FUTURO NEGRO PARA NOSSOS FILHOS E NETOS

26 de novembro de 2012

 

Segue abaixo uma matéria feita pela revista gaúcha AMANHíƒ sobre uma palestra realizada nesta emana na FEDERASUL com o empresário Jorge Johannpeter.   A opinião do lí­der empresarial, hoje membro da inteligência do governo Dilma, retrata a opinião de   A FOLHA sobre o futuro de   nosso Rio Grande do Sul.

 

 

Jorge Gerdau alerta para risco da inviabilização do Estado gaúcho

 

 

O Estado não vai aguentar. Foi com essas palavras que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau e da Câmara de Polí­ticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, sentenciou o destino dos cofres públicos gaúchos caso não sejam tomadas medidas efetivas contra o déficit da previdência. Ele foi o palestrante desta quarta-feira (21) no encontro Tá Na Mesa, promovido pela Federasul, em Porto Alegre.

Se além de evitar um rombo ainda maior nas contas o governo gaúcho também quiser elevar seus í­ndices de competitividade “ o que Gerdau defende insistentemente “, a reforma obrigatoriamente passa, também, por logí­stica e educação. Embora pareça pouco, tratam-se dos pontos mais complicados de serem modificados. "Estou preocupado com nossos filhos e netos e o futuro que deixaremos para eles", desabafou.

í‰ um processo que leva anos, mas tem que começar pela definição clara de onde se quer chegar. Poucos órgãos de governo sabem onde se quer chegar, lamenta Gerdau. Ele garante que é por este caminho que a curva que hoje é descendente se tornará ascendente. A sociedade precisa entender que o que vem sendo feito há dezenas de décadas precisa mudar, sustenta.

Por estar diante do público gaúcho, Gerdau se ateve principalmente aos problemas do Rio Grande do Sul. "Devemos colocar como meta ser primeiros em educação, zerar o déficit da previdência e construir uma logí­stica competitiva", elencou. Confira, abaixo, as principais percepçíµes do empresário sobre os pontos nevrálgicos para o crescimento do Estado:

 

Educação

 

í‰ um problema que os órgãos públicos e as grandes empresas resolvem: fazem concurso e pagam ótimos salários. Mas o crescimento sustentável depende da educação básica. Com a estrutura atual, vamos formar um competidor do ní­vel dos asiáticos?, provoca o empresário.

 

Logí­stica competitiva

 

Responsável por 18,9% do custo de produção da indústria gaúcha, a logí­stica foi defendida como outro ponto fundamental para o desenvolvimento. Ao expandir sua análise para a infraestrutura em geral, Gerdau destaca o problema do saneamento: nacionalmente, a média de tratamento é de 29%. No Rio Grande do Sul, esse í­ndice cai para 15%. A meta do Programa das Naçíµes Unidas para o Desenvolvimento é de 75%, aponta.

 

Previdência sustentável

 

Gerdau destacou fortemente o déficit da previdência estadual. A conta é simples: as despesas batem em R$ 7,2 bilhíµes, enquanto a arrecadação, somando-se as contribuiçíµes patronal (R$ 1,05 bilhão) e dos servidores (R$ 550 milhíµes), deixa uma conta de R$ 5,6 bilhíµes para os cofres públicos. O Estado não vai aguentar. São R$ 5,5 bilhíµes que poderí­amos estar investindo na construção de escolas e centros de desenvolvimento, lembra.

O exemplo deve vir da Europa onde mesmo paí­ses como a Grécia, que passa por grandes problemas, praticam regras bem diferentes. Enquanto aqui servidores podem se aposentar com 25 anos de contribuição e 50 anos de idade, na Grécia o tempo de contribuição chega a 40 anos e a idade mí­nima, 60 anos. Como o Rio Grande do Sul é um Estado muito mais rico, tem esses números, ironiza.

 

Governança

 

Todos os processos são importantes, mas o mais importante de todos é a governança, defende Gerdau. Ele utiliza o exemplo do Japão, que nos anos 1980 já se preocupada com o estudo detalhado de processos “ atitude replicada no próprio grupo Gerdau e, mais tarde, pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC). Liderança, metodologia e conhecimento técnico dos processos sempre levam a excelentes resultados, garante.

 

Poupança

 

Gerdau desenvolveu o que acredita ser o cí­rculo virtuoso da economia. Tudo começa pela poupança, que em seguida propicia investimentos. A partir deles, vem o natural crescimento econí´mico e, fatalmente, a geração de empregos. Com mais empregos, cresce o depósito de riquezas na poupança. Passamos 20 anos crescendo 2% ao ano. Por quê? Porque paí­s que poupa abaixo de 20% não cresce mais do que 2,5%, defende.

Fonte: Revista Amanhã


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