FEIRA DO LIVRO DE TORRES: Pela magia da leitura e fortalecimento da cultura

31 de outubro de 2014

 

Prefeita Ní­lvia fez a abertura do evento na terça-feira

 

 

Por Guile Rocha

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Começou na última terça-feira (28) a   14 ª Feira do Livro de Torres. Para incentivar as pessoas participar do evento, o primeiro ato da feira foi o cortejo Caminho da Leitura, do qual participaram a prefeita Ní­lvia em pessoa, secretários e funcionários da administração municipal, estudantes, professores e bandas musicais escolares. O cortejo saiu da praça Borges de Medeiros (na Prainha) e literalmente ‘parou’ a cidade (e o trânsito) em uma longa caminhada até a ULBRA Torres, local onde ocorre a Feira do Livro em 2014.

Se por um lado o cortejo foi motivo para algumas crí­ticas (quanto a paralisação forçada do trânsito e a caminhada pesada dos envolvidos até a ULBRA), por outro lado foi uma bela sacada para chamar a atenção do público sobre a realização da Feira do Livro (já que não haverá o ‘cartaz natural’ da Prainha   neste ano).

 

Feira mais longe do público (mas com qualidade)

 

Na quarta (29) pela tarde, me dirigi até o ginásio da ULBRA Torres, onde está montada a estrutura da Feira. Chegando lá, percebi o grande espaço pouco povoado, o público então era muito pequeno, quase inexistente. Mas pensando que estávamos em pleno horário comercial, não era de se esperar mesmo que houvesse grande público. Uma destas raras visitantes era a aposentada Renata Silveira, que deu seu depoimento sobre a situação: "Claro que seria melhor que estivesse cheio de gente, mas acho que o pessoal vai aparecer mais após o trabalho. Gostava da Feira do Livro quando acontecia na Prainha, acho que tem tudo a ver com a cidade. Mas o importante é prestigiar a Feira, porque a cultura é algo que vale a pena, enriquece o ser humano. Faz anos que participo sempre da feira, e neste ano não é diferente, ainda que tenha mudado de local".

A princesa Flora é um ser de um outro planeta, a Literalua, onde é semeada a poesia. Junto com um parceiro intergaláctico, ela veio até a Feira do Livro de Torres para entender como a literatura funciona por aqui, e também para divertir e interagir com o público. Este é o papel interpretado por Larissa Tages na Feira do Livro deste ano, e ela comemora a participação dos estudantes das escolas no evento. "Os alunos estão bastante interessados, leram os livros dos autores convidados para a feira e chegam preparados, com perguntas para fazer a estes. Eles assim vão desenvolvendo o gosto pela leitura, descobrindo se gostam de poesia, se gostam de escrever", destaca a "princesa Flora", enaltecendo a participação da patrona Helí´ Bacichette, escritora infanto-juvenil que mostrou ser uma grande contadora de estórias, entretendo com sua narrativa empolgada os estudantes e público presente em sua apresentação.

 

A patrona Helí´ Bacichette

 

FOTO: A patrona com os ‘moradores de Literalua’

 

O primeiro dia de atividades da 14 ª Feira do Livro de Torres foi marcado pela interação da patrona com os pequenos leitores. Conduzida pela anfitriã Márcia Caspary, Helí´ Bacichette esteve em dois encontros com os estudantes do municí­pio, um pela manhã e outro na parte da tarde desta quarta-feira, 29 de outubro no Palco Moacyr Scliar.  Segundo a prefeitura, cerca de 800 crianças ouviram e se encantaram com os contos populares interpretados por Helí´. Atentos, os alunos participaram do momento da Maleta Mágica, que contém elementos mágicos, objetos e personagens de contos de fada, que foram escolhidos pelos estudantes. Na brincadeira cada um indicava o nome da obra e o autor, uma forma de incentivar a leitura dos contos e instigar a curiosidade naqueles que ainda não leram.

