Torres no Limite

26 de outubro de 2015


Por Leonardo Gedeon


Dificilmente,quando se menciona o nome da cidade de Torres ,não venha na memória a região limí­trofe dos Estados do RS e SC, que por sua vez, separam-se por uma generosa corrente d’água o Rio
Mampituba, essencial para a cidade de Torres (RS) e a comunidade pesqueira do municí­pio catarinense do Passo de Torres (SC). í‰ costumeiro escutar estórias sobre uma farta pescaria, um passeio de barco, boas ondas para a prática do surf, ou simplesmente, uma bela paisagem ao pí´r do sol í s margens do Mampituba? Antigamente era comum banhar-se em suas águas e desfrutar bons momentos de relacionamento com a mais pura natureza, tendo certeza que o ambiente estava preservado e suas águas apresentavam condiçíµes apropriadas para o banho. A especulação imobiliária, a expansão urbana desordenada, a produção arrozeira e seus produtos quí­micos, o crescimento demográfico sem infraestrutura adequada, são fatores de degradação ambiental, transformando o rio Mampituba (principalmente nos meses de verão) num imenso depósito orgânico da cidade de Torres e seus arredores.

Além das abruptas formaçíµes rochosas í  beira-mar que caracterizam o sí­tio das Torres, o Mampituba também era uma referência topográfica (e um desafio) para aqueles que passavam pela região; como por exemplo, os tropeiros por via terrestre ou navegadores como o padre Diogo Soares, cartógrafo que compí´s o primeiro mapa que aparece o topí´nimo Torres, Rio Ibopetuba (mampituba) e ponta da Itapeba (itapeva), em 1738. Segundo a historiografia local, Mampituba deriva da lí­ngua guarani que significaria grande quantidade de boipebas, que seria a
cobra- chata ou falsa- jararaca, abundante na região, conhecida como Mboipetiba ou Iboipetuba.

Na passagem de Sebastião Caboto (1527 e 1530), que estava reconhecendo a costa litorânea meridional do Brasil í  serviço da corte espanhola ,batizou a área de
Rio cerrado (fechado) e Rio baxo, devido a rasa foz do rio, que de acordo com os ventos deslocava seu percurso. De acordo com as frotas que passavam pela costa atlântica fazendo seu reconhecimento, ia- se alterando o nome. Como, por exemplo, Rio Martim Afonso de Souza, associado í  frota desse capitão, que teria passado entre os anos de 1531-32  homenageando o ilustre lusitano, dando “lhe o nome ao que seria o rio Mampituba. Ficou conhecido com seu nome português até aproximadamente 1600 e constava em cerca de 25 obras cartográficas.

Mampituba,
 entre a comunidade local, é conhecido como rio cheio de curvas. E, realmente é um nome justo para a sinuosa linha que o rio faz indo para o oeste. No final do perí­odo imperial (1884) e nas primeiras décadas do governo republicano, discutia-se acirradamente qual seria a divisa exata entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Era certo afirmar que era o rio Mampituba, porém navegando em direção o interior (oeste), encontra-se uma bifurcação que é a continuação do Mampituba, o rio Sertão; e perpendicularmente existe o rio Verde. A princí­pio a divisa era a continuação do rio Sertão, mas a disputa territorial, a partir de 1884 com a área que pertencia a Araranguá (SC), terminou com a divisa sendo remarcada na continuação do rio Verde. Numa estatí­stica realizada pelo republicano Cel. João Pacheco de Freitas, intendente municipal, em 1903, constava sérias observaçíµes a respeito do desvio territorial que sofreu a região. Esta remarcação territorial devia-se a um perí­odo que Santa Catarina passava por uma briga ferrenha em suas terras contestadas, no oeste de seu território e estava legitimando suas fronteiras.

Nos primeiros ví´os da Viação Aérea do Rio Grande do Sul, a VARIG, que possuí­a hidroaviíµes de dois motores, em 1929 colidiu num fio de telégrafo que passava sobre o Mampituba e caiu no meio do próprio rio. O rio mampituba que nós vemos hoje , nem sempre foi assim, com os molhes (a barra) que só foi construí­do no perí­odo militar (1973), com a inauguração celebrada com a visita de
figuras no calibre do presidente Costa e Silva.

Se o Rio Mampituba falasse, contaria mais um monte de histórias!
E nós sabendo de sua História, o respeitarí­amos muito mais… Os homens passam e os elementos que compíµem a diversidade natural, perpetuam. Senão começarmos a preservar a região que vivemos, como o oceano, as lagoas e rios, dunas e todo meio ambiente onde estamos inseridos, continuaremos a arriscar a vida das geraçíµes futuras e viveremos sobre o ponto de interrogação, que caracteriza a dúvida.

Cuidemos do nosso maior patrimí´nio… ou Torres estará no limite!!

 


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