PROJETO PRAIA LIMPA TORRES NAS ESCOLAS: Agregando valores ambientais desde cedo

17 de abril de 2015

Professora da EMEI Sadi Pipet de Oliveira, voluntários do Praia Limpa e a turminha consciente  

 

Por Guile Rocha

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í‰ quando somos crianças que vivemos a vida mais felizes e despreocupados com o futuro, frequentemente levados por nossos instintos inocentemente, aproveitando o agora da forma que um monge zen budista aprovaria. Mas o nosso mundo é paradoxal e complexo, por isso cheio de regras que foram construí­das durante milhares de anos e civilizaçíµes, até chegarem a nossa estranha   e multifacetada realidade atual do ser-humano-internet. E para aprender as regras que nos formarão como cidadãos, preparados para encarar o mundo com alguma sabedoria e prudência, a escola ainda exerce um papel crucial.

A educação deve começar desde cedo, antes da escola, no âmbito familiar. Mas a escola também tem uma importante missão, é o lugar de transmissão de um patrimí´nio cultural considerado como relevante pela sociedade, uma bagagem para a formação de um cidadão decente. Neste contexto, o cuidado com a preservação do ambiente que vivemos – e dividimos com outros –   é uma das liçíµes importantes a serem captadas pelas crianças na fase mais rica do aprendizado: os primeiros anos do ensino infantil.

Aqui em Torres, o Projeto Praia Limpa Torres vêm realizando um trabalho de educação ambiental com crianças, de 3 a 7 anos de idade, matriculadas nas escolas municipais de educação Infantil (EMEI). Com apoio da Prefeitura e amparados pelo COMDICA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), o objetivo é sensibilizar e educar nossas crianças sobre os princí­pios básicos da educação ambiental, procurando alertar os efeitos negativos gerados pelas pessoas através do descarte de lixo na natureza.  O braço escolar do Praia Limpa é formado por três módulos oferecidos as crianças: 1) Palestra lúdica de educação ambiental; 2) Oficinas de Reciclagem; 3) Saí­da de campo com visita í s praias da cidade de Torres.

 

Participando da oficina de reutilização de materiais

 

 

Com 4 anos, crianças ajudam na confecção de uma lixeira feita de meia garrafa PET    

 

Na tarde de 15 de abril, fui convidado a  participar da oficina de Reciclagem realizada pelo Projeto Praia Limpa na EMEI Professor Sadi Pipet de Oliveira (popular Creche do Curtume). Lá chegando, fui recebido pelos coordenador Alexis Sanson e pelo professor Miguel Ayres, que preparavam a oficina para crianças com cerca de 4 anos. Após os olhares curiosos, risadas e a agitação pela novidade que nossa presença representava, as crianças foram se sentando e (com a ajuda da professora) a atenção foi sendo captada.

Os voluntários se dividiam para explicar, com paciência e dedicação, sobre a importância de descartar o lixo no lixo, dos perigos de pisar em materiais cortantes – como pregos e cacos de vidro – explicando ainda sobre o tempo de decomposição de materiais secos s e orgânicos (O copo plástico e latinha de  alumí­nio, por exemplo, demoram 100 mais de 200 anos para se decompor, e o vidro mais de 1.000 anos. Eles mostraram também a ‘mágica da reciclagem’, onde uma garrafa ‘se transforma’ numa camiseta (feita com material reciclável).   As crianças se divertiam, prestavam atenção e até opinavam. "Eu vou na praia e vejo muito lixo por lá", disse um menino.

 A próxima atividade foi interativa com os alunos, que receberam uma folha e tiveram de colorir e recortar (com auxí­lio dos professores) o mascote do Projeto Praia Limpa, o siri Olimpo (que tem esse nome pois é bem limpinho). Depois, o desenho foi colado numa pequena lixeira feita a partir de meia garrafa pet. E enquanto os alunos faziam sua tarefa, na própria sala de aula da EMEI Professor Sadi Pipet de Oliveira eu percebia que a prática da reciclagem já ocorria por lá: porta-lápis de garrafa, embalagens como base para brinquedos.

Ao final da transformação da garrafa em lixeira, as crianças receberam de brinde chaveiros, adesivos, bonés e camisetas do projeto, além de folhetos explicativos (e interativos), fruto do convênio firmado com o COMDICA . Na outra turma – desta vez com crianças por volta dos 5 anos – o processo da oficina de reciclagem se repetiu,   mas com um pouquinho a mais de atenção por parte da turma (até porque os alunos eram um ano mais velhos). "E se deixar o lixo no chão junta bicho", disse uma criança.

   

 

Conscientização que deve ser difundida

 

O trabalho do Praia Limpa Torres nas escolas vem sendo realizado desde o ano passado, quando cerca de 800 crianças entre 3 e 6 anos foram atendidas. Conforme Alexis Sanson – coordenador do projeto – em 2015 a meta é atender 1000 crianças de 11 EMEI torrenses "E por isso toda ajuda é bem vinda, através de voluntários que tenham experiência com educação infantil a fim de enriquecer ainda mais nossa módulo educacional.Trabalhamos pela conscientização das crianças e precisamos que os Pais também estimulem esses ensinamentos repassados em seus lares.  

Segundo o professor Miguel Ayres, o trabalho do Praia Limpa Torres nas escolas constitui-se como um exercí­cio primário de cidadania. "Se queremos que a educação ambiental se perpetue desde cedo temos ‘que cuidar nas nossas crianças, pois elas são nosso futuro’ (parafraseando Pelé após seu milésimo by browseonline">gol). Esperamos que estas crianças sejam os difusores das ideias de educação ambiental, o que já ocorre atualmente, pois os pais comentam conosco que seus filhos estão falando da separação do lixo, da reutilização de materiais. í‰ um trabalho de formiguinha, mas cujos frutos vamos continuar colhendo por tempo".

O professor Miguel ainda ressaltou que   – em várias EMEI visitadas pelo projeto –   já é possí­vel observar garrafas, embalagens , papel de jornal e outros materiais (que   poderiam ser considerados lixo) sendo reutilizados e transformados em novos (e úteis) objetos . "Essa ideia da reciclagem já é antiga na comunidade, precisamos fazer que ela fique mais em ênfase", disse ele. Perguntei sobre a possibilidade de haver alguma disciplina de Educação Ambiental ou Ecologia institucionalizada no calendário escolar (ao menos no contraturno). E Miguel (que é professor de fí­sica) disse que a ideia é válida, mas lembrou que, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), os temas transversais – como a educação ambiental – podem ser trabalhados por professores de qualquer licenciatura. "Assim, penso que se todos os professores trabalharem um pouco no assunto, a educação ambiental se tornaria num assunto tão amplo quanto as outras disciplinas. E acredito que este é o caminho", concluiu.


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