CíES COMUNITíRIOS: A busca por uma relação harmoniosa

4 de dezembro de 2014

 

Pretinha e Amarelinha: Cães comunitários com mais de 16 anos, vivem na Praia Grande

 

 

Por Guile Rocha

______________

 

 Uma discussão importante surgiu na cidade na última semana. Acontece que, há mais de 9 anos, funcionári@s da filial da farmácia Panvel (localizada na Av. Barão do Rio Branco), alimentavam e serviam água para alguns cães de rua ao lado do estabelecimento, num ato de solidariedade com os bichos.

Porém, nos últimos tempos a concentração de cachorros na área  gerou reclamaçíµes por parte de outros comércios localizados na proximidade da farmácia. Alguns empresários diziam que os animais estariam espantando a freguesia ou até transmitindo pulgas. O fato é que pessoas que se sentiam constrangidas com a presença dos animais realizaram reclamaçíµes junto ao Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Panvel, e a supervisão da empresa decidiu proibir as funcionarias de alimentar os cães.

 O fato chegou as redes sociais e lá assumiu enormes proporçíµes, principalmente em apoio a causa animal. Uma das pessoas que partiu em defesa dos animais foi a torrense Isadora Daitx, que mobilizou internautas a ligarem para o SAC da Panvel (ou mandar email para a empresa) pedindo que os cães voltassem a ser alimentados no local. Num texto bastante compartilhado no Facebook, Isadora diz o seguinte. "Acreditamos que a Empresa Panvel irá rever seu posicionamento, visto que os cães lá alimentados não tem pulgas e nem outro tipo de doenças pois são cães comunitários, ou seja, muitas pessoas ajudam a cuidar"

Continuando, Isadora ainda disse que "muitas empresas e pessoas em diversos lugares do Brasil e do mundo colocam em frente de seus estabelecimentos e casas potes de ração e água, e até ajudam com medicamentos, vacinas e castraçíµes (…). Esperamos que o trabalho dos bons funcionários da Panvel em ajudar os bichinhos possa continuar. E contamos com os comerciantes de nossa cidade em apoiar a causa animal. Não custa nada deixar um potinho com água e ração".  A torrense conclui com um manifesto por mais respeito aos animais. "De nada adianta ir na missa, culto, centrinho e não ajudar a quem precisa, sendo o próximo uma pessoa ou um animal, ambos são seres vivos. E certamente quem reclama sobre quem ajuda é o tipo de gente que não ajuda nem o seu semelhante".

Enfim, a mobilização de Isadora e outras tantas pessoas, seja via Facebook ou por contato direto com a Panvel, surtiu efeito. Revertendo a primeira decisão, a farmácia decidiu liberar a alimentação e o cuidado aos cães comunitários da Barão do Rio Branco.

__________________________________________________________________________

 

CONVERSANDO COM A SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE

 

Decidi conversar com a Secretaria do Meio Ambiente para entender o ponto de vista da prefeitura em relação aos cães comunitários – conceito aceito no municí­pio para designar os cachorros que vivem na rua. Falei com a Lí­via Oliveira Justo e a Carolina Pereira Trindade, responsáveis pela gerência do Canil de Torres. Carolina iniciou dizendo que "Os cães comunitários são tratados por pessoas da comunidade que se importam com eles, que respeitam o animal mesmo que ele não tenha um dono definido".

 

ATPA, castraçíµes e Cães comunitários

 

Lí­via pensa que os mutiríµes de castração aos cães comunitários (e principalmente cadelas) trouxe um controle da população de animais de rua e um conví­vio mais civilizado com os cachorros comunitários. A gestora do Canil então citou a ATPA (Associação Torrense de Proteção aos Animais) como um bom exemplo de voluntariado em prol dos cães e gatos de rua torrenses. "São pessoas que há muito ano se congregam e prestam auxí­lio a causa animal, fazendo um número bem grande de castraçíµes protegendo e respeitando a existência dos bichinhos. Os animais castrados depois voltam para as ruas, mas ao menos não irão se reproduzir mais e causar uma superpopulação que pode ser um problema." diz Lí­via

Carolina complementa dizendo que a Secretaria do Meio Ambiente pretende organizar pontos especí­ficos de alimentação e água para os cães comunitários. Algumas plaquinhas já estão sendo providenciadas pela secretaria e definirão locais a serem ‘adotados’ como espaços para cuidado deles. " As pessoa e estabelecimentos interessados poderão se responsabilizar por uma destas plaquinhas, e assim haverá uma definição mais clara sobre onde os cães comunitários estão sendo tratados".

