Oito golfinhos foram encontrados mortos e encalhados entre o litoral norte gaúcho e Passo de Torres (SC) em menos de 10 dias. Ainda não se sabe a causa da morte dos mamíferos, todos da espécie golfinho-de-Fraser (Lagenodelphis hosei).
Dois encalhes foram registrados no dia 24 de julho, em Balneário Quintão — Palmares do Sul e em Cidreira. No dia 27, Quintão voltou a registrar nova ocorrência. Por fim, na última sexta-feira (31), um golfinho foi encontrado na praia de Rondinha, em Arroio do Sal.
Amostras foram coletadas para tentar auxiliar na identificação da causa das mortes. Foram realizadas as dissecações dos golfinhos, com coletas dos esqueletos destinados à coleção científica do Museu de Ciências Naturais da UFRGS (Mucin).
Na quinta-feira (30), outros quatro golfinhos foram encontrados mortos e encalhados em Passo de Torres (SC), no limite com Torres (RS). A Educamar atendeu a ocorrência por meio do PMP-BP.
“Eram três fêmeas, sendo duas gestantes com feto em desenvolvimento, e um macho. Foram coletados dentes para estimar a idade dos indivíduos. Embora amostras tenham sido coletadas para exames complementares, o grau de autólise também pode prejudicar no resultado conclusivo para elucidar a exatidão da causa da morte. Ainda assim, o caso será correlacionado aos demais encalhes de indivíduos da mesma espécie que ocorreram recentemente no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Uruguai”, salienta a comunicação da Educamar Brasil (em suas redes sociais).
Conforme Suelen Santos, coordenadora do PMP-BP na Educamar, esses encalhes do golfinho-de-Fraser nos litorais gaúchos e catarinenses são bem atípicos: “É raríssimo, já que é uma espécie extremamente oceânica, que se encontra apenas em águas profundas”.
Suelen (em matéria para GZH) relata que as necrópsias realizadas nos animais de Passo de Torres sugerem que eles estavam debilitados. Ela recorda que a análise de encalhes de outras espécies oceânicas no litoral do Sul do Brasil indicavam o contágio de morbilivírus — vírus letal que afeta os sistemas respiratório e nervoso de cetáceos.
Cariane Campos Trigo, bióloga do Mucin, pondera que, além do vírus, eventos de mortandade em massa de golfinhos já foram registrados em épocas de El Niño intenso. “Encalham cetáceos quase que diariamente no nosso litoral, principalmente a toninha (Pontoporia blainvillei), que é um golfinho pequeno em grande risco de extinção principalmente relacionado à captura acidental em redes de pesca. Semana passada, além desses golfinhos, encalhou uma baleia franca” — frisa Cariane.
A coordenadora do PMP-BP na Educamar, Suelen, adverte: Ao avistar um animal marinho encalhado na praia, a população não deve fazer contato com porque pode transmitir doenças. Sempre procurem acionar a instituição responsável pelo trecho.
No Rio Grande do Sul, entre Torres e o Farol Berta (em Palmares do Sul), é possível acionar o PMP-BP pelo seguinte número: (51) 3308-1263. A instituição também atua junto a orla do Passo de Torres (SC). “Ao encontrar animais marinhos encalhados nas praias entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, ligue para a Educamar: 0800 641 5665 ”.
Golfinho-de-Fraser

Segundo informações do PMP-BP, o golfinho-de-Fraser (Lagenodelphis hosei) é uma espécie de águas tropicais e oceânicas, encontrada em todos os grandes oceanos. É um golfinho de corpo robusto, que pode atingir até 2,64 metros de comprimento.
Embora tenha distribuição ampla em mares tropicais, encalhes em regiões mais frias, como o sul do Brasil, Uruguai e Argentina, são considerados incomuns.








