DISCUSSí•ES SOBRE AS NOVAS Rí“TATí“RIAS DE TORRES

26 de outubro de 2014

 

Foto da rótula na Barão do Rio Branco após acidente que danificou a estrutura (por CARLOS LANGE)

 

 

Por Guile Rocha

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As novas rotatórias instaladas em Torres tornaram-se tema para discussão e debate entre moradores e visitantes. Uma encontra-se, desde o dia 03 de outubro, fixada  no cruzamento da Avenida Barão do Rio Branco com José Osório Cabral e Bento Gonçalves, e já foi local de ao menos 3 acidentes (confirmados). A outra, mais recentemente instalada, está no entroncamento da Avenida Carlos Barbosa com a Avenida Silva Jardim. Até a tarde desta segunda-feira (27), cerca de 2 semanas após sua instalação, a rótula não contava com a sinalização preventiva em seus arredores.

O jornal A FOLHA, em sua página no Facebook, abriu espaço para um fórum de discussão sobre o assunto rotatórias, e dezenas de pessoas se manifestaram. Quanto aos acidentes que ocorreram na rótula da Avenida Barão do Rio Branco com José Osório Cabral e Bento Gonçalves (um dos locais de trânsito mais intenso em Torres) , muitas possí­veis justificativas foram apresentadas pelos internautas: A falta de iluminação junto ao equipamento, a falta de sinalização preventiva adequada no entorno da rótula (que hoje já foi realizada, mas somente vários dias após a instalação da rotatória), a imprudência e falta de educação no trânsito dos motoristas, o estranho projeto da rótula em si (por ser pequena e não perfeitamente centrada).

 

 

Acidentes: seriam responsabilidade da prefeitura?

 

Para o engenheiro e conselheiro da ASENART (Associação dos Engenheiros de Torres), Carlos Lange, a prefeitura foi imprudente ao não realizar a sinalização preventiva – horizontal e vertical – simultaneamente a instalação das duas mais recentes rótulas. Segundo ele, se as pessoas já estão tendo prejuí­zos (com os acidentes), é sinal de que não foram seguidos os procedimentos adequados (para aumentar a segurança no trânsito). "Não adianta dizer que o projeto das rótulas está certo se as pessoas estão sofrendo consequências. E, uma vez que não foram adotadas as medidas de sinalização preventiva, conforme define a normativa da ABNT, o municí­pio assume responsabilidade objetiva, ou seja, cabe a prefeitura indenizar as pessoas que se acidentaram na rótula (antes de feita a sinalização preventiva)", explica Lange.

Carlos Lange ainda questiona o conceito de rótula não centralizada, que não abrange todas as vias do entroncamento. O caso ocorre tanto na rótula da Silva Jardim quanto na da Barão do Rio Branco, e é um fator que pode, segundo ele, tornar-se num problema de trânsito. "Agora colocaram sinalização indicando ‘Pare’ e ‘Dê a Preferência’ nesta via (Bento Gonçalves), mas historicamente quem trafega por ali não costumava parar. Depende também do motorista ser prudente no trânsito e entender as alteraçíµes, mas podem ocorrer acidentes se os motoristas desavisados decidirem seguir reto por essa via (que não está enquadrada no perí­metro da rotatória). Deveriam haver tachíµes (estreitando a pista) também nesta via, para melhor entendimento de que há uma rótula se aproximando", conclui Lange.

 

 

A palavra da secretaria de Planejamento

 

A secretaria de Planejamento da prefeitura informa que a equipe técnica, quando elaborou o projeto das rótulas, respeitou os padríµes de engenharia aconselhados e, a partir de estudos de levantamento, o padrão utilizado nas rótulas foi considerado o mais aconselhado para o bom tráfego de veí­culos no local. Quanto a falta da sinalização preventiva antes da instalação das rotatórias, a secretaria de Planejamento informa que é responsabilidade do departamento de Trânsito providenciar a sinalização preventiva com antecedência (embora isso ainda não tenha sido feito na rótula da Slva Jardim).

Projetos para outras 10 rotatórias estão sendo desenvolvidos para o trânsito de Torres (uma delas será nas proximidades do supermercado Big Joia). Por email, o jornal A FOLHA perguntou ainda para a secretária de Planejamento qual a posição da prefeitura quanto aos acidentes que ocorreram na nova rótula da Barão do Rio Branco. Perguntamos ainda se, nas subsequentes rotatórias, será feita a sinalização preventiva com antecedência (pela garantia de segurança no trânsito), mas até o fechamento desta edição não obtivemos retorno da secretaria

 

 

Rótulas segundo as regras da ABNT

 

O jornal A FOLHA analisou as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No texto "Manual de projeto de Intersecçíµes", a premissa básica diz que uma rótula constitui-se numa "interseção na qual o tráfego circula num só sentido (anti horário) ao redor de uma ilha central (…)com acesso controlado por sinalização vertical ou marcas no pavimento, indicando a necessidade de dar  preferência ao tráfego que se aproxima". Ou seja, a recomendação é de que, uma vez havendo a rotatória, a sinalização esteja especificada juntamente com o equipamento.

A especificação técnica ainda diz que, para obrigar que os carros que cheguem deem acesso preferencial aos que já estão na rótula urbana, "introduzem-se elevaçíµes, saliências e/ou estreitamentos nas saí­das e entradas, além da sinalização ‘Parada Obrigatória’ antes de entrar na área de circulação". Há ainda o alerta de que "pouca visibilidade nos acessos ou na travessia de uma ilha central podem levar os motoristas a tomar decisíµes erradas".

 

 


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