Mulheres: O que seria do mundo sem elas?

7 de março de 2015

 

 

Por Maiara Raupp

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Quem no mundo consegue cuidar da casa, dos filhos, dar atenção ao marido, administrar a carreira profissional e ainda arrumar tempo pra cuidar de si? Não são super heroí­nas, são mulheres. E neste dia 8 de março a homenagem é mais que merecida.

 

O Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, existe desde o iní­cio do século XX. A data tem origem nas manifestaçíµes femininas por melhores condiçíµes sociais como trabalho digno, salário justo e direito de voto e hoje é dedicada a incentivar a sociedade a refletir sobre as principais conquistas e aos muitos desafios que as mulheres ainda enfrentam nos dias atuais.

Segundo a advogada torrense, Débora Elias, ser mulher nos dias de hoje não é nada fácil, mas ela pensa que avançamos em muitos pontos. Não somos mulheres, somos polvos. Hoje o mundo está muito dinâmico e precisamos acompanhar o que acontece no trabalho, na famí­lia, no casamento e com os filhos. í‰ necessário muito equilí­brio e jogo de cintura para não se desesperar, afirmou a advogada, acrescentando ainda que não nascemos mulher por acaso. í‰ exatamente pela nossa capacidade de ser ˜multifuncionais™ que chegamos e chegaremos cada vez mais longe. í‰ esse poder que faz com que possamos conciliar todas essas coisas e estar preparadas para enfrentar os desafios, completou.

Débora comparou ainda a sociedade de agora com a da época de sua mãe e avós. A sociedade avançou muito se compararmos com anos anteriores. Já tivemos muitas conquistas e esta evolução se dá devido í  formação que as mulheres buscam. Elas estudam, se dedicam í  profissão, ocupam espaços que antes eram somente dos homens. Mas vejo que a mulher ainda é pouco valorizada no mercado de trabalho e isso deve ser modificado, disse ela. A advogada chama atenção também para a importância do companheiro nas atividades diárias. Acredito que podemos muito bem conciliar: ser mãe, esposa e profissional. Porém, tudo depende de uma organização e, é claro, da parceria do nosso companheiro, porque quando dividimos as tarefas fica tudo muito mais fácil. Com a ajuda do marido consigo até ter um tempinho para cuidar de mim e da minha saúde, finalizou Débora.

Ter equilí­brio e tranquilidade para lidar com tantas atribuiçíµes também é o que defende a empresária torrense, Jacira San Leon. Para ser mulher nos dias de hoje dois braços não bastam. Precisamos de vários para poder abraçar as diferentes causas. Mas como não temos, o equilí­brio é fundamental. Posso afirmar que há tempo para o trabalho, para a famí­lia e para si, é só questão de saber administrar este tempo, assegurou Jacira, ressaltando ainda a importância dos cuidados pessoais. Mesmo com o mundo tão veloz, diferente do que foi há 40 ou 50 anos, é preciso arrumar tempo também para cuidar da beleza. Acho muito importante principalmente para o bem estar pessoal. Não podemos parar. Já conquistamos muito, mas é fundamental não se acomodar, concluiu ela.

 

Com ajuda do marido, Débora consegue ter mais tempo para o lazer em famí­lia

 

 

Diferença entre os sexos ainda é forte

 

O Brasil é o 71 ° colocado no ranking internacional de igualdade de gênero segundo estudo divulgado no Fórum Econí´mico Mundial em 2014. O paí­s caiu nove posiçíµes com relação a 2013. A pesquisa avaliou as diferenças entre homens e mulheres na saúde, educação, economia e indicadores polí­ticos em 142 paí­ses. Apesar de ressaltar que no setor educacional o Brasil ganhou a nota máxima, evidenciou-se problemas nas questíµes salariais e de empoderamento polí­tico. "A queda do Brasil (¦) aconteceu mesmo tendo preenchido com sucesso ambas as lacunas entre gêneros no ní­vel educacional e de saúde e sobrevivência. Sua prioridade agora deve ser garantir retornos em seus investimentos através do aumento da participação feminina na área de trabalho", apontou o relatório.

Essas discrepâncias são sentidas diariamente por muitas mulheres. Conforme afirmou a radialista torrense, Rafaela Clezar, ainda há muito machismo, preconceito, desigualdades, principalmente salariais, e isso só mudará quando os homens reconhecerem a importância da figura feminina na sociedade. Estamos em processo de evolução em todos os sentidos no que diz respeito ao papel da mulher na sociedade. Hoje a figura feminina está presente nos mais diversos ambientes de trabalho e fazendo com perfeição funçíµes tabuladas como masculinas. Antigamente isso era quase impossí­vel. Mas creio que precisamos evoluir mais, garantiu ela, dizendo ainda que ser mulher nos dias atuais é estar em constante movimento. Assumimos papéis triplos e precisamos dar conta do recado independente das múltiplas tarefas que nos ocupam tempo.

