Professor: a BASE de uma nação

13 de outubro de 2014

 

 

Na quarta-feira, 15 de outubro, celebra-se o dia do professor, uma das profissíµes mais importantes para o desenvolvimento do paí­s e, paradoxalmente,  uma das menos valorizada.  

 

Por Maiara Raupp

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 O dia 15 de outubro é uma data que deve ser lembrada por todos, já que os professores são essenciais para o desenvolvimento de uma nação. São eles que alfabetizam as crianças, repassam informaçíµes e conhecimentos, as motivam para os estudos, ao desenvolvimento de habilidades e ao ensino de valores.

Mesmo sendo os personagens principais na educação de um povo, os professores sofrem com a desvalorização da profissão no paí­s.

Atualmente, os salários dos professores brasileiros estão entre os piores do mundo. De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econí´mico (OCDE), um professor em iní­cio de carreira (que dá aula para o ensino fundamental em instituiçíµes públicas no Brasil) recebe, em média, $10.375 dólares por ano. Em Luxemburgo, o paí­s com o maior salário para docentes, o professor recebe quase 7 vezes mais ($66.085 dólares). Entre os paí­ses membros da OCDE, a média salarial do professor é de $29.411 dólares, quase três vezes mais que o salário brasileiro. Paí­ses da América Latina como Chile e México, os professores recebem um salário consideravelmente maior que o brasileiro, $17.770 e $15.556 dólares respectivamente.  Entre os paí­ses mapeados pela pesquisa, o Brasil só fica í  frente da Indonésia, onde os professores recebem uma miséria: cerca de $1.560 dólares por ano.

Uma das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) é equiparar o rendimento médio dos profissionais do magistério das redes públicas com as outras categorias. A valorização é vista como fundamental para que os estudantes recém formados no colégio passem a enxergar a carreira de professor como uma opção profissional viável.

 

Só 2% dos estudantes querem ser professores

 

Atualmente, não são muitos os jovens que têm como sonho trilhar a carreira docente no Paí­s. Um estudo encomendado pela Fundação Victor Civita (FVC) í  Fundação Carlos Chagas (FCC) apontou que apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduaçíµes diretamente relacionadas í  atuação em sala de aula – como pedagogia ou alguma licenciatura.

A pesquisa, que reuniu 1.501 alunos de 3 º ano de 18 escolas públicas e privadas – em oito cidades brasileiras – indicou que apesar dos jovens reconhecerem a importância do professor, acham que a profissão é desvalorizada socialmente, mal remunerada e com rotina desgastante.

Pensando nisso, o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2014, lançado em maio, reuniu algumas soluçíµes: "Só teremos Educação de qualidade com bons professores e, para isso, é preciso atrair para a carreira do magistério os melhores alunos egressos do Ensino Médio. O magistério precisa ter atratividade suficiente, pois ´concorre ´ com outras carreiras mais rentáveis ou de mais prestí­gio".

O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Aní­sio Teixeira (Inep), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores – com formação adequada í  área que lecionam – chega a 710 mil no paí­s. E não se trata da falta de vagas, mas sim da falta de interesse na profissão. De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2009, o í­ndice de vagas ociosas chegava a 55% do total oferecido em cursos de pedagogia e de formação de professores.

O estudo indica ainda que a docência não é abandonada logo de cara no processo de escolha profissional. No total, 32% dos estudantes entrevistados cogitaram ser professores em algum momento da decisão. Mas, afastados por fatores como a baixa remuneração (citado nas respostas por 40% dos que consideraram a carreira), a desvalorização social da profissão e o desinteresse e o desrespeito dos alunos (ambos mencionados por 17%), acabaram priorizando outras graduaçíµes. O resultado é que, enquanto medicina e engenharia lideram as listas de cursos mais procurados, os relativos í  educação aparecem bem abaixo.

