BRASIL SAUDAVELMENTE DIVIDIDO…
A polarização da eleição no Brasil gerou movimentos saudavelmente conflitantes. Os eleitores convictos de Dilma – do projeto atual, que já dura 12 anos no poder “ defenderam o chamado poder estabelecido com unhas e dentes. Os que queriam a mudança – e acreditavam que somente mudando o poder assim conseguiriam – também defenderam a mudança com unhas e dentes. Muitos destes defensores “ de ambos os lados – no fundo defendem posiçíµes individuais. Defendem empregos conquistados com este formato, como o outro lado – da oposição – defende empregos possíveis com a mudança. Mas a maioria defende o que acredita e a polarização na democracia é saudável. Vejamos:
1 “ A concorrência é a melhor amiga do progresso. E o progresso é feito com as armas disponíveis, ou seja: o Brasil vai melhorar com as armas que possui, pois não há outro jeito. O bafo na nuca que o PSDB deu ao PT obriga ao novo (velho) governo que se mobilize, sob pena de trazer conseqí¼ências desastrosas, com manifestaçíµes de ruas, inclusive. Isto quer dizer que TUDO questionado pelo PSDB deve ser revisto pelo governo Dilma. E isto é progresso, pois se trata de maturidade. Concorrência sempre é boa, já diriam os liberais como eu.
2 “ Os debates polarizados e agressivos – protagonistas de embates nas redes sociais “ também são altamente positivos. No primeiro momento até brigas de velhos amigos acontecem; véus são retirados de muitas caras escondidas; lados "B" de viventes são expostos e etc. Mas isto é bom. Quando uma pessoa ouve uma verdade ofensiva de um lado, ela reflete, ela pensa e pode ver que sua convicção não era tão segura como pensava. Isto é feito de forma silenciosa – dentro da consciência de todos nós – e o depois só trás vantagens. Crescemos por aprender algo que não sabíamos, ou por ensinar algo que nosso oponente não sabia “ o que gera satisfação e auto-estima – e crescemos, afinal, por conhecer melhor muita gente, o que sempre é bom: melhor amigos inteiros e inimigos sinceros do que amigos pela metade e inimigos bajuladores.
A eleição no Brasil foi altamente didática. Além de tudo isto, muita gente pode passar a prestar mais atenção no entorno de seu umbigo e saber que as decisíµes coletivas são resultado do gasto (ou investimento) de 40% do que produzimos e gastamos. A carga tributária no Brasil é muito grande para falarmos de política somente em época de eleição.
Tudo depende do PMDB?
O PMDB brasileiro elegeu 66 deputados no domingo passado para a Câmara Federal. Ele está entre o PT – que é o líder em número por lá, com 70 membros e do PSDB, o partido opositor direto do PT, que vem em terceiro lugar em número de parlamentares na Câmara de Deputados com 55 cadeiras.
í‰ esta casa que no final manda nas decisíµes de fundo brasileiras, que trabalha na aprovação de projetos ou Medidas Provisórias que mexem com a estrutura de liberdade e cidadania dos simples viventes como nós; que muda com profundeza as regras do jogo produtivo e profissional dos cidadãos. Portanto, o PMDB continua sendo o partido que é o fiel da balança. Além de estar no meio dos pólos de projetos diferentes, conta com deputados renomados, respeitados, embora muitos deles tenham tido suas imagens queimadas por brigas vindas tanto do PSDB quanto do PT (fogo amigo).
O partido (PMDB) está junto com Dilma e inclusive tem o vice da chapa: Michel Temer. Mas mostrou que está dividido. Assim como os líderes do PP, PR, PSD e PSB – agremiaçíµes que correm no terceiro escalão do Congresso, com em torno de 35 membros cada “ os membros do PMDB em muitos casos se posicionaram a favor de Aécio Neves na eleição. E o PMDB é formador de opinião e astuto em articulaçíµes. Se trocar de lado, leva junto muito governista.
Portanto, as negociaçíµes políticas e o remédio para as feridas abertas durante o pleito agressivo que tivemos darão o horizonte do futuro do governo Dilma. O PT possui como parceiros ideológicos quase que irmãos siameses o Psol (com 5 deputados) e o PC do B (com 9). Somados com os 70 do partido do governo Dilma, ficam 84 deputados. PSDB tem como coligados de lei, o DEM (com 22) e PPS (com 10). O Solidariedade está junto, mas não é parceiro antigo dos tucanos. São 87 ao todo. Quase empate entre os pólos. Um grupo de centro formado pelos médios partidos como PP, PR, PSD PSB e PTB, PRB e PDT somam um número grande “ mais de 100 – e podem formar um bloco intermediário. Mas o PMDB e sua influência acabam sendo a maior força de poder no jogo de Brasília.
No governo Collor de Melo, o PMDB virou contra e conseguiu rapidinho puxar a oposição para seu lado e trabalhar pelo Impeachment do presidente – com sucesso. E motivos para pedir o Impeachment da presidente Dilma não faltam. Muitos segmentos da população – e dos partidos, inclusive aliados – concordam que, se os fatos da Petrobrás divulgados nos últimos meses se confirmarem, basta o PMDB querer que consegue o Impeachment. E – como foi com Itamar Franco – o PMDB pode ter a cadeira de presidente. Mas acho que fica tudo como está.
No RS, Sartori deve ter facilidades de apoios
No Rio Grande do Sul, o governador eleito José Ivo Sartori deve ter facilidades. Apoiado por 19 partidos no segundo turno, o PMDB poderá ter o apoio de 39 deputados estaduais, de um total de 55, na legislatura que inicia no dia 31 de janeiro de 2015. í‰ que a questão por aqui ficou clara. Muitos partidos foram para o lado de Sartori oficialmente antes do início do segundo turno.
Além da coligação mãe – do primeiro turno – o PP foi oficialmente apoiar a chapa do PMDB e vai participar no governo. PSDB e DEM devem ir junto também puxando outros partidos menores para a composição. E a oposição no Estado deve ficar pura, ou seja: somente com partidos com DNA de esquerda, com liderança do PT de Tarso Genro, que perdeu a reeleição na disputa com o Gringo. A oposição ao governo Sartori provavelmente ficará com PT, PC do B, Psol e outros menores. O PDT ainda não se definiu e será “ como sempre – uma agremiação importante nas decisíµes estaduais. O PTB sempre fica com o governo eleito, e não deve ser diferente com o novo governo gaúcho.


