Divulgada Sondagem sobre Meios de Hospedagem no RS; representantes do Litoral contestam

Pesquisa da Fecomércio RS mostra certo otimismo do setor - o que, entretanto, não condiz com o sentimento de representantes da hotelaria de Torres e do Litoral Norte

30 de julho de 2026

A Fecomércio-RS divulgou recentemente a Sondagem de Meios de Hospedagem, realizada com 385 estabelecimentos de hotéis e similares em todo o Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, as entrevistas foram realizadas entre os dias 23 de junho e 13 de julho de 2026:

“Além de traçar o perfil do setor e avaliar o desempenho recente dos negócios, esta edição investigou como as empresas estão lidando com diferentes mudanças que impactam a atividade, entre elas a implantação da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital (FNRH) a adaptação à reforma tributária, as discussões sobre possíveis alterações na jornada de trabalho e a adequação à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1)”, ressalta a comunicação da Fecomércio-RS.

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Maturidade e turismo regional

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Os resultados revelam “um setor consolidado e resiliente”, mas que ainda convive com desafios importantes. Embora a maioria dos empresários avalie positivamente a situação financeira de seus negócios e mantenha expectativas favoráveis para os próximos meses, fatores como a sazonalidade da demanda, a elevada carga tributária, os reflexos das enchentes de 2024 e a adaptação às novas exigências regulatórias continuam impondo desafios à atividade.

O levantamento mostra que 75,8% dos estabelecimentos estão em operação há mais de dez anos, evidenciando a maturidade do setor. Também foi traçado o perfil da demanda: em média, 62,7% dos hóspedes são gaúchos, 31,2% vêm de outros estados e 6,2% do exterior. O turismo de negócios permanece como a principal fonte de faturamento para 51,2% dos estabelecimentos. Esse perfil se reflete na ocupação, que permanece mais intensa nos dias de semana, conforme apontado por 58,2% dos empresários.

 

Quase 60% dos empresários classifica sua situação como “boa”

Na avaliação financeira, 58,0% dos empresários classificam a situação da empresa como boa ou muito boa, enquanto 35,8% a consideram regular e 6,2% a avaliam como ruim ou muito ruim. Apesar dessa percepção predominantemente positiva, os impactos das enchentes de 2024 ainda persistem para parte do setor. Entre os estabelecimentos que sofreram algum impacto, apenas 34,4% afirmam ter se recuperado totalmente e 19,1% quase totalmente. Entre aqueles que ainda enfrentam dificuldades, os principais reflexos são a redução do faturamento (52,3%), o prejuízo financeiro (45,3%) e a perda de clientes (45,3%).

O desempenho recente também revela um cenário heterogêneo. Enquanto 49,1% dos empresários avaliaram as vendas dos últimos seis meses como boas, muito boas ou excelentes, 37,1% classificou o período como regular e 13,8% como ruim. Em relação à ocupação no primeiro semestre de 2026, quase metade dos estabelecimentos (47,5%) informou que o resultado ficou abaixo das expectativas, percentual praticamente igual ao daqueles que afirmaram ter atingido o esperado (47,8%), enquanto apenas 4,7% registraram desempenho superior ao previsto.

 

Sazonalidade e carga fiscal são os obstáculos

Entre os principais desafios internos destacam-se a sazonalidade da ocupação, apontada por 53,0% dos entrevistados, seguida pela alta rotatividade de funcionários (26,2%) e pela gestão financeira (16,6%). No ambiente externo, a carga tributária aparece como a principal preocupação, citada por 47,5% das empresas, seguida pelo aumento dos custos (26,8%), pela falta de atrativos na localidade (17,4%) e pela concorrência no setor (16,6%).

Mesmo diante desse cenário, as expectativas para o futuro permanecem favoráveis. A maioria dos empresários (56,9%) espera crescimento das vendas nos próximos seis meses, enquanto 32,5% projetam estabilidade. Em relação ao quadro de pessoal, 24,2% pretendem ampliar o número de funcionários e 63,4% esperam mantê-lo inalterado. Além disso, 47,5% dos estabelecimentos planejam realizar investimentos em infraestrutura, modernização ou sistemas.

“A pesquisa mostra um setor resiliente, que mantém confiança no crescimento dos negócios, mas que segue enfrentando desafios importantes. Além de questões tradicionais, como a sazonalidade da demanda e a carga tributária, os empresários convivem com um processo intenso de adaptação a novas exigências regulatórias e acompanham discussões sobre mudanças na legislação trabalhista. Nesse contexto, fortalecer a gestão dos negócios torna-se ainda mais relevante para aumentar a capacidade de adaptação das empresas e preservar sua competitividade em um ambiente de constantes mudanças”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn.

 

Em Torres e região o otimismo não é uma realidade

A FOLHA Torres conversou com a presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Norte do RS (SHRBS – LN) Ivone Ferraz, sobre os resultados apresentados na pesquisa da Fecomercio RS. A empresária torrense do ramo de hotelaria acha que a pesquisa passou uma ideia “demasiadamente genérica”. É que para Ivone, líder atuante do setor no Litoral, não chegou nenhuma informação acerca dos questionamentos da pesquisa – nem para ela nem para nenhum hoteleiro sindicalizado da região (que ela tenha sabido) – o que deixa uma indagação acerca da metodologia utilizada.

Sobre o diagnóstico resultante da sondagem, Ferraz acha que o mercado no litoral Norte “não está nada otimista” com o futuro e com a situação atual dos hoteleiros como sugere o resultado da pesquisa.  “Penso que otimismo,  só se for na região da hotelaria de Gramado”, disse Ivone para A FOLHA Torres.

As intervenções do setor público no sistema de hotelaria no Litoral Norte gaúcho –  algumas das quais citadas na pesquisa da Fecomercio RS – têm sido causa de mais insegurança para o mercado de hotéis, segundo a presidente do SHRBS – LN. O cadastro (Ficha) centralizado no governo não recebeu boa adaptação dos empresários; o término da possibilidade da escala 6 X1 (se for aprovada) para o setor deverá ser um fator altamente impactante, principalmente pela sazonalidade  de mercado na região. A reforma tributária – que para a empresária vai prejudicar o fluxo de caixa dos hotéis, por conta da retenção do imposto na origem – foram exemplos citados pela líder sindicalista da região para justificar a  falta de otimismo do empresariado litorâneo.

Ainda segundo Ivone Ferraz, o dinheiro que está ‘sumindo’ de todo o mercado, demostrado pela falta de poder aquisitivo médio da população, também estaria corroborando para a queda de reservas na hotelaria regional. Para ela, o endividamento e os vícios (como apostas e jogos online) são exemplos de sintomas dessa recessão de consumo enxergada pela categoria dos hotéis.

 

Adaptação às intervenções públicas no setor

Segundo o diretor do Hotel A Furninha, Danilo Raupp, a pesquisa fecha com a realidade da cidade de Torres. Para ele, a estrutura hoteleira local é composta em sua maioria por hotéis com dez anos de uso ou mais (como diz a pesquisa). Mas ironicamente, as empresas atualmente estão sendo obrigadas a tentar se reinventar para sobreviver ao mercado mutante.  “A alta carga tributária, as diversas exigências e regulamentações, mudanças fiscais, além da falta de mão de obra e a falta de recursos financeiros (juros elevados) dificultam e muitas vezes desencorajam novos investimentos”, afirma o empresário torrense. (*com informações da Fecomercio – RS)

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Publicado em: Turismo






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