 

Amor í  profissão

 

Stefany (vestida de Emí­lia) em um dos projetos do magistério no Marcí­lio Dias

 

Mesmo diante deste quadro, a estudante de magistério, Stefany Ribeiro, de 16 anos, não desanimou. Ela quer ser professora por amor í  profissão. Poderia escolher diversas profissíµes, principalmente uma que pague melhores salários ou que tenha mais reconhecimento. Mas o que adianta fazer outra coisa se é isso que me deixa feliz? Acho que mesmo com toda a responsabilidade, vale muito í  pena passar as noites em claro e algumas horas estressantes, quando no final de uma aula um aluno te abraça e diz que te adora. Eu cresço cada dia mais. Isso sempre é uma troca de conhecimentos, e fazer parte dessa profissão tão honrosa me faz completa, afirmou a futura professora.

Ainda que tão nova, Stefany compartilha da mesma opinião com professoras que têm anos de profissão. í‰ o caso da professora de lí­ngua estrangeira, Liege Barbosa, que não se imagina fazendo outra coisa a não ser lecionar. O fato de ter uma mãe professora certamente influenciou bastante na minha decisão de seguir a mesma carreira. Porém, havia também o desejo e o sonho (aos 18 anos temos todos os sonhos do mundo) de contribuir para transformar a sociedade e melhorar o mundo, contou Liege, destacando ainda a importância de um professor. Embora continuamente desvalorizado, o professor tem um papel essencial na sociedade. Hoje, mais do que nunca, dele depende grande parte do sucesso ou fracasso da ação escolar, uma vez que o seu ní­vel de comprometimento e envolvimento com a causa educacional poderá levar seus alunos a apreciarem ou não os estudos, os livros, o saber, disse ela.

 

 

Novas formas de interação entre alunos e professores

 

 

Aula + café: Professora Liege (d) ensinando inglês de uma forma diferente

 

Hoje existem muitas dificuldades enfrentadas pelos professores não só quanto í  valorização da profissão, mas com relação í s atividades em sala de aula. Segundo a professora Liege Barbosa, os desafios aumentam a cada dia. Além do conhecimento especí­fico que cada professor/a deve ter dentro de sua área de atuação, ele/ela também precisa acompanhar o desenvolvimento tecnológico e fazer uso dos inúmeros recursos í  disposição para estimular e envolver seus alunos no processo de aprendizagem. Liege chamou atenção ainda para os debates que se travam em torno das novas tecnologias: As discussíµes sobre o uso de celulares, tablets e notebooks em sala de aula são necessárias, pois há professores que ainda resistem í  ideia de incorporar esses aparelhos í s atividades pedagógicas. Existem, porém, muitas experiências positivas nesse sentido em escolas de todo o Brasil e, acredito que, dentro de pouco tempo, veremos mais e mais professores abandonando essa atitude anacrí´nica e utilizando a tecnologia a seu favor".

A professora Liege diz que é preciso estar aberto a essas mudanças de interatividade, inclusive í  mudança principal (que já está ocorrendo em algumas escolas) no que diz respeito ao modo como vemos e organizamos a sala de aula. "Penso que muitos dos problemas disciplinares (e que afligem os professores hoje) poderiam ser resolvidos com uma organização mais dinâmica, mais centrada no aluno e em seus interesses, voltada para o desenvolvimento de projetos inter e multidisciplinares. Isso já ocorre em várias escolas, mas é preciso inovar e evoluir mais ainda, pois as novas geraçíµes estão cada vez mais exigentes, concluiu ela, falando ainda da força de vontade e amor í  profissão que tem que ter para ser um professor. Com tantos desafios e tanta responsabilidade, os professores são verdadeiros heróis aní´nimos e me congratulo com todos aqueles que sabem fazer a diferença na vida de seus alunos, finalizou.

