EDITORIAL – PAULO TIMM – Em defesa da democracia

9 de novembro de 2014

       

Por Paulo Timm

 

 

As eleiçíµes se encerraram, os eleitos aguardam para tomar posse do próximo dia 01 de janeiro, os derrotados fazem as análises de seus erros e, assim, lentamente, vamos nos preparando para os festejos de Natal. Certo? No que tange aos processos estaduais, sim. Veja-se o caso do Rio Grande do Sul. Tarso Genro perdeu mas, em entrevista, mesmo defendendo seu Governo, se prepara para uma elegante retirada. No plano nacional, entretanto, não bastaram os números das urnas. Dilma saiu vencedora, mas sem o direito ao estado de graça que todo eleito faz jus, no qual, inclusive consegue implementar reformas e medidas mais ousadas. Trata-se da sagração das urnas que lhe recobre de especial poder. Ela passa uma idéia de rara fragilidade para um recém eleito. Não falo de prestí­gio junto aos seus eleitores, que estão felizes com sua vitória, mas da ascendência virtual sobre a nação, sobre as instituiçíµes polí­ticas, sobre a conjuntura. Lembremo-nos de Fernando Collor, em 1989. Venceu surpreendendo todo mundo, com um pequeno partido, criticado veementemente pela esquerda, mas navegou na euforia das camisetas com mensagens otimistas até bem depois de sua posse. Paradoxalmente, é o candidato derrotado Aécio Neves, quem está eufórico nos dias que passam, com um séquito de convivas por onde passa.

 

A verdade é que a conjuntura nacional se mostra extremamente instável.

Dilma está dividida. Por um lado,  está determinada a ter maior peso neste segundo mandato, de forma a deixar uma marca de sua passagem pela Presidência. Em toda a campanha o tom do discurso foram as aquisiçíµes da Era Petista, nunca de seu mandato. Teria chegado, agora, o momento de deixar a sua marca na História. Mas, por outro lado, ela está muito fragilizada na consecução desta aspiração. Não tem familiaridade com o PT, que a abrigou.   E enfrenta as circunstancias adversas, como  a fragmentação  partidária no Congresso, a dubiedade do PMDB e a forte Oposição na imprensa e nas redes. Sem falar na crise econí´mica…Tudo indica que a abertura dos depoimentos do PETROLíƒO vai "estraçalhar" o sistema polí­tico.   O paí­s está, pois, literalmente, com respiração suspensa. í€ espera da nomeação do Ministro da Fazenda e toda a nova equipe econí´mica.í€ espera dos acontecimentos polí­ticos que cercam a eleição dos Presidentes da Câmara e do Senado. Espera tensa, com nuvens negras ao derredor.

 

Parte superior do formulário

 O momento requer muita serenidade.   Hora de  rezar para que  Dilma se recomponha e redefina seu novo Governo. Hora de acreditar  que a Oposição parlamentar, com epicentro no PSDB no Congresso,  assuma seu papel institucional, corroí­do nos últimos dias pelos bolsonaros que insidiosos varrem as ruas pedindo a volta dos militares. Hora de torcer para que se separe   o que é a OPOSIí‡íƒO INSTITUCIONAL, indispensável í  vida democrática , da OPOSIí‡íƒO FASCISTA que se insinua pelas redes.


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