Conferência de Cultura de Torres alimentarásistema Estadual e Nacional de Cultura

5 de agosto de 2013
Artista torrense interpretou composição própria na abertura da Conferência  

 

Na semana passada, nos dias 30 e 31 de julho foi realizada a 1 ª Conferência Municipal de Cultura de Torres. O evento aconteceu nas dependências da Ulbra. A cerimí´nia de abertura, na quarta-feira teve a presença da prefeita Nilvia Pereira, dos secretários municipais, Mariza Carlos, da Educação, e Carlos Souza, do Turismo. Representando a Câmara de Vereadores, a vereadora professora Lú. Palestraram e participaram da abertura José Carlos Martins, presidente do Conselho de Dirigentes de Cultura, da FAMURS, e Carla Pinheiro, da UNESCO. A temática da noite foi Uma polí­tica de Estado para a Cultura: desafios do Sistema Municipal de Cultura".

 

Torres aderiu ao sistema nacional

 

A Conferência Municipal de Cultura é uma forma das cidades se enquadrarem ao Sistema Nacional de Cultura. Similarmente a outras áreas, como Mobilidade Urbana, Meio Ambiente, Cidadania, etc., as Conferências são uma forma de os municí­pios se encaixarem em uma organização maior, organização esta liderada pelo Governo Federal e que convida Estados e cidades para que entrem na parceria. Convênios, verbas públicas, dentre outras contrapartidas são os argumentos para que os municí­pios adiram o sistema nacional e gestor maior. A lógica do Governo Federal é que as mesmas portas (chamadas de eixos) sejam ocupadas de uma forma verticalizada.   Para tanto, organizou as Conferências Municipais, as Conferências Estaduais e as Conferências Nacionais. Nesta última, o governo emite, ano após anos, as chamadas Polí­ticas Públicas Nacionais.

A cidade de Torres já realizou encontro similar em 2005. Foi o Fórum de Cultura de Torres, na primeira gestão do Governo João Alberto. Mas o formato í  época era para tão somente fomentar a Cultura na cidade. Não havia um sistema nacional com Conferencias, como há hoje em dia. Por isto que o governo atual batiza a Conferência de 1 ª. Antes houve encontros, mas não para a formatação atual que o pano de fundo de uma polí­tica nacional.

E Torres aderiu em 2013 ao convite federal e Estadual, já que são do PT os governos municipal, do Estado do RS e do Brasil. Uma formatação além de administrativamente, politicamente bem arredondada, portanto.

 

Constituição de uma Secretaria Municipal de Cultura

 

No plenário do encontro nos dois dias participaram representantes das diversas áreas de atuação artí­stica de Torres. Foram músicos, atores, artistas plásticos, artesãos, representantes de diversas entidades de diferentes segmentos da área, ativistas e comunidade em geral.

Na tarde da quinta-feira (31) os trabalhos foram coordenados por Ian Angeli, da Secretaria Estadual de Cultura, e Débora Fernandes, Coordenadora de Cultura da SME de Torres. Foram abordados os quatro eixos temáticos do documento base que resultou num relatório. Neste consta a formação de uma comissão de discussão, elaboração e acompanhamento dos marcos legais do municí­pio, a constituição de uma Secretaria Municipal de Cultura, a constituição do Conselho Municipal de Cultura, mapeamento da cultura do municí­pio, microcrédito e outros.

Ao término foram eleitos quatro delegados para representar o municí­pio na Conferência Estadual, sendo um governamental, representado por Débora Fernandes e três da sociedade civil: Leandro Lopes, do CTG Porteira Gaucha; Júlio Souza, da capoeira e Carla Patrí­cia Horn, do Cineclube Torres. São suplentes, Sérgio Mello, governamental; Jane Dalacorte, representando os indí­genas, e Carlos Vieira, da Torresart. As conferências municipais são etapas da 3 ª Conferência Nacional.

 

Cultura como uma entidade autí´noma. Relativo demais?

 

 

O Brasil também se adequou á uma espécie de Cultura da Cultura mundial. í‰ que a UNESCO trabalha para que paí­ses por todo o globo terrestre se enquadrem nos conceitos considerados mundiais pela entidade que definem e formam as esteiras das polí­ticas públicas de Cultura. Para a UNESCO, que foi representada na 1 ª Conferencia de Cultura de Torres, A Cultura se trata de todas as questíµes que medem manifestaçíµes da sociedade. Portanto o conceito sai de certo conservadorismo, que considerara outrora manifestação cultural somente como as artes em geral. Cultura para a UNESCO são costumes, conceitos morais enraizados e a arte, é claro. A Arte entra como uma espécie de produto final que é alimentado pela Cultura local. Portanto, tudo é cultura. Por exemplo: Comer uma casquinha de siri na beira do Mampituba em um restaurante foi citado na palestra de abertura da Conferência aqui em Torres como algo que é cultural da cidade. O conceito modernizado relativa. E abre um espaço que sai do absolutismo e entra no relativismo das coisas. Muito interessante, porém difí­cil de trabalhar as polí­ticas públicas, que são as obrigaçíµes do Estado para com a sociedade quando se refere í s manifestaçíµes culturais.

 Talvez seja por isso que há necessidade da formatação deste verdadeiro organograma cultural na nação. O que sai daqui de Torres alimenta o sistema nacional, mas recebe de volta muita coisa pronta, com certa pasteurização. Mas é este o conceito. E Torres aderiu e vai sentir na prática a eficácia e a eficiência deste grande sistema.


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