Curso realizado há 35 anos marca início da produção ecológica na região de Torres

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, as práticas orgânicas protegem o solo e as nascentes, reduzem a pressão por desmatamento de novas áreas e criam corredores ecológicos que permitem à fauna se deslocar entre os fragmentos de mata.

28 de maio de 2026

Em 1991, nos dias 4 e 5 de abril, um grupo de aproximadamente 50 agricultoras e agricultores participou do primeiro curso de agricultura ecológica no Litoral Norte do RS. Organizado pelos padres Josemar Conte e Remi Gottardo Casagrande, que atuavam na Pastoral Rural da Igreja Católica, e ministrado pelos agrônomos Laércio Meirelles, do Centro Ecológico de Ipê, e Jorge Vivan, da Emater de Caxias do Sul, o curso foi um capítulo decisivo na história da produção orgânica da região e sua relação com o bioma Mata Atlântica.

Desde a década de 1970, a bananicultura convencional ocupava cada vez mais espaço da floresta ao responder pelo sustento de milhares de famílias da região. Neste modelo produtivo, o uso de adubos químicos e agrotóxicos crescia, junto com a insegurança de jovens e mulheres a respeito dos impactos desses produtos na saúde, no ambiente e nos custos de produção. Outro motivo de preocupação era a comercialização feita por intermediários, que fragilizava a economia das famílias.

Anúncio 1

Por isso, a iniciativa da Pastoral Rural de organizar uma capacitação em produção ecológica foi um incentivo fundamental para que jovens como Paulo Fernandes, um dos participantes da turma de 1991, reconhecessem seu potencial para produzir, comercializar e viver de acordo com o que julgavam certo, o que incluía a não contaminação do meio ambiente. “Esses padres acreditavam mais em nós que nós mesmos, nos fortaleciam, nos incentivavam, encorajavam, diziam que nós tínhamos capacidade”, recorda o agricultor da Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres (Acert).

Também dessa primeira geração de ecologistas, o ex-prefeito de Mampituba, Dirceu Selau, lembra exatamente quando decidiu nunca mais usar veneno. Ele integrava a Pastoral da Juventude Rural (PJR) e participou de um curso em Nova Prata, onde assistiu à palestra de uma enfermeira que pesquisou sobre o impacto dos agrotóxicos em crianças, filhos de fumicultores em Santa Cruz do Sul. Ao ver os slides com imagens, ele sentiu que não poderia mais usar agrotóxicos. “Como cristão que defende a vida, não podia, com meu trabalho, ser o causador de uma criança nascer com um problema que comprometesse a vida toda. Os venenos que eu tinha em casa entreguei tudo na agropecuária; aí entrei radicalmente na agroecologia”.

Anúncio Slider Meio

 

Banana da Mata Atlântica

De acordo com Paulo Fernandes, no início o foco do trabalho era também a produção de hortaliças, para que as famílias pudessem dominar todo o processo, da roça até a comercialização nas feiras, e assim fugir dos intermediários. Mas o trabalho com horta e feira é uma vocação que nem todo mundo tem. Ele explica que, por conta disso, o cultivo ecológico da banana foi assumindo o protagonismo que se vê hoje, com mais de 600 produtores e produtoras certificados como orgânicos na região.

Atualmente com 135 produtores certificados, Mampituba lidera o crescimento regional: entre abril de 2025 e abril de 2026, mais 16 agricultores aderiram à ecologia. Outro município onde a proposta ganhou força foi Dom Pedro de Alcântara, que no mesmo período passou de 30 para 42 produtores. Já Morrinhos do Sul se mantém no topo da lista, com 220 famílias.

Floresta e água

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, as práticas orgânicas protegem o solo e as nascentes, reduzem a pressão por desmatamento de novas áreas e criam corredores ecológicos que permitem à fauna se deslocar entre os fragmentos de mata.

O biólogo e presidente da ONG Onda Verde, Christian Linck da Luz, reforça que existe uma relação direta entre o trabalho dessas famílias agricultoras ecologistas e a conservação da Mata Atlântica. Para ele, seria importante investigar de forma científica essas relações, usando imagens de satélite e coordenadas geográficas das propriedades ecológicas para comprovar o aumento da cobertura florestal ao redor dessas terras ao longo dos anos. “Com isso, a gente já pode aferir para os comitês de bacia do Mampituba o aumento da qualidade do lençol freático, das drenagens de pequeno porte e das áreas de preservação permanente de nascentes”.

 

*Este texto contou com o suporte de inteligência artificial na revisão estrutural e na transição de discursos diretos para indiretos, preservando integralmente a apuração, os dados e as falas originais recolhidas pela autora.

 

Quer acompanhar as notícias do jornal A FOLHA Torres no seu celular?

CLIQUE AQUI e acesse nosso grupo no Whatsapp

 

Anúncio Slider Final
Anúncio Slider Final

Publicado em: Sem categoria






Veja Também





Links Patrocinados