 A patrona respondeu a diversos questionamentos das crianças, e a maior curiosidade era sobre a inspiração para a construção dos personagens. "Todas as histórias que escrevo são sobre as pessoas da vida real, me inspiro em conhecidos e em situaçíµes do cotidiano ou algumas casuais que acontecem comigo." Helí´ escreveu o primeiro livro com mais de 30 anos, na época precisou vender um carro para pagar a publicação. Hoje são 16 obras publicadas. Como professora, acredita que é através do trabalho em sala de aula realizado pelo profissional das letras que o hábito da leitura se difunde.      

Belas foram as palavras d gerente do Sesc Torres, que falou sobre a relação da literatura com a cultura de cada povo e a importância das letras na construção de uma sociedade. "O livro é uma ferramenta de aproximação das pessoas, é a representação da nossa cultura e é ela que nos caracteriza como um povo, como uma nação".

 

Videogame = esporte?

 

Uma novidade deste ano é o Xbox com Kinect, videogame com sensor de movimentos que foi trazido pela Master Cursos Profissionalizantes. Embora não seja novidade (desde o lançamento do Wii, em 2006, o conceito de videogame com sensor de movimento já está no mercado), é uma opção que ainda atrai olhares curiosos e proporciona diversão para os visitantes.

O estudante do Marcí­lio Dias, Jean da Silva dos Santos, mostrava perí­cia nos movimentos e acumulava pontos para se sair bem numa corrida de obstáculos virtual. "O videogame evoluiu, hoje não se joga mais apenas com os dedos no controle ou no mouse, se pode jogar com o corpo todo. São estilos diferentes, eu jogo um pouco dos dois, mas gosto dos jogos de corrida, luta e também de estratégia, que tem que pensar bastante. O videogame é uma forma de desenvolver habilidades, pois temos que resolver quebra-cabeças em diversos ní­veis", disse Jean, que me convidou para jogar uma partida contra ele. Topei o desafio, e entre pulos, esquivadas, movimentos de braços e pernas, cheguei ao final da fase um pouco a frente de Jean (mas com menos pontos, então perdi). Acabei a fase ofegando, prova que os videogames com sensor de movimento são não apenas entretenimento, mas um tipo de esporte bom para queimar calorias.

 

Empresas educacionais em busca de seu espaço

 

Conversei com Clébson Morais de Freitas, coordenador da Master Cursos Profissionalizantes, empresa de Sombrio que trouxe o Xbox para a feira e busca divulgar seu trabalho. "Estamos na feira buscando agregar conhecimento, divulgar a ideia de que fazer um curso profissionalizante voltado a informática abre portas, otimiza as chances de conseguir um bom emprego. Estamos na Feira também com o intuito de fazer propaganda, tornar a marca conhecida, mas acreditamos que a leitura está diretamente ligada í  capacitação. Ler é sempre a melhor forma de aprender, um caminho para que o jovem desenvolvam suas habilidades para, após, irem encontrando seu lugar no mundo profissional"

Há mais de 12 anos atuando em Torres, a Escola de Idiomas Yazigi é outra empresa com estande na 14 ª Feira do Livro da cidade. "Promover a cultura e o conhecimento, difundia a ideia de que a leitura abre portas inclusive para aprender com mais facilidade um idioma. No momento que se está lendo se viaja para novas possibilidades. Já a leitura em uma segunda lí­ngua nos faz pensar em um idioma diferente do nosso, e é extremamente importante não apenas para quem vai fazer uma viagem. Ainda há hoje muitos bons artigos cientí­ficos – em inglês, italiano, espanhol, etc –   que não foram traduzidos e que são requeridos em universidades, fora o fato do mercado profissional estar cada vez mais receptivo para as pessoas que dominam lí­nguas estrangeiras", informou Zacheli Webber, supervisora de vendas e professora de inglês do Yazigi

 

Da conversa com livreiros a Rafael Guimaraens

A livreira Cláudia Machado, do Clube dos Editores

 

Espalhados pela feira, temos no total 8 estandes com livros para vendas (menos que em 2011, por exemplo, quando haviam 14 estandes). Na verdade, a Feira do Livro de Torres mostra-se mais como um território de valorização da cultura do livro e das artes – tendo em vista o número de atraçíµes paralelas como apresentaçíµes de teatro, música, cinema, dança, etc – do que um simples local para venda de livros. Mas entre os livreiros que ocupam as poucas estandes, uma é ocupada pelo pessoal do Bazar Londres, estabelecimento daqui de Torres que trabalha com livros de saldos. Ou seja, não há os grandes lançamentos editoriais no local, mas os tí­tulos tem preços acessí­veis, populares. Para Vânia, proprietária do bazar, "há boas expectativa quanto a feira. Na manhã (de quarta-feira) tivemos a presença de alunos de alguns colégios, e agora de tarde o movimento está pequeno. Talvez no geral tenhamos um público menor em decorrência da feira não ser na Prainha (como de costume). Por outro lado, o evento está muito bem organizado pelo pessoal, tem um cronograma de atividades bacana, além do espaço ser   maior".

