A QUESTí‚O DOS ARTESíOS EM TORRES (OU O QUE FAZER COM NOSSAS PRAí‡AS?)

5 de dezembro de 2014

 

 Artesãos de Torres estiveram presentes na audiência para defender sua classe

 

 

 

 

Por Guile Rocha

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Ocorreu na   tarde de quarta-feira (03) na Câmara dos Vereadores de Torres, uma audiência pública para debater a desafetação de espaço público  nas Praça Pinheiro Machado (praça do skate, na Praia Grande) e Alberto Teixeira da Rosa (o Largo da Lagoa do Violão). A prefeitura elaborou um projeto (PL 86/2014) que visa autorizar a   construção de um estabelecimento, ao estilo "café", nessas duas praças. O espaço seria construí­do por algum investidor privado, mas deveria contemplar também, em sua estrutura,  banheiros públicos para uso comum.

A audiência foi presidida pela vereadora Lu Fippian. O Secretário do Planejamento e Participação Cidadã, Carlos Cechin, esteve presente na audiência para apresentar os projetos, acompanhado da arquiteta da prefeitura – e responsável pelo projeto das praças – Vanessa Cravo. Segundo informou Cechin. "A população (em audiências realizadas pela prefeitura) solicitou alteração nos banheiros, para que houvessem banheiros fixos ao invés dos quí­micos. Outro item constante pedido por cidadãos foi a melhoria na infraestrutura dos pontos turí­sticos do municí­pio. Ambos os pontos procuramos contemplar nesse Projeto de Lei". A idéia da municipalidade é que alguém se disponha a construir o estabelecimento na praça e, a partir dessa iniciativa,   possa explorar o espaço por uma data pré-definida (cerca de 10 anos). "A empresa constrói, explora e mantém o espaço, bem como os banheiros. Não querí­amos colocar os banheiros soltos nas praças, por isso há o projeto para um café no local também, focando no viés turí­stico que é vocação de Torres", destacou o secretário.

No Largo da Lagoa, o terreno destinado para a construção do "Café" seria de 400m ² ."A área explora a potencialidade visual da lagoa, ficando mais próximo ao lado norte da praça ", destacou a arquiteta Vanessa Cravo. Já na praça Pinheiro Machado, na Praia Grande, o estabelecimento teria uma área de 267 m ² para sua construção. e ficaria   na área central da praça, em frente ao espelho d’água (planejado para ser instalado na revitalização do local)

Já estão disponí­veis (há alguns meses) os recursos, oriundos de emendas parlamentares, para a realização dos projetos de revitalização da praça Pinheiro Machado e efetivação de uma praça no Largo da Lagoa. Um destes recursos foi conquistado pelo vereador Marcos Klassen (junto ao deputado Alceu Moreira – PMDB), e outro pelo vereador Jaí­lton "Nego" Miguel (destinado pelo deputado Assis Melo – PC do B). Ambas as obras deveriam sair ainda em 2014, entretanto ficaram ‘emperradas’ durante o perí­odo eleitoral e foram postergadas para o ano que vêm. "Agora falta apenas a autorização da Caixa para realizar as obras de revitalização. As empresas para a realização já foram inclusive licitadas", explicou Cechin. A ‘vantagem’ do atraso é que ele possibilitou um debate maior sobre o estabelecimento (ou não) dos café nas praças

 

Artesãos clamam por maior valorização

 

Após a apresentação do secretário Carlos Cechin, o foco da audiência foi desviado para a questão dos artesãos de Torres. Eles, que compunham a maior parte do público presente na Câmara dos Vereadores, reivindicavam maior valorização de sua atividade por parte do poder público. A indignação da categoria justifica-se pelo fato de que, ao mesmo tempo em que se debatia a instalação de um café dentro da praça Pinheiro Machado, ignorava-se (institucionalmente) o fato de que os artesãos se estabelecem na mesma praça há 10 anos (durante a temporada de veraneio) sem haver uma área desafetada para eles.

Carlos Alexandre Vieira, Presidente da Associação dos Artesãos de Torres (TorresArt), foi o primeiro a manifestar-sena tribuna. "Apesar de termos uma associação regulamentada há 15 anos em Torres, passamos quase desapercebidos pelas autoridades. Somos uma entidade sem fins lucrativos de caráter sociocultural pelo desenvolvimento e proteção do artesanato local, formada por 40 artesãos, muitos há mais de 30 anos em atividade. A associação e seus membros vem progressivamente se qualificando a partir de oficinas e cursos, mas recebemos poucos recursos públicos para a entidade. Assim, pedimos um olhar mais delicado das autoridades, clamamos por maior atenção ".

