Após fim do bloqueio nas estradas, caminhoneiros continuam luta por melhores condições

7 de março de 2015

 

Reunião com a presidente Dilma ocorre no dia 10. Se não houver acordo, nova paralisação pode ocorrer  

 

Por Guile Rocha

______________

 

Caminhoneiros liberaram a última rodovia que mantinham bloqueada no Brasil nesta terça-feira (3), por volta das 19h. Com a liberação da pista no municí­pio de Soledade, aqui no RS, encerrava-se o bloqueio que deu um nó no sistema logí­stico do paí­s por mais de 10 dias. A parada de várias rodovias foi orquestrada por caminhoneiros, sejam autí´nomos ou vinculados a empresas de transporte, que reivindicavam por diversas melhorias para a categoria: redução do preço no diesel, melhora no preço dos fretes, alteraçíµes na lei dos caminhoneiros, mais segurança nas estradas, isenção de pedágios para eixos suspensos, melhores condiçíµes para o financiamento.

O protesto dos caminhoneiros no Rio Grande do Sul gerou problemas de abastecimento em todo o paí­s. Aqui no RS, pelo menos 307 municí­pios gaúchos foram afetados, segundo levantamento da Famurs. Ao todo, 16 das 27 regiíµes do Estado apresentaram problemas em função dos bloqueios das estradas. O principal transtorno foi a falta de combustí­vel, que afetou o transporte escolar de muitos municí­pios. Cerca de 60 prefeituras tiveram que suspender as aulas.Também houve registros de escassez de alimentos em supermercados, de ração para animais e até de remédios em cidades de todo RS.

Entre outros serviços públicos afetados, segundo levantou a ZH, algumas prefeituras necessitaram paralisar obras de asfaltamento em estradas. Em algumas cidades não foi realizada a coleta do lixo. No campo, problemas no recolhimento e na distribuição do leite obrigam agricultores de todas as regiíµes do Estado a jogar o produto fora. Isso tudo pode até ter causado distúrbios e prejuizos para muitas pessoas e empresas, mas ao mesmo tempo ressalta a importância da classe dos transportadores para a logí­stica do Brasl.

Como reflexo da parada, que alterou a realidade do paí­s (a partir do bloqueio de várias estradas) e foi a principal manchete nacional na última semana, a presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, a nova Lei dos Caminhoneiros, como parte do acordo entre governo e categoria para por fim í  paralisação dos motoristas. Segundo a Agência Nacional dos Transportes Terrestres, a lei entra em vigor dia 17 de abril.A nova lei garante, entre outros pontos, isenção de pagamento de pedágio para eixo suspenso de caminhíµes vazios, perdão das multas por excesso de peso expedidas nos últimos dois anos e ampliação de pontos de parada para descanso e repouso.Na nota, a Secretaria diz ainda que o governo tomará as medidas necessárias junto ao Congresso Nacional para permitir a prorrogação por 12 meses das parcelas de financiamentos de caminhíµes adquiridos por programas federais.

 Uma nova reunião foi marcada entre caminhoneiros e empresários, com mediação do governo, para o dia 10 de março (terça-feira). O encontro servirá para que as duas partes cheguem a um acordo sobre uma tabela que calculará os novos preços dos fretes.

 

Nova paralisação não está descartada

 

E no bloqueio das estradas, o municí­pio de Três Cachoeiras mais uma vez apareceu como protagonista na luta pelo direito dos caminhoneiros. Ainda que não houvesse unanimidade entre a população local no apoio a causa dos motoristas, grande parte da sociedade e do poder público juntou-se ao bloqueio – direta ou indiretamente. E o jornal A FOLHA conversou com uma das lideranças do movimento em Três Cachoeiras, o Presidente da Associação dos Proprietários de Caminhíµes São José (APROCASJ) Valdemar Raupp. Ele estará em Brasí­lia no dia 10, terça-feira, para juntar-se ao quorum de caminhoneiros que fará pressão, na reunião com a presidente Dilma Rousseff, por mais melhorias para a categoria. Além dele, Vinicius Matos Valim ,o Dr. Flávio Lippert e o Sr. Nelson Selau (presidente da Aproctec), representarão Três Cachoeiras na capital federal.

Segundo afirma Valdemar, os protestos acabaram garantindo algumas melhorias para os caminhoneiros, mas nem todas as pautas reivindicadas foram privilegiadas. "Além das alteraçíµes garantidas com a Nova Lei dos Caminhoneiros, vamos batalhar agora para que a lei dos financiamento englobe também os motoristas autí´nomos, que não foram contemplados. Vamos continuar a luta pela baixa do preço do diesel e pela garantia de que haja uma tabela de fretes decente e que seja bem fiscalizada. Além disso,há o antigo pedido por mais segurança aos caminhoneiros e melhores condiçíµes nas estradas. Vamos ver como será a reunião com a presidenta, mas se não chegarmos a um acordo uma nova paralisação pode ocorrer já no dia 15 de março", ressaltou Valdemar Raupp.

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados