereador onde moramos, mesmo para os que acham que nenhum nome é bom, mas são os nomes apresentados, e você, aí, leitor, pode se candidatar se quiser. O processo permite!
Temos que comemorar a independência política, mas temos que buscar mais ainda independência de decisíµes dos governos Estadual e Federal. Ser independente é buscar mais direitos de mais independência. Parabéns a nós, torrenses de coração e de nascimento.
Bem servidos de candidatos, mal servidos de coligaçíµes…
As três formais candidaturas estampadas para concorrer í presidência da república aqui no Brasil apresentam-se em princípio muito bem. Isto é bom em um primeiro momento para o eleitor porque sabemos que, seja lá qual for o resultado, nosso país vai ser gerido sob um comando responsável, inteligente, bem intencionado, equilibrado e progressista. Dilma, Marina e Serra estão aptos a serem presidentes do Brasil sem deixar medo a nenhum vivente.
Mas as coligaçíµes é que preocupam. O PT está praticamente unido com o PMDB no Brasil, embora aqui no RS, por exemplo, sejam adversários frontais e possuam rancores antigos de ataques e manobras traiçoeiras de um para outro partido e vice versa. O PSDB no Brasil representa a maior força para concorrer com a situação atual, que é o PT. Sua coligação com o DEM é quase de irmandade ideológica. Mas aqui no sul, o mesmo PSDB de Yeda perdeu coligaçíµes antigas. Com o DEM, por conta da briga entre o vice-governador Feijó e a governadora; com o PMDB, por conta de o partido partir para a candidatura própria. E acabou ficando ainda parceiro do PPS e do PP, este último com força no interior e com minutos de exposição interessantes para a coligação. Mas não existem lógicas de apoios. Como será que o DEM, por exemplo, não apoiará Yeda aqui no sul? Impossível! Como será que o PMDB que apoia o PT no Brasil apoiará o candidato daqui, virtual concorrente do PT? Impossível.
Nesta verdadeira confusão, a candidatura de Marina Silva leva vantagem comparativa. O discurso reto, ideológico, condenando coligaçíµes obscuras e fisiologistas e sua inteligência em debates permitem que ela entre no páreo com muita chance de ir para o segundo turno.
Auto-sustentabilidade…
A candidata Marina Silva esteve muito bem no RBS Debates na terça-feira passada promovido em Porto Alegre e veiculado por todas as emissoras da rede RBS em multimídia. Ela deixou claro que o conceito de sustentabilidade do PV, que é o âmago de seu Plano de Governo, em construção para a campanha que inicia daqui a algumas semanas, não se trata de proteger o ambiente perante o progresso: trata-se de proteger o progresso de ter custos adicionais econí´micos e sociais no futuro.
Projetar impactos ambientais em um empreendimento qualquer de forma responsável é evitar, por exemplo, que o governo do Rio de Janeiro tenha perdido quase mil pessoas nos desastres naturais causados para com as pessoas que foram morar nas encostas dos morros e foram deixados e até incentivados por gestores públicos de várias siglas no poder por lá. í‰ evitar os prejuízos que os cofres públicos de lá estão tendo e ainda terão para pagar a conta da não aplicação do conceito de sustentabilidade, e ter consequentemente que indenizar famílias inteiras, além de ter de dar aluguel e moradia para todos, sem projetos mais específicos, o que deverá quadriplicar os recursos despendidos.
Aplicar conceito de sustentabilidade aqui em Torres é investir em esgoto sanitário e evitar que crianças morram por doenças causadas pela sujeira e evitar que turistas corram de Torres por conta da poluição do rio, do mar e das poças d™água. Aplicar conceito de sustentabilidade econí´mica é, como Marina propíµe, se adiantar ao mundo e utilizar o dinheiro do petróleo do pré-sal para desenvolver plantas de energia alternativa e limpa para a nação, ao invés de utilizá-lo para projetos de curto prazo sem visão de futuro.
Marina deu show de inteligência e de visão de estadista moderna. Serra e Dilma terão que rebolar nos debates com ela…
Mais segurança, mais custos?
O vereador Gimi idealizou e conseguiu aprovação quase que por unanimidade de projeto de lei que exige que prédios antigos tenham que passar por vistorias pontuais, de tempo em tempo, conforme a idade da construção. A idéia é boa e atual, pois temos visto prédios antigos com problemas no Litoral. Mas será que isto não vai se tornar um custo adicional alto e coorporativo para os engenheiros justamente por ser obrigatório? Trata-se de um risco. O vereador Rogerinho questionou justamente isto. Ele disse ainda que a obrigatoriedade já seria atualmente do setor executivo ( prefeitura) e por isto votou contra a boa idéia de Gimi. Mas meu questionamento é a questão coorporativa.
Atualmente é obrigatório que as caixas d™água sejam limpas nos prédios anualmente. Existem empresas por aí que simplesmente olham para a caixa d™água, e atestam a limpeza, mas possuem autorização técnica para tal e exige o serviço sob pena dos condomínios tomarem multas. Será que a avaliação obrigatória de três em três anos em edifícios antigos não corre o risco de se transformar em um custo alto (e obrigatório) para os condomínios que não terão o que fazer além de simplesmente pagar a conta de mais um imposto? Será que síndicos responsáveis não se adiantam e fazem vistorias contratadas por conta quando, por exemplo, o prédio vai passar ou passou por obras de reforma? Será que um síndico responsável não fará a limpeza da caixa d™água por que quer a segurança da limpeza da água consumida em seu lar ao invés de fazer (ou não) por conta de uma lei que obriga isto a ser feito anualmente?
A idéia do vereador Gimi é oportuna, mas deveria ser mais pensada quando regulamentada pela prefeitura.


