EDITORIAL – ESTELIONATO ELEITORAL DUPLA FACE”

19 de maio de 2013

Após o aberto estelionato eleitoral aplicado pelo PT em 2002, quando da vitória do ex-presidente Lula, que venceu a eleição execrando Bancos, privatizaçíµes e empresários em geral, mas que, após tomar o poder, fez exatamente o contrario de que pregara na campanha de Lula, agora é o PSDB que parece querer utilizar a mesma ferramenta estelionatária para roubar de volta o poder aos tucanos.   Nesta semana, o partido que mais privatizou no Brasil se coloca contra a privatização dos portos. Junto com seu laranja institucional, o DEM (ex-PFL), fez e faz campanha contra o Projeto de Lei do governo Dilma, altamente a favor de privatizaçíµes, no qual até a poderosa FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), publicou em rede de TV apoio institucional ao plano do PT colocado no projeto-lei. Quem sofre é o povo inculto do Brasil (a maioria “ infelizmente), que cai no discurso falso de soberania nacional e acaba apoiando sempre as campanhas eleitorais que apóiam a estatização e condenam qualquer privatização sobre o signo da dilapidação do Patrimí´nio Público.

A Empresa Pública no Brasil, portanto, se tornou moeda com dois valores. Por um lado, é utilizada para manobra de massas no sentido de desautorização de ideais mais liberais, colocando o povo contra qualquer ensaio privatizador, mesmo que seja ele altamente saudável. Por outro, as Estatais servem para acomodar companheiros de partidos e para abrir espaços para desvios financeiros pouco republicanos, usufruí­do por siglas partidárias e por agentes polí­ticos de forma pessoal e dinheirista.

As naçíµes mais desenvolvidas do mundo cresceram e crescem com quase nada de empresa pública em seus portfólios produtivos. Setores como transporte público de massa são os poucos que sobram, pois se tratam de investimentos altí­ssimos de Capital, com retornos pouco certos por eventuais empreendedores, por se tratar de tarifários quase tabelados e de fácil manipulação polí­tica. Mas empresas que produzem em áreas de mercado global, como mineração, petróleo, dentre outras commodities, atualmente se concentram na mão de jogadores internacionais privados, que trabalham conforma as regras da relação entre a oferta e a procura mundial.

O PSDB privatizou no Brasil de forma quase que obrigatória as telecomunicaçíµes, as indústrias de extração mineral ainda na mão do governo, muitas empresas fabricantes de energia elétrica, e abriu a nação para um novo momento de infraestrutura, muito mais competitivo e objetivo. Mas as privatizaçíµes foram a bandeira de setores conservadores do paí­s. E os tucanos ficaram marcados como irresponsáveis, como vendedores do tal de patrimí´nio Nacional í  preços de banana. Até um livro foi escrito demonizando a atitude: a ficção Privatizaria Tucana.

O PT provou na prática que aquilo que criticava em campanha era romantismo esquerdista radical. Embora alas do Partido dos Trabalhadores ainda critiquem qualquer coisa que diga respeito í  privatização, o governo Dilma (atual) e o governo de Lula privatizaram muito e sequer assinalaram com qualquer possibilidade de Estatização de empresas privadas do Brasil. Portanto, se comporta como um governo mais neoliberal do que o próprio PSDB, pois, além de privatizar e não estatizar, entra pouco no câmbio e nos í­ndices que podem artificializar o mercado livre, coisa que o PSDB não se preocupou em manter livre, ao contrário, mexeu muito, principalmente na taxa cambial.

No final de tudo isto se pode deduzir que as estatais e as atitudes dos governos perante o tema são verdadeiras moedas valiosí­ssimas no jogo de poder. O brasileiro que já paga impostos de quase metade do que produz e consome convive com dissonâncias extremas de ambos os lados que disputam o poder na nação. O discurso de Soberania nunca foi tão vilmente utilizado pelos polí­ticos do Brasil como tem sido nos últimos anos, após a abertura democrática ocorrida em 1989.

Estelionato eleitoral. í‰ isto. O brasileiro tem somente uma certeza. A que vai ser enganado por alguma sigla partidária no pleito í  presidência da república. Se vai ser o PT ou o PSDB, as urnas assim o dirão.


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