 

Protetores dos animais: entre o virtual e o real

 

E sobre o caso polêmico dos cães atendidos pelas funcionárias da Panvel, Carolina pensa que muitas discussíµes que iniciam nas redes sociais ficam mal explicadas ou são mal interpretadas. "E acho que vale-se para este caso também, pois houve uma grande comoção nas redes sociais em prol dos cães comunitários, para que eles continuassem sendo alimentados (ao lado da Panvel). Por outro lado, os comerciantes contrários a isso eram criticados e até xingados de forma raivosa. Mas o fato é que,   tem gente que se sente incomodada com os cães circulando pelas ruas (principalmente no centro), e a concentração de animais na área em questão estava realmente aumentando (de dois cães no começo, passaram a ser cinco eventuais visitantes). Assim, tem sentido a reclamação dos comerciantes, e deve-se respeitar as opiniíµes contrárias ainda que nãos se concorde com elas".

Para Ligia, as pessoas compartilham nas redes sociais os cãezinhos que buscam adoção e aparentam preocupar-se muito com o bem estar dos animais. "Mas na ‘Hora H’ essas pessoas não ajudam os cães comunitários colocando ração, não se voluntariam para ajudar no canil e não dão auxí­lio ao animal após a castração. São muitos protetores dos animais virtuais, mas poucos que realmente se voluntariam na vida real".

Carolina complementa: "As pessoas pegam o telefone e ligam para cá (Sec. do Meio Ambiente) dizendo que há um cãozinho de rua machucado ou doente e pedem a nossa ajuda. Mas precisamos da colaboração das pessoas. A prefeitura pode fazer o recolhimento e prestar o atendimento veterinário, tratar contra pulgas e carrapatos,   mas infelizmente não podemos acolher todos. As mesmas pessoas que ligam pedindo ajuda dificilmente se prontificam em hospedar um cão doente em suas casas por alguns dias (até que ele seja tratado e possa voltar as ruas). Só querem tirar o problema da sua frente", ressalta a gestora do canil.

 

Canil não é depósito de animais

 

Carolina lamenta que o canil de Torres tenha-se tornado, na visão de algumas pessoas, num depósito de animais. Hoje, o local está com sua lotação máxima, e não aceita novos bicihinhos. "Há  226 cães e 6 cavalos sendo cuidados lá, e o excesso de animais faz com que  o local esteja interditado para o recebimento. E a princí­pio é assim que deve continuar, novos espaços para cães só ficarão vagos quando adotarmos os que lá estão. Pois se criarmos mais vagas no canil,   esse pensamento de que há um local para ‘largar’ um cãozinho indesejado vai manter-se". E é isso que tem que mudar. A noção de que o cachorro é um objeto que tu gosta por um tempo e depois abandona é cruel. Por isso é necessário denunciar casos de cães que sofrem maus tratos ou pessoas que abandonem os animais.

Apesar da interdição para novos animais, Carolina afirma que o cuidado aos que lá estão é cada vez mais qualificado. Desde 2013 ocorreram melhorias nas baias, foi realizado contrato com clí­nica veterinária, foram adquiridos uma camionete Montana e um reboque para transporte dos animais, além de aumentado o número de funcionários. E o estabelecimento de algumas baias provisória, locais de passagem para cães se recuperarem de uma castração ou doença, são uma alternativa pensada para otimizar o espaço do canil, segundo Lí­via. "Reforçamos que estamos sempre felizes em receber voluntários que queiram ajudar na manutenção do canil.  Basta vir na Secretaria do Meio Ambiente e fazer uma solicitação que autoriza a pessoa a ser voluntária. E por lá a pessoa pode ajudar na limpeza, na colocação de ração e água, ou mesmo dar carinho ou atenção em um passeio ao redor".

Uma vez por semana, ocorrem feiras de adoção organizadas pelo Canil (em locais como a praça XV de Novembro, no Centro) mas apenas alguns dos animais conseguem um novo lar "As vezes adotamos   um cachorrinho por feira, as vezes conseguimos via internet, e tem mais alguns que são adotados no canil. í‰ uma pena que tenhamos tantos cães sem lar em Torres.Por outro lado, estamos tendo problemas com a criação ilegal (sem autorização) de cães ‘de raça’ para venda", finaliza Carolina.

 

 

 

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados