TURISMO? EM TORRES?

11 de abril de 2015

 

 

Por Fausto Junior

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Estamos saindo de mais uma temporada de veraneio. Mais uma vez também, a comunidade econí´mica da cidade vive com a falta de um mí­nimo calendário de eventos, que deveriam estar montados para atender nossa demanda na baixa estação. Não existem grandes iniciativas da prefeitura municipal, muito menos se esboça uma iniciativa dos hoteleiros e comerciantes de Torres. Parece que nos contentamos com o Balonismo, o Réveillon e ponto: o resto são demandas de fora, das quais colocamos a cidade í  disposição, mas que não há mobilização para com eles, muito menos planejamento integrado, para que as pessoas se preparem para receber turistas.

Nesta semana, o vereador Gimi desabafou “ com razão “ que a cidade se mantém amadora no Turismo. Nesta semana passada, também, o COREDE esteve aqui com uma consultoria, para captar demandas da cidade no sentido de fazer um diagnóstico de toda a região. A continuidade do projeto prevê um plano de ação técnico e polí­tico para nossa região, envolvendo todas as 23 cidades. Mas quase nenhuma representação da sociedade ativa local de fez presente, o que mostra desmotivação generalizada.

Vivemos do turismo. E é irresponsável que a comunidade não trate o tema como deveria. Afinal, todos os moradores daqui dependem direta ou indiretamente do movimento desta indústria, que é a única atividade econí´mica já pujante no Litoral Norte.  Relegar isto ao segundo plano é o mesmo que esquecer o trabalho e a renda como forma de sustentáculo de qualquer famí­lia.

Na polí­tica, se fala de Saúde, Educação, Bem Estar Social, infraestrutura urbana, dentre outras demandas. Mas em Turismo, pouco se debate. Vereadores que colocam esta matéria em segundo plano estão sendo egoí­stas: querem continuar ativos numa cidade, mas não se importam com a forma desta mesma cidade se manter viva. Prefeito que releva esta atividade ou que a coloca como assessoria faz o mesmo. Usufrui de impostos gerados por turistas e veranistas, para trocar por votos a aplicação dos recursos, sem se preocupar com a competitividade da atividade e os necessários by browseonline">investimentos que a deixam pelo menos em estado concorrencial.

Cidadãos torrenses que querem que o show do balonismo seja bom para eles, ao invés de se preocupar com o que vão achar os visitantes da cidade de Torres  – que buscam nosso destino para fazer turismo – estão, também, transformando as poucas verbas de Turismo existentes em verbas de bem estar social. Não dá para escolher os shows baseados no gosto dos moradores locais. Trata-se de um erro básico de marketing.

Parece que a sociedade torrense insiste em fazer um turismo mais popular. Shows gratuitos, programas noturnos e comércios sendo divulgados por carros de som barulhentos, concentração exagerada de pessoas em quiosques e em pequenos espaços de beira de praia (excesso dos quais até os quisqueiros já reclamam), letreiros agressivos e de gostos duvidosos sendo estampados em nossas ruas e avenidas, dentre outras várias mazelas locais, são alguns exemplo desta popularização da venda do Destino Torres no trade do Turismo gaúcho e nacional. Talvez o motivo disto seja uma eventual mistura de vontades pessoais de moradores locais que estejam se confundindo com as vontades dos turistas, principalmente daqueles mais acostumados a viajar, os verdadeiros consumidores. Talvez seja, ao contrário, a falta de um norte turí­stico bem claro para que os gestores públicos se baseiem para executar seus trabalhos. Mas o que é fato é a popularização do turismo de Torres e a notória falta de equipamentos que atendam turistas mais exigentes, por pura falta de mercado para estes estabelecimentos comerciais.

Até meados dos anos 1980, mais ou menos até 1984, a cidade mantinha alguns cuidados perante sua postura como lugar turí­stico. De lá para cá, a falta de critérios acabou deixando com que vontades individuais fossem realizadas, sem padríµes pré-estabelecidos.  Claro que há a vontade de fazer a cidade crescer para os moradores – o que logicamente é importante também.  As mesmas vontades do fazer turí­stico, tomadas sem grandes critérios técnicos ou mercadológicos, acabaram fazendo parte também das chamadas polí­ticas públicas de Turismo da cidade.   Gostos diversos, com a predominância para gostos pessoais e de interesses locais, tornaram-se atitudes públicas.  

Somos uma cidade que vive do Turismo. Temos a obrigação de sermos os melhores nesta área, sob pena de sucumbir esperando soluçíµes que venham de fora, que sabemos que pouco existem (ou pouco existiram)…


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