Ah, eu sou gaúcho, tchê!

15 de setembro de 2014

 Diante de mais uma Semana Farroupilha, Torrenses declaram seu amor pelo Rio Grande e falam sobre sua manter a chama da tradição, mesmo morando distantes de suas estâncias

 

Por Maiara Raupp

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Marcada como uma das mais extensas rebeliíµes já deflagradas no Brasil, a Revolução Farroupilha durou quase 10 anos e marcou a luta do povo riograndense contra o autoritarismo imperial da época. A Epopeia Farroupilha se constitui num marco fundamental da história do nosso Rio Grande, com seu significado libertário exemplificando a permanente batalha do bravo gaúcho contra as injustiças das tiranias.

A história não nega o porquê os gaúchos sentem tanta admiração pela sua cultura e seu povo. Confira abaixo depoimentos de Torrenses que seguem a tradição e levam seu orgulho gaúcho pra todo o lugar!

 

 Diego Barros, contador, e Juliana Soares, auxiliar administrativo “ Para nós, ser gaúcho é mais do que simplesmente nascer no Rio Grande. Ser gaúcho é lembrar do movimento farrapo que uniu homens e mulheres, ricos ou pobres; é arrepiar o pelo do braço quando se escuta o hino riograndense; é tomar aquele mate em uma roda de amigos; é ter saudade dessa terra quando viajamos; é usar a bandeira de três cores pra aquecer a alma e o coração; é bater no peito e ter orgulho de dizer: Eu sou Gaúcho! A nossa relação com a cultura gaúcha é muito forte. Participamos de grupos de danças tradicionais, a qual fomos instrutores, além da música regional estar muito presente, já que o Diego é acordeonista. O chimarrão é quase que sagrado. Tomamos todos os dias. í‰ aquele momento em que sentamos juntos e conversamos sobre o dia. Enquanto isso, lá se foram duas garrafas de água quente. Comecei a me interessar mais pelos costumes gaúchos depois que conheci o Diego. Procuramos sempre cultuar isso, até mesmo dentro de casa. Principalmente com nosso filho Lorenzo, de 4 anos, que já toma chimarrão e até dança o Pézinho. Eu amo esse estado. Acredito que o original de tudo é a personalidade forte do gaúcho, que aguenta o pior frio do inverno, aquele de ranguear cusco. Mas, por baixo do poncho bate um coração capaz de se esvair em lágrimas até em uma simples declamação ou ouvindo aquela canção. Sempre tem quem fale mal dos gaúchos. Mas esses são sempre os que não tem a menor ideia do que estão falando; ou os que tem ciúme da cultura gaúcha. Aí­ paro e penso: qual outro estado brasileiro que está tão bem representado em todos os quatro cantos do mundo através da sua música, cultura, costumes, sua tradição, sua comida, seu traje tão marcante quanto o gaúcho?  

 

Juliana Cainelli de Almeida, estudante de direito “ Posso dizer que além de ser gaúcha, sou gaudéria. Ser gaúcha é ter orgulho da história e da tradição do nosso estado, e é de nossa responsabilidade manter viva essa tradição. Ser gaudéria é participar dos eventos tradicionalistas, andar pilchada e ouvir música gaúcha todos os dias. Para todos os lugares que já tive a oportunidade de viajar sempre falei da nossa cultura, principalmente do quanto é diferente de todo o resto do Brasil. O mate é sagrado, portanto, faz parte da minha rotina, principalmente nas tardes longas de estudo. Como não ando pilchada todos os dias, ao menos um pingente de cavalo ou uma alpargata nos pés são essenciais para ir até a faculdade, já que provavelmente depois da aula irei com os amigos para algum bar de música tradicionalista em Porto Alegre. Aprecio muito os shows feitos por cantores conhecidos na cultura gaúcha. Semana passada mesmo foi a vez de prestigiar Lisando Amaral e o Quarteto Coração de Potro, e até mesmo Shana Muller. Creio que a cultura gaúcha permanece viva em cada rodeio e tiro de laço que ocorrem nos finais de semana, nos bares do centro ou nos bailes de CTG. Acho que os outros estados têm muito respeito com o Rio Grande do Sul, inclusive admiram quando afirmamos que sabemos nosso hino inteiro.

 

 

Matheus Reis, estudante de jornalismo “ Tenho certeza absoluta que aqueles que nascem no estado do Rio Grande do Sul têm um amor diferente pela sua terra e seus conterrâneos. Coisa que não vimos tão arduamente naqueles que nasceram em outros estados. Como fui criado em meio aos CTGs, já que uma prima e meu irmão dançavam em invernadas, desde cedo comecei a me envolver com a cultura, entrando posteriormente também nas invernadas de dança. Mesmo morando em Santa Catarina, tento manter vivo este sentimento até hoje. í‰ difí­cil, mas pelo menos o chimarrão é essencial. Vejo que há certo ˜preconceito™ contra os gaúchos. Há muitas piadas. E isso ocorre mesmo tendo muitos gaúchos morando por aqui. No meu trabalho, por exemplo, há pelo menos uns cinco.  

 

 

 Bruna Simão, auxiliar de escritório “ Ser gaúcho pra mim significa uma segunda identidade. í‰ sentir arrepio ao escutar o hino do Rio Grande. í‰ usar chapéu bota ou bombacha todos os dias como se fossem uma roupa qualquer. O sentimento que tenho em nascer aqui é de amor, orgulho e gratidão. Amor porque amo meu chão. Orgulho pelo sentimento de união com os outros do gaúcho . E sou grata por tudo que minha cultura me proporciona até hoje. Para manter viva a cultura em mim, eu pratico laço comprido e participo de competiçíµes do laço de prendas, além de jogar truco com os amigos. Laço há cerca de 10 meses. Tenho muita força de vontade e determinação. Acredito que seja por isso que já conquistei um prêmio em maio deste ano. Minha relação com a cultura gaúcha é muito forte. Todo o fim de semana estou com minha famí­lia em rodeios, jogos de truco e festas campeiras, e nos dias de semana na lida com meu cavalo. Eu vejo a cultura gaúcha mais concentrada na região da campanha do nosso estado, com mais tradicionalismo e paixão. Aqui pelo litoral não se vê muito fanatismo como se vê por lá. A cultura gaúcha continua muito viva em nosso Rio Grande, e a tendência é aumentar ainda mais essa paixão, pois as nossas crianças já estão entrando nesse mundo campeiro. Muitos nos vêem com preconceitos. Acham que somos um povo ignorante, colono, etc. Outros nos enxergam com admiração por conhecerem nossa história farrapa, por sermos tão unidos e tão apaixonados por nossa terra.

 

 

 

Daniel Oliveira, autí´nomo “ Ser gaúcho é ter um sentimento de amor pela nossa cultura e pela nossa tradição. Tenho muito orgulho dessa terra. Desde muito jovem fui trabalhar com cavalos, o que acabou se tornando profissão por muito tempo. No entanto, por motivos financeiros, acabei trocando de ramo. Hoje crio a raça canina Border Collie de Pastoreio, e sempre me mantendo ligado com a arte campeira. Procuro ao máximo passar aos meus filhos o gosto pela nossa cultura, tanto pela música como também pela nossa história. Acho que hoje em dia tem pouco incentivo ao jovem nesse sentido. Aqui em nossa cidade não há muitos bailes tradicionalistas e pouquí­ssimos rodeios. Coisas que poderiam aproximar o jovem da nossa cultura. Acredito que a cultura só se mantém viva graças í  hereditariedade de nossos campeiros.

 


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