PAULO TIMM – Corrida de fundo com obstáculos no ‘novo’ governo Dilma

15 de janeiro de 2015

 

Por Paulo Timm

Economista, fundador do PDT

Signatário da Carta de Lisboa  

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O   Governo Dilma II recém começou e já lembra o sexto ano do General Figueiredo, ou o quinto   do Governo Sarney. Até aqui, desde as diretas para Presidente, todos eles tiveram uma inauguração festiva e animadora. Até mesmo Dilma. Agora, porém, parece que a coisa mudou. Verdade que o primeiro ano da Dilma já foi sintomático de uma virada que viria a se acentuar agora, no primeiro ano do Dilma II. Pouca vibração. Pouco povo na solenidade da posse.   Desalento. Sensação de desgoverno…Todas estas expressíµes que colho dos colunistas de plantão. Dilma resiste.   Uma série de pedreiras, porém, dificultam os movimentos da Presidente e levantam dúvidas sobre sua saúde polí­tica nos próximos meses. Vejamos:

 

1.             Fraco desempenho da economia, com sinais de grave desorganização das contas públicas e um tal déficit em transaçíµes correntes que coloca em risco a alegada folga externa em divisas do paí­s.

 

2.             Perplexidade e até mesmo rejeição   do PT diante da formação do novo Governo conciliação exacerbada,   aproveitando o   que sobrou da alta burguesia nacional ligada í  construção civil e agro-business,   todos   estranhos no ninho;

 

3.Cenário social de reanimação dos movimentos sociais e até mesmo greves, tanto nos segmentos tradicionais, sob a pressão de demissíµes nas montadoras e tensíµes inflacionárias,   como dos novos movimentos urbanos – em defesa do transporte público e moradia própria –   e rurais. Cresce a   frente independente de esquerda, articulada por Guilherme Boulos do MTST.

 

4.             Sinais de defecçíµes no PT, justo no centro nevrálgico do paí­s- São Paulo – no qual este Partido pretendia maior protagonismo, visto estar aí­ localizado o baluarte da Oposição: Marta Suplicy.

 

5.             Onda de acusaçíµes de malfeitos, aprofundada pela Operação Lava a Jato e na expectativa de novas e graves acusaçíµes no BNDES;

 

6.             Incerteza no tocante aos rumos da Base Aliada no Congresso Nacional e particularmente no tocante í  eleição do Presidente da Câmara dos Deputados; a recente prisão do Ex diretor Internacional da Petrobrás só aumenta estas tensíµes.

 

7.             Revigoramento da Oposição com reflexos   na opinião pública e maiores desafios ainda quando da posse de fortes parlamentares como José Serra, Tasso Jereissati e Caiado no Senado Federal.

 

8.             Suposto distanciamento entre a Criatura e o Criador , visí­vel na formação do novo Ministério, com a restauração da República dos Economistas,   com o agravante do desgaste do ex-Presidente diante de rumores do envolvimento de seu nome na Operação Lava Jato.

 

9.             Sérias dificuldades financeiras em grandes construtoras denunciadas na Operação Lava Jato com reflexos na sua capacidade de lideranças em várias obras do PAC , com   consequente comprometimento do   plano de recuperação da economia via investimento público;

 

 10.       Queda nos indicadores de confiança de consumidores e investidores sobre o futuro da economia, associado ao esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas e famí­lias,   bem como da opinião pública frente ao desempenho do Governo.


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