Nesta semana passada, foi realizado em Porto Alegre a 27 ª edição do Fórum da Liberdade, um evento de iniciativa genuinamente gaúcha editado pelo Instituto de Estudos Empresariais do RS. Trata-se de um evento político-institucional, que de certa defende a Liberdade de mercado em confronto com fóruns mais votados para modelos que defendem o Socialismo de Estado, ou o Comunismo. Mas a cada ano que passa o legado que este tipo de encontro de defesa incondicional da liberdade individual, da liberdade de ir e vir e da liberdade de empreender e de manter a vida íntima longe de invasíµes do Estado acaba clarificando um fato que talvez seja o âmago dos debates principais. Nota-se que a defesa de fundo é a preservação do livre arbítrio dos seres. Nota-se que a defesa de métodos econí´micos e administrativos debatidos nada mais é do que o confronto entre a intervenção – seja de lá quem for – nas vidas das pessoas, intervenção esta comparada com a busca de liberdade, que cada um dos seres possui, instintiva e racionalmente.
Defender, por exemplo, a privatização de empresas públicas e a livre concorrência de mercado frente aos oligopólios estatais como o do petróleo, do sistema financeiro, dentre outros, não significa tão somente a venda de patrimí´nio nacional como acaba virando o centro dos debates. Esta atitude significa que a nação brasileira quando privatiza está dizendo para o seu povo que ele, tão somente ele – o povo “ tem o direito de escolha do que consome, do que adquire, do que opta em todo o escopo de suas vidas. Empresas nacionais ou associaçíµes entre empresas nacionais com a iniciativa privada em setores vitais da economia quer dizer, ao contrário, que o Estado está dizendo para seu povo que é ele “ Estado – que está dizendo qual a escolha de consumo, de aquisição, de opção que nós – simples viventes – teremos de ter. Defender empresa estatal em setores produtivos é paternalismo em todos os casos. E paternalismo na história da humanidade só serve para crianças e adolescentes – estes sim dependentes dos pais até os 15 anos. Paternalismo após os 15 anos, na prática, nada mais é que submissão.
Sistemas políticos que entrevêem na economia através de empresas estatais, de tributaçíµes exageradas, de sistema burocrático de controle do sistema produtivo das naçíµes acabam sendo altamente influenciados por invadirem, também, a privacidade da sociedade. Geralmente, naçíµes intervencionistas são intervencionistas num todo. São sociedades que caminham para a ditadura de estado. Começam a pipocar leis e decretos que invadem as escolhas das pessoas dentro de suas casas; começam a surgir debates demonizando pessoas que possuem costumes ou culturas diferentes do que é estabelecido de politicamente correto; pessoas consideradas do bem acabam sendo í quelas que defendem toda e qualquer causa onde existe um lado mais frágil, independentemente do contexto onde os fatos ocorrem, e o inconsciente coletivo acaba caminhando para uma ditadura de estado, de corporaçíµes, de clichês sociais.
Debater a diferença do Fórum da Liberdade de Porto Alegre, que defende a Liberdade, a propriedade e o livre comércio de bens e serviços como forma de desenvolvimento sustentado de nação, comparando-o com o Fórum de São Paulo – considerado um encontro que defende idéias marxistas, onde o Estado comanda quase tudo, não se trata tão somente de confrontar o mercado livre com a arbitragem pesada do Estado na economia como parece. Trata-se de debater se o modelo de nação moderna é paternalista ou liberal.
E as campanhas políticas que se aproximam para definir o partido e o nome do próximo presidente do país, dos governadores dos estados Federativos, dos membros do Congresso Nacional e dos deputados das Assembleias estaduais deveriam ser pautadas por estes dois pólos. Seria saudável que todos os políticos ao menos se posicionassem de que lados estão, e a justificativa do por que preferem determinado lado.


