Na manhã desta quarta-feira (21/10), o prefeito de Torres, Delci Dimer, a secretária Municipal de Saúde Claudia Morel e o procurador João Pedro Coelho acompanharam a secretária estadual de Saúde do RS, Arita Bergmann, no ato que formalizou a nova gestão do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN).
Por decisão judicial, o Governo do Estado do RS assumiu a administração da unidade e definiu o Instituto Maria Schmitt (Imas) para gerir o hospital de forma emergencial, visando garantir que nenhum atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) seja interrompido.
A nova administração substituirá o IBSaúde (Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano), responsável pela gestão do HNHN desde o começo de 2024.
“Com a mudança, o Instituto Maria Schmitt (Imas), organização com ampla experiência na região, assume a administração emergencial do hospital. Toda a transição será supervisionada de perto pelas equipes técnicas para manter a rotina de exames, consultas e urgências de forma tranquila e organizada”, salienta a comunicação da Prefeitura de Torres, indicando apoio neste novo momento da gestão do HNSN. “A união entre Município e Estado garante uma transição segura e sem prejuízos para Torres e região. A saúde do nosso povo em primeiro lugar”.
Estado do RS escolheu Imas para assumir a gestão do HNHN
A comunicação da Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES) indica que, a partir do momento em que tomou conhecimento da decisão judicial (passando a tutela do Hospital de Torres ao Governo do RS), a SES iniciou uma série de ações para organizar a transição administrativa e assistencial, mantendo diálogo permanente com os municípios, os serviços de saúde da região e as instituições envolvidas. “Desde o início, trabalhamos com um compromisso inegociável: garantir que a população de Torres e de toda a região continue tendo acesso aos serviços de saúde de que necessita. A atuação do Estado tem como foco preservar a assistência, manter os atendimentos e conduzir uma transição organizada, responsável e segura”, afirma a secretária da Saúde, Arita Bergmann.
Como o Estado não dispõe de estrutura própria para operar diretamente o hospital, a SES realizou um levantamento de instituições com experiência comprovada em gestão hospitalar e capacidade operacional para assumir os serviços de forma imediata. A análise priorizou organizações já presentes na região e com conhecimento da realidade assistencial do Litoral Norte. A solução do Estado do RS foi que o Instituto Maria Schmitt (Imas) passe a administrar o hospital de forma emergencial. A instituição já atua em serviços de saúde da região e foi selecionada após consultas realizadas pela SES com potenciais gestores hospitalares aptos a assumir a operação da unidade.
“O planejamento do processo de transição elaborado pela SES irá ocorrer de forma coordenada e com a supervisão técnica permanente por representantes do Estado”, explica a secretária-adjunta da Saúde, Lisiane Fagundes. “O trabalho envolverá o acompanhamento de todas as áreas do hospital, incluindo assistência, recursos humanos, contratos, insumos e demais serviços necessários ao funcionamento da instituição. Nossa prioridade é que a nova gestão assuma suas atividades sem prejuízo à assistência prestada à população.”

Plano de contingência já está ativado
Paralelamente à preparação da transição, a Secretaria Estadual de Saúde do RS indica que mantém ativo um plano de contingência construído em conjunto com a rede hospitalar do Litoral Norte. O mecanismo foi implantado para garantir respostas rápidas em situações que possam representar risco de desassistência, como uma eventual falta de profissionais e insumos, bem como a interrupção de serviços estratégicos.
O plano estabelece uma rede regional de retaguarda formada pelos hospitais do Litoral Norte, que passam a absorver temporariamente demandas do Hospital de Torres (Nossa Senhora dos Navegantes) sempre que necessário. “A estratégia já foi utilizada em situações recentes envolvendo a ausência de profissionais em especialidades como anestesiologia, pediatria e obstetrícia, garantindo a continuidade dos atendimentos e o encaminhamento adequado dos pacientes”, ressalta a comunicação da SES.
Além dos hospitais da região, a Central Estadual de Regulação também participa do plano, ajustando fluxos assistenciais e referências quando necessário. O instrumento permanecerá em vigor durante todo o período considerado necessário pela SES para garantir a estabilidade da assistência e a segurança para os usuários do SUS que utilizem o Hospital de Torres.
“O governo do Estado reafirma seu compromisso com a população do Litoral Norte e seguirá mobilizando todos os esforços necessários para garantir atendimento contínuo, qualificado e seguro durante o processo de transição da gestão hospitalar”.
>> O Imas assume com vasta experiência hospitalar na nossa região.
>> Atendimentos, exames e urgências seguem normalmente.
>> A transição é supervisionada pelo Estado para manter insumos e equipes em dia.
>> A rede de saúde do Litoral Norte está mobilizada em plano de contingência para apoio total.
Simers alerta para problemas anteriores
Em meio a decisão judicial que gerou em mudança na gestão do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), em Torres, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) publicou matéria em seu site oficial nesta quarta-feira (21). A entidade salienta que vem alertando sobre problemas que repercutem diretamente na assistência prestada à população dos municípios que têm o hospital como referência.
“Atrasos nos honorários médicos, dificuldades na composição das escalas e insuficiência de profissionais estão entre as situações levadas pelo Simers à Prefeitura, ao Ministério Público e ao IBSaúde, responsável pela gestão do hospital desde março de 2024 (mas que nesta quarta-feira, 21, deixou de ser administradora do HNSN).
A comunicação do SIMERS afirma que, enquanto se discutia a forma de implementação da intervenção, o quadro assistencial se agravou em Torres, o que gerava risco concreto de descontinuidade de serviços, situação ainda mais preocupante diante da proximidade do período de veraneio.
“Médicos da Cirurgia Geral relataram pendências de honorários desde junho e risco de desmobilização do serviço. Também chegaram ao Simers informações sobre atrasos envolvendo a Ginecologia e Obstetrícia, além de problemas já registrados na Emergência e em outras equipes médicas”, afirma a comunicação do Sindicato.
Diante desse cenário, o Simers salienta que cobrou formalmente do IBSaúde um cronograma para regularização dos honorários e se manifestou na Ação Civil Pública, requerendo medidas para assegurar o pagamento dos médicos, a preservação das equipes e a continuidade da assistência durante a transição.
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