Por Fausto Araujo Santos Júnior
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Esta mais uma vez prestes a ser realizada mais uma edição do Fórum da Liberdade, um evento de iniciativa genuinamente gaúcha, realizado pelo Instituto de Estudos Empresariais do RS. Trata-se de um evento político-institucional, que, de certa forma, defende a Liberdade de mercado em confronto com fóruns mais votados para modelos que defendem o Socialismo de Estado. Mas a cada ano que passa o legado que este tipo de encontro de defesa incondicional da liberdade individual, da liberdade de ir e vir e da liberdade de empreender e de manter a vida íntima longe de invasíµes do Estado acaba clarificando um fato que talvez seja o âmago dos debates principais. Nota-se que a defesa de fundo é a preservação do livre arbítrio dos seres. Nota-se que a defesa de métodos econí´micos e administrativos debatidos nada mais é do que o confronto entre a intervenção – seja lá de quem for – nas vidas das pessoas, intervenção esta comparada com a busca de liberdade, que cada um dos seres possui, instintiva e racionalmente.
Defender, por exemplo, a privatização de empresas públicas e a livre concorrência de mercado frente aos oligopólios estatais como o do petróleo, do sistema financeiro, dentre outros, não significa tão somente a venda de patrimí´nio nacional como acaba virando o centro dos debates. Esta atitude significa que a nação brasileira, quando privatiza, está dizendo para o seu povo que ele, tão somente ele – o povo “ tem o direito de escolha do que consome, do que adquire, do que opta em todo o escopo de suas vidas. Empresas nacionais ou associaçíµes entre empresas nacionais com a iniciativa privada em setores vitais da economia quer dizer, ao contrário, que o Estado está dizendo para seu povo que é ele “ Estado – que está dizendo qual a escolha de consumo, de aquisição, de opção que nós – simples viventes – teremos de ter. Defender empresa estatal em setores produtivos é paternalismo em todos os casos. E paternalismo, na história da humanidade, só serve para crianças e adolescentes – estes sim dependentes dos pais até os 18 anos. Paternalismo após os 18 anos de idade, na prática, nada mais é que submissão.
Sistemas políticos que entrevêem na economia através de empresas estatais, de tributaçíµes exageradas, de sistema burocrático de controle do sistema produtivo das naçíµes acabam sendo altamente influenciados por invadirem, também, a privacidade da sociedade. Geralmente, naçíµes intervencionistas são intervencionistas num todo. São sociedades que caminham para a ditadura de estado. Começam a pipocar leis e decretos que invadem as escolhas das pessoas dentro de suas casas; começam a surgir debates demonizando pessoas que possuem costumes ou culturas diferentes do que é estabelecido como politicamente correto. Pessoas consideradas do bem acabam sendo aquelas que defendem toda e qualquer causa onde existe um lado mais frágil, independentemente do contexto onde os fatos ocorrem, e o inconsciente coletivo acaba caminhando para uma ditadura de estado, de corporaçíµes, de clichês sociais.
Debater a diferença do Fórum da Liberdade de Porto Alegre, que defende a Liberdade, a propriedade e o livre comércio de bens e serviços como forma de desenvolvimento sustentado de nação, comparando-o com o Fórum de São Paulo – considerado um encontro que defende idéias marxistas, onde o Estado comanda quase tudo – não se trata tão somente de confrontar o mercado livre com a arbitragem pesada do Estado na economia, como parece. Trata-se de debater se o modelo de nação moderna é paternalista ou liberal.
E as campanhas políticas também deveriam ser pautadas por estes dois pólos. Seria saudável que todos os políticos ao menos se posicionassem de que lados estão: liberdade do povo ou pela submissão do povo ao Estado. E deveriam justificativr do por que preferem determinado lado.


