BALANí‡O DA PREFEITURA MOSTRA EQUILíBRIO FISCAL, MAS ALERTA SOBRE GASTOS COM PESSOAL

2 de março de 2015

 

 

Consultor e economista pede a palavra e chama a atenção para as despesas com pessoal neste ano  

 

 

Por Fausto Junior

______________  

 

 Na última terça-feira (24/9), na Câmara Municipal de Vereadores de Torres, a prefeitura cumpriu a lei e apresentou a prestação de contas das metas fiscais referentes ao terceiro quadrimestre de 2014. Na prática, a apresentação mostrou o resultado das contas públicas da municipalidade do ano passado, pois o terceiro quadrimestre nada mais é do que o último dos perí­odos de quatro meses, onde corriqueiramente é apresentado um balanço anual do orçamento. í‰ exigido por lei que os resultados sejam apresentados aos vereadores da cidade e ao público em geral.

Como sempre, a Comissão de Orçamento da casa legislativa é quem convoca a Audiência Pública quadrimestral, chamando a população e presidindo o ato público. O vereador Carlos Monteiro “ o Tubarão (PMDB)  presidente da comissão temática –  coordenou o trabalho. Também presentes na reunião, estavam os vereadores Gibraltar Pedro Cipriano Vidal, o Gimi (PMDB),  Antí´nio Machado (PT), Davino Lopes (PT) e Gisa Webber (PP).

 A secretária de Fazenda, Fátima Cechin, e os contadores do municí­pio, Jaime Santos e Sandro Fraga, apresentaram na audiência aos vereadores as despesas e receitas de Torres de 2014, confrontadas com as metas gerais projetadas no orçamento pretérito (este aprovado no final do ano anterior, 2013). Todas as metas macro foram cumpridas. Segundo a prefeitura, não houve diferenças significativas se relacionados os itens gerais projetados com os efetivamente alcançados. Como para os orçamentos projetados por secretarias, abertos por áreas, a prefeitura conseguiu aprovar 35% de margem de manobra, não houve sequer apresentação das metas por pasta.

 

Receitas locais representaram 33% do dinheiro que entrou nos cofres da cidade

 

De uma receita bruta projetada de R$ 118 milhíµes, a prefeitura realizou 93% da meta, com pouco mais de R$ 110 milhíµes captados em 2014. Esta receita bruta estampou R$ 97,3 milhíµes de receita liquida (abatendo o RPPS – depósitos feitos direto no fundo de aposentadoria dos servidores). Destes, R$ 32,3 milhíµes foram receitas tributárias, ou seja: as que são produzidas em atividades de cobrança direta do municí­pio (IPTU, ITR, ISS, dentre outras). Desta receita local, R$ 14 milhíµes foram arrecadados pelo IPTU. Isto significa que as receitas locais (Tributárias) representaram 33% das receitas lí­quidas totais.   O IPTU, por sua vez, representou em 2014, 14,4% das receitas lí­quidas (utilizáveis “ pois o RPPS é bloqueado).

Já as transferências correntes (repasses do governo federal e do governo estadual) somaram no ano passado R$ 45,6 milhíµes. Isto representa 47% do dinheiro que entrou efetivamente para ser gasto nos cofres da prefeitura de Torres. Arredondando, o dado sugere que metade do dinheiro que entra para a sociedade de Torres vem, ainda, de repasses federais e estaduais. Destas transferências, se destacam por vulto financeiro o FPM (Fundo de Participação dos Municí­pios), que foi de R$13,6 milhíµes, representando 14% da receita lí­quida dos cofres públicos torrenses. Pouco abaixo em importância vem a transferência do FUNDEB (Educação Básica), que chegou a R$ 10,5 milhíµes, perfazendo 10,7% dos recursos repassados pelo governo federal para Torres. Logo em seguida vem o repasse de ICMS projetado como produto de Torres pelo Estado do RS, que foi de R$ 8,3 milhíµes em 2014 – o que representa 8% da receita orçamentária lí­quida total. O repasse de parte do IPVA pelo Estado do RS gerou R$ 3,2 milhíµes para Torres, que representou 3,3% da receita lí­quida do orçamento público de 2014 da cidade.

 

Despesas ficaram na lei, mas a conta com Pessoal ficou em limite perigoso

 

Todas as despesas públicas obedeceram aos limites máximos ou mí­nimos exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal do Brasil, que vale para todos os municí­pios. A lei exige que seja de 25% da receita lí­quida total o mí­nimo investido em Educação; Torres teve em 2014, o percentual de 29,5%. Em Saúde Pública, a lei exige que seja investido pelo menos 15% da receita lí­quida total. E o balancete de Torres do ano passado estampou 18,9%.

Na conta de Pessoal e benefí­cios (sempre a mais alta nos orçamentos e balanços), a lei exige que sejam gastos no máximo 60%. O balanço de 2014 do municí­pio de Torres divulgou 52,5 %.

 

Economista pede prudência com a conta de pessoal

 

Em geral, os vereadores demonstraram satisfação com a apresentação e questionaram alguns dados. O vereador Antí´nio Machado, por exemplo, citou a arrecadação com multas de trânsito e IPVA. Muitos motoristas têm seus carros emplacados fora daqui, e isso prejudica a cidade. Em Santa Catarina, o imposto é mais baixo, isso atrai motoristas a emplacarem os carros lá. Porém, eles andam aqui, e os investimentos nas ruas são feitos também para eles, disse.

A secretária replicou, informando que a Prefeitura já pensa em uma campanha para atrair motoristas a fazerem o emplacamento aqui. Estamos para lançar uma campanha de incentivo de transferência de veí­culo, só precisamos pensar no que eles vão ser beneficiados.

Já o vereador Carlos Tubarão, questionou as despesas com iluminação pública. A secretária explicou que as luminárias da beira-mar e da Lagoa do Violão foram trocadas, e que são de responsabilidade do municí­pio sua manutenção.

Um economista inscrito na tribuna popular na Audiência Pública explanou projeçíµes macroeconí´micas de dados gerais do Brasil e sugeriu prudência. O consultor torrense (economista) José Ricardo Nunes alertou sobre os riscos da conta de pessoal da cidade de Torres, que possui “ além dos servidores concursados – em torno de 180 CCs e 200 contratos especiais (saúde). í‰ que a cidade ainda é muito dependente dos repasses estaduais e federais. E, pelas projeçíµes, os repasses devem continuar diminuindo em 2015. Como a despesa com pessoal é fixa, facilmente a prefeitura pode ultrapassar os 60% do limite da conta de pessoal sobre a receita, o que geraria responsabilização dos gestores da cidade.


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados