Por onde andam as Brincadeiras-de-roda?

4 de junho de 2010

Pode parecer curioso para alguns falar-se em Brincadeiras-de-roda nos dias de hoje, dias que estas manifestaçíµes da cultura popular espontânea estão com o seu espaço tão diminuí­do. Nas ruas, nas praças, nos quintais está mais raro de se ver ou ouvir-se das bocas infantis aquelas cançíµes que, na simplicidade das suas melodias ritmos e palavras, guardam séculos de sabedoria e a riqueza condensada do imaginário popular. Porém, sem estarem em alta, também não estão extintas. E configurando uma situação contrastante e quase contraditória   (é certo que muitas vezes tendo partes omitidas ou formas esquecidas e transformadas), elas sobrevivem a era do computador.Talvez como um reflexo da busca do contato com a expressão genuí­na e ancestral que é, em última instância, insubstituí­vel.

 

O fato é que toda esta conjuntura não altera em nada o teor valoroso intrí­nseco í s Cantigas e Brincadeiras-de-roda. Elas continuam contendo sí­mbolos fecundadores de toda a vida subjetiva, e continuam funcionando como pretextos maravilhosos para a criança experimentar o seu corpo, a linguagem, e para descobrir-se a si própria ao mesmo tempo,  se revelando ao outro e inserindo-se no conví­vio social. Estimula o conví­vio em grupo, a união e a expressão da afetividade.Infelizmente, em nosso tempo, o folclore é muitas vezes, injustamente, relegado a um plano inferior, ou esquecido, pela própria gente a qual ele pertence

.  Observando um grupo de crianças brincando espontaneamente com estas cançíµes, ou mergulhando no tempo e nos recordando das Brincadeiras-de-roda vivenciadas na própria infância, percebemos que algo precioso se processa. Trata-se de um movimento de entrega, de alegria e de intensidade vital. Do ponto de vista pedagógico e psicológico, estes jogos infantis são considerados completos: brincando de roda a criança exercita naturalmente o seu corpo, desenvolve o raciocí­nio e a memória, estimula o gosto pelo canto, poesia e música. Vale lembrar que, a atividade lúdica (a brincadeira) constitui o aspecto mais autêntico do comportamento da criança. Ao brincar, a criança está correspondendo a necessidades vitais suas, dando vazão a impulsos que a permitem desenvolver-se como ser pleno e afirmar a sua existência singular. í‰ um movimento que faz parte dos seus esforços de compreender o mundo, e que a torna capaz de lidar com problemas até complexos e que muitas vezes tem dificuldade de compreender.


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