Já o artesão Marcone Valim foi mais direto: "Parecemos invisí­veis perante o poder público, é difí­cil até mesmo para nos receberem e escutar nossas propostas. Protocolamos em agosto o projeto (para ocupar a área da praça Pinheiro Machado) e ainda não fomos recebidos. Sabemos que nosso espaço está garantido, mas apenas informalmente. Querí­amos sentar e conversar (com a prefeitura)   para encontrar uma solução definitiva para nossa questão. Os artesãos estabelecidos na praça são a verdadeira casa do turista, recebemos os visitantes que passam pelo local e auxiliamos com informaçíµes sobre a cidade, além de vender o nosso artesanato (que deveria ser tratado como um verdadeiro patrimí´nio local) ".

O artesão Lucas questionou o privilégio da prefeitura em formalizar um empreendimento privado – os cafés nas praças – ao invés de preocupar-se com a situação dos artesãos – responsável pelo sustento, direta ou indiretamente, de mais de 40 famí­lias. "Somos artistas, trabalhamos com a alma de um movimento ancestral, um trabalho feito a mão e uma habilidade muitas vezes passada através das geraçíµes. Vejo inércia na negociação com o poder executivo, e pedimos que haja uma união em todos os âmbitos da sociedade, para que tenhamos um local para trabalhar o ano todo com nosso ofí­cio".

 

Vereadores posicionam-se

 

Após a manifestação dos artesãos, foi aberto espaço para que os vereadores se posicionassem. Os sete parlamentares torrenses que estavam presentes colocaram-se a favor de uma solução rápida para os artesãos, e enquanto os governistas garantiram que a prefeita Ní­lvia não deixaria a classe desamparada, os oposicionistas criticavam a falta de diálogo da municipalidade com os artesãos, pedindo ainda a desafetação definitiva de uma área para que eles possam trabalhar. A vereadora Lú Fippian (PT)   também lembrou da situação dos agroecologistas – que vendem seus produtos no Largo da Lagoa – dizendo que eles também devem ter seu espaço garantido. Já o vereador Jéferson dos Santos (PTB) pediu maior ação da prefeitura em prol de projetos sociais.

Sobre o tema que deveria ser o principal da audiência – a desafetação das praças para construção de café com banheiros públicos – as opiniíµes foram diversas. A vereadora Gisa Weber (PP) posicionou-se parcialmente contrária ao projeto, dizendo que a pessoa que deseja instalar um bar ou café deveria fazê-lo em espaços privados, como é de praxe na cidade. "Mais importante seria garantir um bom playground para as crianças".

Já o vereador Alessandro (PMDB)lembrou da precária situação de muitas praças de nossa cidade – como a do Curtume e a dos Quiosques na Praia Grande – que sofrem com a falta de manutenção por parte da prefeitura. E sobre o projeto dos cafés, Alessandro disse se tratar uma forma do poder público ‘empurrar’ para a iniciativa privada a responsabilidade da manutenção dos banheiros públicos. "Sou contra porque acho que será difí­cil manter o café em funcionamento o ano inteiro, e porque penso que as praças devem ser usadas pelo povo".

 A ideia de investimento público na construção de banheiros fixos foi elogiada pelo vereador Nego (PC do B). Ele pensa que os banheiros quí­micos (o famoso "Pipi Móvel") deveriam ser excluí­dos do municí­pio de Torres. "Somos uma cidade turí­stica importante no cenário nacional, e é traumático – principalmente para as mulheres –   utilizar os sujos banheiros quí­micos.   O estabelecimento de um café na área, junto com o banheiro e o suporte para eles, é importante para todos os cidadãos, vai aumentar o movimento nas praças"

 

Solução para os artesãos

 

Em resposta í  manifestação dos artesãos, o secretário Carlos Cechin disse inicialmente, que o local estava garantido para a feira neste próximo verão. Interlocutor equilibrado e calmo, Cechin pediu desculpas pela demora no atendimento a classe e reiterou a importância do artesanato para a economia e o turismo de Torres. Ao final da audiência, o secretário marcou uma reunião (que ocorreu no final de tarde desta quinta-feira, 04) para acertar os detalhes da instalação dos artesãos e ainda confirmar uma verba para apoiar na montagem estrutural da Feira do Artesanato Torrense. Acabou aplaudido pelos artistas presentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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