PATRIMí”NIO ABANDONADO: O Bar Abrigo da Praia Grande

17 de março de 2015

 Depredado, um dos mais históricos prédios de Torres, construí­do em 1937, continua aguardando processo de restauração

 

 

Por Guile Rocha

 

 

O Bar Abrigo faz parte do patrimí´nio histórico de nosso municí­pio. Construí­do junto a formação rochosa no sul da Praia Grande, a edificação foi erguida em 1937 para ser a primeira sede da SAPT (Sociedade dos Amigos da Praia de Torres). Mas dos anos 30 para cá, muita coisa aconteceu ao quase centenário Bar Abrigo. Hoje, a expressão ‘caindo aos pedaços’ serviria como uma luva para definir o atual estado do prédio.

 Conforme o historiador Leo Gedeon, o Bar Abrigo é um dos prédios históricos que remontam a consolidação da atividade turí­stica na Praia de Banho de Torres, atualmente a zona mais badalada da Praia Grande. "Sua construção foi uma das primeiras iniciativas da Sociedade dos Amigos da Praia de Torres (SAPT), anterior a   fixação do Calçadão e do Posto de Salva-Vidas. O Abrigo no passado oferecia serviços í  beira-mar para os associados da SAPT, contando com toldos (modelo rudimentar dos guarda-sóis) para os frequentadores. A edificação tem uma arquitetura peculiar em harmonia com a paisagem urbana e natural na encosta da base de basalto da Prainha que inicia na porção norte, a parte alta da cidade".

 

Museu do Turismo no local

 

Explorado comercialmente como bar e restaurante até meados dos anos 2000, faz alguns anos que o Bar Abrigo está inutilizado. O importante patrimí´nio histórico de Torres ainda é de usufruto da SAPT, mas foi cedido para a prefeitura em acordo tácito, que em breve deve ser concretizado (em troca da cessão da área de estacionamento em frente ao clube, área já utilizado pelo mesmo).

Em outubro do ano passado, A FOLHA contatou a prefeitura de Torres para averiguar se havia algum plano de uso para reaproveitar o histórico Bar Abrigo. E conforme informou Carlos Cechin, Secretário do Planejamento, um projeto foi elaborado entre a SAPT e o municí­pio para restauração do tradicional espaço da Praia Grande. Este projeto já estaria concluí­do e aprovado pelos órgãos municipais (Meio Ambiente, COMPHAC, Conselho do Plano Diretor), esperando apenas a autorização da FEPAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente) para começar as obras.

Quase seis meses se passaram, desde então, sem indí­cio de obras no histórico Bar Abrigo. Segundo reforçou recentemente a prefeitura de Torres, o projeto de restauração foi protocolado junto a FEPAM ainda em 2014, e continua em análise pela morosa estatal. Já o presidente da SAPT, Vilmar Casagrande, ressalta que o clube decidiu abrir mão do seu patrimí´nio – com a qual a SAPT lucrava no passado, a partir do aluguel para terceiros – em prol de um benefí­cio que atenderá toda a sociedade torrense e turistas. "Nossa idéia é que o Bar Abrigo seja um local valorizado como merece. E se as obras não começaram ainda não é por falta de vontade, o fato é que não pode-se começar a obra sem as licenças ambientais".

Vilmar destacou que, após restaurado o prédio do Bar Abrigo, a intenção é de que o local seja transformado em um Museu do Turismo em Torres, inclusive com banheiros públicos disponibilizados para a população. "Neste museu deverá haver ainda um Memorial da SAPT, para que o visitante entenda a relevância do clube na história da cidade, já que a SAPT participou diretamente de obras estruturais importantes como a barra dos Molhes e o Valão".

Enquanto aguardo o reparo, o prédio em ruí­nas, entretanto, não ficou completamente inutilizado: eventualmente torna-se abrigo para andarilhos e mendigos, que transformaram o local em casa e banheiro provisório durante sua "hospedagem" em nossa cidade.  

 


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