São vários os autores que estiveram (e estarão) palestrando na Feira do Livro de Torres. Um destes é o Rafael Guimaraens, jornalista que escreveu vários livros e, nos anos da ditadura, fez parte do polêmico cooJornal em Porto Alegre, impresso que (na medida do possí­vel) mantinha-se crí­tico ao regime militar. Ele palestrará í s 19h30 de sábado (1 °). Aproveitei a oportunidade e comprei um dos livros organizados pelo Rafael Guimaraens, com reportagens selecionadas deste cooJornal, importante nome da história do jornalismo Rio-Grandense.

Além da compra, ainda conversei com a Claudia Machado, de Alvorada, que representa o Clube dos Editores na nossa Feira do Livro. Falávamos do autor, e ela fez uma sinopse de outro tí­tulo lançado pelo Rafael Guimaraens, chamado de A Dama do Lago (a venda na feira). "í‰ um caso verí­dico que aconteceu em 1940. Fala de um casal da alta sociedade que pretendia se casar. Mas a famí­lia da moça era contra o casamento, e quando a noiva disse para dar um tempo, o noivo surtou e matou a mulher, afogada na Lagoa dos Barros (aqui no litoral), presa a vários tijolos. Foi uma história que abalou a sociedade porto-alegrense, e é repleta de mistérios e lendas fantasmagóricas contadas no livro. O estilo narrativo do Rafael Guimaraens é interessante nesse livro, relatado como um diário com uma linguagem simples e direta", resenha Cláudia.

A representante do Clube dos Editores ainda fez uma comparação entre o livro impresso e os e-books – livros eletrí´nicos –   fazendo uma defesa ao exemplar tradicional. "O livro impresso tu pode colocar o marca página, se ele cair ele não vai quebrar, ele é fácil de carregar e tem cheiro, espaços em branco bons para anotaçíµes, uma capa bonita. Já o e-book é bom para estudantes, para ler alguns textos acadêmicos, mas tu apenas liga e desliga ele, cansa os olhos muito facilmente. Enfim, são duas propostas diferentes, que talvez se complementem mas que certamente não competem entre si".

 

Programação continua até sábado (31)

 A programação da 14 ª Feira do Livro de Torres continua até a noite de sábado recheada de atraçíµes paralelas. A sexta-feira (31) é o dia das crianças aproveitarem as peripécias da autora Léia Cassol, í s 9h, í s 13h30 e í s 15h. A programação do Outubro Rosa invade a Feira í s 19h com apresentaçíµes de dança, lançamento de livro e Desafio de Rima com os vencedores da 1 ª Batalha MC’s de Torres e convidados. A parte da noite está reservada para o bate papo com o ex-presidente da Federação Espí­rita do Rio Grande do Sul, autor do livro Educação dos Sentimentos, Jason de Camargo, í s 20h30.

 No último dia da Feira do Livro, 1 º de novembro, acontece o 4 º Torneio de Xadrez Moacyr Scliar, í s 9h, além de apresentaçíµes musicais e de dança durante todo o dia e, das 13h í s 18h a Mostra Cultural Mais Educação. O jornalista Rafael Guimaraens, (autor de Tragédia da Rua da Praia, Abaixo a Repressão “ Movimento Estudantil e as Liberdades Democráticas, Teatro de Arena “ Palco de Resistência, A Enchente de 41, Unidos pela Liberdade! e A Dama da Lagoa), conversa com o público í s 19h30. O encerramento oficial da 14 ª Feira do Livro de Torres acontece í s 20h30 com show de Denver Reginato e Banda.

 

 

 


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