EDITORIAL – Radicalismos ambientais e progressistas: um retrocesso

3 de setembro de 2014

Por Fausto Júnior  

 

 

í‰ impressionante como parte da população que se considera formadora de opinião no Brasil “ principalmente no RS – tem dificuldade de visualizar algo com vieses desenvolvimentistas e tecnicamente confiáveis. Ambientalistas xiitas não confiam de forma alguma no que é chamado de agronegócio. Acreditam que este sistema de produzir riquezas e divisas para as naçíµes só serve para enriquecer estancieiro e empresas de suplementos e aditivos agrí­colas. Já os radicalmente a favor do agronegócio possuem quase a mesma dificuldade em conviver com o que se chama de agricultura familiar e ecologicamente correta. Colocam-na quase ao lado de movimentos de reforma agrária, de movimentos que militam invasíµes de propriedade, quando a agricultura pequena, ecológica, natural e familiar nada mais é do que um empreendimento qualquer, que – além de gerar emprego, renda e alimentos para a nação – fixa muitas famí­lias no campo, diminuindo o fantasma do êxodo rural e a concentração de pessoas em grandes centros urbanos. Além de ter preocupaçíµes especiais com a ‘saúde’ dos alimentos

O protagonismo real que a candidatura de Marina Silva está propiciando no dia a dia dos brasileiros ligados no processo eleitoral tem estampado este processo separatista radical sem sentido. Adversários da candidata afirmam que ela é contra o agronegócio, assim como os militantes do lado ambientalista de Marina Silva acusam a candidatura de Aécio Neves como uma candidatura que seria contra a Agricultura Familiar. E não é nada disto. Nem Marina é contra o agronegócio, nem Aécio é contra a agricultura familiar. Seria algo muito pouco republicano para candidatura do porte dos dois.

Até dentro do PT – partido no poder no Brasil e no Rio Grande do Sul “ o fato da agremiação ter correntes internas diversas acaba fazendo com que companheiros de sigla usem este artifí­cio destruidor para atacar correntes divergentes de pensamento, dentro do próprio partido. Alguns petistas radicais se colocam peremptoriamente contra o fomento ao agronegócio, ao movimento MTG e tudo que se refere í s tradiçíµes gaúchas de cultivo em grandes propriedades rurais. Isso causa uma espécie de fogo amigo dentro da sigla, pois os petistas mostram que fomentam, sim, o agronegócio, inclusive com apoio ao uso de agrotóxicos em casos tecnicamente necessários.

Os dois processos são iguais. Mas trabalham em situaçíµes quase que antagí´nicas. O agronegócio é um jogador no mercado mundial. Geralmente naçíµes que utilizam esta matriz econí´mica para o crescimento de suas rendas per capitas são paí­ses de geografias grandiosas, com espaços ociosos e grandes áreas cultiváveis. O Agronegócio nestes casos se coloca na obrigação de ser competitivo, tanto em qualidade quanto em preços, sob pena de perder o jogo e sucumbir. Ter o agronegócio como parte das riquezas que alavancam o crescimento econí´mico e social de uma nação é, portanto, trabalhar para que as polí­ticas públicas auxiliem que os empresários do setor sejam competitivos e consigam gerar divisas para a nação, assim como colocar comida nas mesas das pessoas í  preços cada vez mais competitivos, o que só se consegue com produção de alta escala, em todos os segmentos de produção.

A Agricultura familiar não é um processo de competitividade mundial. Ela serve para fornecer alimentos mais artesanalmente. Serve para manter famí­lias vivendo sob a saudável qualidade de vida no meio rural, junto í  natureza, e serve, afinal, para dar opçíµes aos consumidores para que consumam algo feito com menos intervenção artificial, menos agrotóxicos, produtos necessários nos processos de produção em massa em qualquer segmento.

í‰ interessante analisar, também, a incongruência de pessoas que sobrevivem de salários ou aposentadorias pagas pelo setor público – alguns até grandes e polpudos – serem contra radicalmente o agronegócio. Estas pessoas de certa forma estão cuspindo no prato que comem, se não vejamos: Como uma nação como o Brasil vai conseguir pagar salários e aposentadorias públicas quando não cresce a arrecadação de tributos por sua produção? Nunca.

E é interessante também, do outro lado, se averiguar que pessoas urbanas, que reclamam acerca do alto í­ndice de aglomeração nas cidades. Reclamam principalmente das vilas com pessoas em vulnerabilidade social, muitas oriundas de êxodos rurais – frutos de más polí­ticas públicas de fomento aos moradores do interior para que permaneçam em suas terras. Estas pessoas urbanas se colocam radicalmente contra as polí­ticas públicas de apoio ao empreendedorismo chamado de agricultura familiar. São pessoas que também cospem no prato em que comem, pois militam por segurança e organização urbana, mas, por outro lado, são contra apoios governamentais ao minifúndio familiar produtivo.

Radicalismos são sempre ignorantes. O Brasil é (e será) um pais que terá as duas formas em sua matriz econí´mica voltada para a agricultura e í  pecuária. Uma faz parte do processo comercial internacional e que gera divisas: o agronegócio. Outra faz parte de um processo que dá qualidade de vida, tanto para os produtores artesanais através de seus ganhos, quanto aos consumidores urbanos, através da qualidade e maior pureza e confiabilidade dos alimentos.

 

"Radicalismos são sempre ignorantes.

O Brasil é e será um pais que terá as

duas formas em sua matriz

econí´mica voltada para a agricultura"


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