FOTO: Pesquisadores levantam dados sobre o trânsito torrense
Os domicílios de Torres estão recebendo desde terça-feira – dia 2 de dezembro – a visita de pesquisadores que irão levantar dados sobre origem e destino usual dos moradores, para definir os índices de fluxos na cidade. Realizada com o propósito de definir os índices que serão fixados no Plano Diretor, os 16 pesquisadores da Prefeitura contam com o apoio técnico de dois engenheiros de trânsito de Porto Alegre, em parceria com a Secretaria de Planejamento e Participação Cidadã. Segundo a prefeitura, "os moradores da cidade já estão mobilizados para a segunda parte da pesquisa – que consiste nas visitas domiciliares e tem previsão de início para depois do dia 11. Aqui será computada a origem e destino da população". O secretário Carlos Cechin (Planejamento) destaca que "é necessário um enfrentamento científico dos problemas urbanos".
A contagem dos movimentos – sejam eles feitos de carro, bicicleta, í´nibus ou a pé – está sendo realizada em vários pontos da cidade. Diariamente são realizadas contagens em dois horários, seguindo um cronograma montado pelos técnicos da prefeitura em conjunto com os engenheiros de tráfego Flávia Manica e Edgar Haas.O horário de contagem ocorre das 11h í s 14h e das 17h í s 20h.
O enfoque é conhecer o fluxo da cidade em período normal e não no auge do verão. A pesquisa domiciliar, por exemplo, será realizada unicamente com os moradores. Os dados servirão também para monitoramento da cidade, depois de implantado todo Plano Viário. Marcelo Koch – urbanista e responsável técnico pela revisão do Plano Diretor – explica que compreender a dinâmica da população, conhecendo os movimentos diários desde as origens até os destinos – as frequências, trajetórias e intensidades da fluxos, horários de médias e picos de trânsito – fornecem dados significativos para dimensionar os índices urbanísticos, planejamento de tráfego e várias outras açíµes de planejamento.
Segundo Koch, Torres tem características peculiares na estrutura urbana quando comparada com outros municípios com o mesmo número de habitantes. Nossa área urbana é bem maior do que a média, apresenta-se dispersa e com uma forma complexa, a qual impacta seriamente na organização das diferentes partes da cidade. Ele conclui dizendo que a determinação dos índices de forma aleatória e sem critérios pode inviabilizar o tráfego na cidade. O arquiteto ainda diz que, devido estes dados serem significantes para o Plano Viário da cidade, é igualmente importante a participação da comunidade. Solicitamos que as perguntas sejam respondidas com precisão para que a pesquisa seja eficiente". Segundo a prefeitura, este trabalho não foi realizado na proposta apresentada na gestão anterior.
Ministério Público acompanha revisão do Plano Diretor
O Ministério Público também acompanha o processo de revisão do Plano Diretor Territorial e Ambiental de Torres. Nesta última segunda-feira (1 º), técnicos da Prefeitura receberam uma comissão liderada pelo promotor de Justiça, Márcio Roberto Silva de Carvalho, com o propósito de inteirar o MP sobre o assunto. Na oportunidade, o coordenador técnico do Plano, arquiteto e urbanista Marcelo Koch, comunicou da aplicação da pesquisa sobre os índices de fluxos da cidade e apresentou o macrozoneamento do Plano Diretor. O promotor comentou sobre a complexidade do trabalho, pelo fato de contemplar tanto a parte urbana como a rural, e constatou a grande preocupação com o meio ambiente e com o turismo.
Mapas da cidade, atas das muitas audiência públicas realizadas, relatório do processo da participação popular, o conteúdo do site da Prefeitura, entre outros dados, foram apresentados pelo coordenador técnico e pelo secretário municipal de Planejamento e Participação Cidadã, Carlos Cechin, aos visitantes. Foi comentado que, pelo fato do Plano Diretor visar integrar toda a legislação que atinge o município (federal, estadual e municipal), o processo abre espaço para muita discussão. Foi destacado pelo coordenador, que mais de um terço de todo o território é de perímetro urbano e ocupado de maneira bastante desconcentrada, o que significa grande custo para manter a infraestrutura da cidade.
Foi explicado na reunião com o Ministério Público sobre o calendário inicial das audiências, que contemplou 3 eixos temáticos: 1) economia social, 2) ambiente natural e 3) ambiente artificial. Entre os técnicos do MP e Prefeitura foram trocadas informaçíµes sobre vários itens que constam do Plano Diretor, como o Parque Estadual da Itapeva, o Aeroporto Regional de Torres, as lagoas das Praias do Sul, o Rio Mampituba, a beira-mar, Plano Viário, Conselho do Plano Diretor e a polêmica da altura dos prédios na Zona 8, entre outros. Também foram abordado os propósitos da pesquisa que definirão os índices de fluxos da cidade.
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Revisão está dois anos atrasada
O promotor Márcio destacou a necessidade da participação popular e da transparência neste processo. Mostrou-se preocupado com o prazo de conclusão dos trabalhos, uma vez que pelo Estatuto da Cidade, Torres já deveria ter concluído a revisão do Plano Diretor há dois anos. Acompanhavam o promotor, o assessor jurídico, Richard Alexandre Bauer de Oliveira; o biólogo Luciano da Rocha Correa; o arquiteto André Huyer e o estagiário Bruno Fernando Cardoso. Participaram também da reunião, pela Prefeitura, o biólogo Rivaldo Raimundo da Silva, a geóloga Maria Elisabeth da Rocha, a arquiteta e urbanista Aline Guedes Pereira e o também arquiteto e urbanista Jean Martins de Lima.
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