O preconceito também é um desafio apontado pela confeiteira torrense, Miriam Vargas. Ser mulher nunca foi fácil. Até pouco tempo as mulheres eram submissas í  famí­lia, ao marido e a sociedade. No entanto, a mulher vem conquistando o seu espaço, sua independência e autonomia, vêm expondo suas necessidades, prioridades e vontades. Porém é preciso muita coragem para enfrentar os desafios de uma sociedade ainda preconceituosa. Mas não é a toa que a natureza da mulher é forte. E é essa fortaleza que fará dela uma vitoriosa dentro do que ela quer para si, afirmou Miriam.

 

Rafaela (entrevistando a prefeita Nilvia) e sua dedicação a carreira de radialista

 

 

Mulheres ganham espaço em vários setores


Hoje as mulheres têm se destacado inclusive como empreendedoras. De acordo com dados apresentados pelo Sebrae em fevereiro, a partir da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), 52% dos novos empreendedores são mulheres. A força empreendedora feminina é maioria em quatro das cinco regiíµes brasileiras. Apenas no Nordeste elas ainda não ultrapassaram os homens, mas estão quase lá, com aproximadamente 49% de participação entre os novos empresários. E, quando estão í  frente dos negócios, elas tendem a conquistar ótimos resultados. Hoje, por exemplo, as unidades de franquias no paí­s sob o comando feminino podem ter faturamento até 34% mais alto. Os dados são da pesquisa anual do perfil do franqueado brasileiro, realizada pela consultoria Rizzo Franchise, e divulgada pela revista EXAME.

As mulheres também têm dado passos importantes frente a sua qualificação. Hoje as brasileiras estudam mais que os homens e representam 60% dos graduados brasileiros segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicí­lios (PNAD). Além disso, são donas de 51,1% dos diplomas de pós-graduação. Devido í  preocupação com os estudos e com a carreira, a maternidade tem ficado para depois. De acordo com o IBGE, em 2000 era mais comum encontrar adolescentes entre 15 e 19 anos grávidas que mulheres entre 30 a 34. No Censo de 2010, a realidade se inverteu, e o percentual de mulheres que engravidam no segundo intervalo passou de 14,4 para 18,3% do total. Além da variação de idade, a quantidade de filhos também mudou. A média de filhos das brasileiras  hoje é de 1,9 bebê por mulher. A chamada taxa de reposição de um paí­s precisa ser de 2,1 filhos, ou seja, a quantidade de filhos que elas têm já não repíµe a população brasileira.

A mulher assumiu também papel importante de chefe de famí­lia. Em 2000, as mulheres comandavam 24,9% dos 44,8 milhíµes de domicí­lios particulares. Em 2010, essa proporção cresceu para 38,7% dos 57,3 milhíµes de domicí­lios “ um aumento de 13,7 pontos percentuais. Quando analisados os dados das áreas rurais e urbanas verifica-se que no campo ainda é mais comum o homem ser o chefe da famí­lia.

 

 

   Miriam procura aprimorar-se ainda mais para crescer no mercado de trabalho

 
 

Diferenças que fazem a diferença

As mulheres brasileiras já engravidam menos na adolescência, estudam mais do que os homens e tiveram aumento maior na renda média mensal. Mas elas ainda ganham salários menores e têm dificuldade de ascender na carreira.

Apesar do esforço e dedicação í  educação, as mulheres ainda enfrentam muitas disparidades no mercado de trabalho. A quinta edição da pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil, realizada pelo Instituto Ethos, constatou que em 2010 as mulheres ocupavam somente 13,7% dos quadros executivos das companhias no paí­s.

Apesar da eleição da presidente Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o paí­s desde a Proclamação da República, o gênero feminino ainda é sub-representado também na maioria dos cargos elegí­veis brasileiros. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, em 2010 foram eleitas apenas 45 mulheres para as 513 cadeiras disputadas “ ou seja, 8,7% do total.  Essa é uma das taxas mais baixas do mundo “ o Brasil está em 119 º entre os 146 paí­ses analisados pela União Interparlamentar (IPU). Nas prefeituras, a proporção é um pouco maior: 12% são comandadas por mulheres, mas longe de representar a composição feminina na população adulta brasileira, de 53%.

A remuneração também é outro grande problema. Um estudo do IBGE divulgado em dezembro de 2013, a partir dos dados da PNAD, revelou que a desigualdade salarial entre homens e mulheres não mudou muito nos últimos dez anos. Na construção civil, por exemplo, uma mulher no cargo de chefia recebe apenas 37% do que um homem no mesmo cargo receberia. Isso se repete até em setores que tradicionalmente as mulheres dominam.

No entanto, a renda delas cresce mais rápido que a deles. Entre 2003 e 2010, a renda de  todas as mulheres brasileiras cresceu 83%, segundo o Data Popular. A deles, no mesmo perí­odo, subiu 45%, o que na visão dos especialistas mostra um avanço rumo í  equiparação salarial.

Um indicador relevante apontado pela pesquisa é a carga horária trabalhada por ambos os gêneros. A sí­ntese mostra que as mulheres trabalham menos horas no mercado formal de trabalho, mas fazem o dobro da jornada dos homens nos afazeres domésticos. Em 2012, os homens trabalharam em média 42,1 horas por semana, enquanto a jornada das mulheres ficou em 36,1 horas. Para os afazeres domésticos, no entanto, as mulheres dedicam 20,8 horas enquanto os homens trabalham 10.


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