 

Ser professora no século 21

 

ENTREVISTA com a pedagoga Andressa Cardoso

 

Diante das novas tecnologias, há novos nichos de mercado se abrindo para os professores,   como é o caso das áreas de informática   e pedagógica.   Para entendermos um pouco sobre como é ser professor nos dias de hoje, confira abaixo a entrevista com a pedagoga Andressa Cardoso.

 

Maiara – O que lhe motivou a ser professora?

Andressa – Com certeza foi a convicção de que através desta profissão poderei, de forma concreta, realizar meu sonho de adolescente: ajudar a transformar o mundo. Acredito que só por meio da educação a sociedade pode ser transformada, os coraçíµes alcançados. Pensava em ser muitas coisas, inclusive polí­tica, porém a educação me envolveu na certeza de que este é o melhor caminho para a transformação.

 

Na sua avaliação qual a importância de um professor?

Andressa – Vejo o professor como um grande formador de opinião e transmissor de valores. Valores estes que têm se perdido nos dias de hoje. Para mim o professor tem um papel imprescindí­vel de ensinar a viver e apontar caminhos, e não apenas de transmitir conhecimentos.

 

Como você conceitua seu papel de educadora?

Andressa – Atualmente trabalho com a informática pedagógica. Vejo meu papel como algo de grande importância nestes tempos onde a era digital tem nos alcançado com tamanha força. Amo a informática pedagógica. Tenho buscado a cada dia me especializar e conhecer mais, pois encaro a alfabetização digital como algo tão essencial quanto í  aquisição da leitura e da escrita para nossos alunos.


Como você vê a relação entre professor e aluno?

Andressa – Vejo nessa relação muitos pedidos de socorro dos alunos, que buscam no professor o carinho o afeto e a atenção que precisam. Porém esse clamor tem se manifestado de diversas formas, muitas vezes com revoltas, desafios e até por meio da violência. Essa relação precisa ser lapidada a cada dia, mas com certeza o primeiro passo tem que ser do educador para que o educando se sinta acolhido, amado, cuidado, e não apenas mais um   para ser avaliado.  

 

O que vem mudando (na educação do século 21)?

Andressa – Acredito que o que vem mudando é a visão que se tem hoje de um educador. Não se é mais o dono do conhecimento, mas sim um parceiro, um mediador com o papel de direcionar o educando em busca do aprendizado.

 

E com relação í s tecnologias, como está essa relação?  

Andressa – Vejo essa situação como algo ainda muito novo na educação. Com certeza haverá muito amadurecimento em relação í s novas tecnologias. O educador precisa aceitar o desafio de que hoje, assim como temos a alfabetização, precisamos trabalhar também com uma alfabetização digital, pois uma escola que deseja preparar o aluno para o mundo não pode ser omissa diante dos avanços tecnológicos. Nós precisamos correr atrás dessas transformaçíµes e porque não nos permitir aprender com nossos educandos que já nasceram na era da tecnologia?


Quais as maiores dificuldades enfrentadas em sala de aula?

Andressa – Vejo que a maior dificuldade encontrada na sala de aula é a ausência da famí­lia. O educando precisa do suporte familiar na vida escolar, e hoje a correria do dia a dia, a presença significativa da mulher no mercado de trabalho e a busca desenfreada pelo TER tem resultado na ausência dos pais na vida dos filhos, e isso reflete diretamente no contexto escolar.


Você acredita que os professores tem se comportado de maneira adequada em sala de aula, ou ainda há muitas divergências e coisas para melhorar?

Andressa – Com certeza ainda temos muito para melhorar. Precisamos quebrar paradigmas, mudar a cultura da acomodação e incutir as necessidades atuais e um aprendizado mais atraente e até mesmo mais lúdico. Sei que contamos com educadores que são verdadeiros mestres, mas entendo que o segredo de educar com qualidade, além de amar o que se faz, é não cair no comodismo e buscar amadurecer um pouco mais a cada dia. O educador precisa amar ensinar, mas, sobretudo amar aprender.

 

 

 


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