Questão da pouca água na Lagoa do Jacaré protagoniza debates acalorados

24 de janeiro de 2015

Imagem recente da Lagoa do Jacaré com pouca água (FOTO: Sander Farias)  

 

Por Fausto Júnior

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O cidadão Sander Farias está, já faz muito tempo, insistindo que a Lagoa do Jacaré estaria em processo de extinção. No ano de 2014, foram várias as inserçíµes do assunto na rede social Facebook, onde Sander (que é, também, proprietário de terras no entorno da Lagoa) alertava autoridades legislativas (vereadores), executivas e órgãos de controle ambientais municipais e estaduais sobre o seu medo de que ocorresse a perda deste patrimí´nio hí­drico caso não fosse feito alguma coisa. Até queixa-crime (no Ministério Público de Torres) Sander protocolou, pedindo ajuda para sua teoria da evolutiva secagem da água da lagoa, que estaria ocorrendo de forma progressiva no local nos últimos anos. Os chamamentos na rede social eram sempre fortes e contundentes.

 

Postagem com ataques   gerou uma espécie de acareação

 

Na semana passada o cidadão que defende de forma altruí­sta (mas agressiva) o tema da proteção do futuro da Lagoa empreendeu mais uma postagem. Desta vez, tecendo certas acusaçíµes de omissão por parte de todos envolvidos, o que gerou um debate acalorado abaixo de sua postagem no Facebook. Foi quando o atual presidente da Câmara, o Gimi Vidal (PMDB) resolveu convocar para esta última quinta-feira (22) um encontro, como uma espécie de acareação entre os órgãos consultados anteriormente sobre o assunto e Sander Farias. í‰ que o próprio Gimi já havia solicitado í  Patram (Patrulha Ambiental) que se posicionasse no ano passado, o que houve. E para a Patram, não haviam os crimes ambientais que Sander sugere. O pessoal da ONG Onda Verde, preocupado com as denúncias, também esteve na Lagoa do Jacaré e comunicou por nota para a imprensa que o local estava normal, sem maiores problemas ambientais. Mas Sander não teria ficado satisfeito com as posturas das autoridades.

A reunião aconteceu na tarde de quinta, com a presença de vários vereadores da Câmara de Torres,  a secretaria do Meio ambiente municipal, a Patram, a ONG Onda Verde, a secretaria de Agricultura de Torres, os gestores locais do Comitê de gerenciamento da Bacia do Rio Mampituba, o Sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras Rurais, representantes de proprietários de plantadores de arroz da região e várias pessoas incentivadas pela postagem na rede social, que foram lá conferir o que efetivamente estaria acontecendo na Lagoa do Jacaré.

O vereador Gimi “ presidente da Câmara e idealizador da reunião de esclarecimentos – abriu o encontro e lembrou que a Câmara não teria o dever de auditar diretamente a Lagoa, mas que tem o dever de provocar o debate (como estava acontecendo). Sander mais uma vez explanou sua teoria em que deduz que a Lagoa do Jacaré, nos últimos 30 anos, teria sido reduzida pela metade no que tange ao volume de água. Ele sugeriu que a mazela seria causada por valas irregulares, que teriam de ser de entrada de água, mas estariam servindo para a maior saí­da d™água na lagoa.

 

Técnicos dizem que não há crime ambiental na Lagoa

 

A seguir todos os técnicos deram seus pareceres. A princí­pio eles repetiram o que já haviam diagnosticado anteriormente. Para todos, Não há crime ambiental na Lagoa do Jacaré. Todas as auditorias das autoridades afirmam que há um processo natural de assoreamento de todas as lagoas de regiíµes litorâneas, e que o caso da Lagoa do Jacaré não seria crí­tico: a matéria orgânica provoca o crescimento de gramí­neas, no fundo e em seu entorno, o que assoreia e diminui visualmente á área de água lí­mpida.

Mesmo assim, todos concordam que a influência da presença humana crescente no seu entorno acaba acelerando o processo, embora ainda não seja crí´nico. E moradores da região (que utilizam a água da lagoa) afirmam até que o homem e o manejo de suas terras acaba ajudando a manter a entrada de água na lagoa – o que não foi contestado.

Ficou em consenso entre os participantes, que será feita uma analise mais aprofundada no assunto nos próximos perí­odos. Todas as entidades, protetoras ambientais, protetoras da produção, os vereadores e o próprio Sander querem tentar entender melhor o processo e tentar, de alguma forma, propor obras de engenharia que preservem a Lagoa e sua importância para o futuro da região.

 

Cidadão se conforta e agradece pelo Facebook

 

Após a reunião, o mobilizador do debate parece que se conscientizou da boa vontade de todos envolvidos. Ele se manifestou na rede social Facebook agradecendo a reunião. Segue abaixo a postagem de Sander Farias no final da tarde de quinta, após o término do encontro promovido pelo presidente da Câmara, vereador Gimi.

 

Amigos, a reunião hoje na câmara de vereadores de Torres foi de grande proveito. Existe uma aparente unanimidade em relação í  proteção ambiental da Lagoa do Jacaré.

O presidente da câmara  Gimi Vidal  ouviu os diversos órgãos ambientais, o secretário do meio ambiente municipal, o técnico agrí´nomo da secretaria municipal de agricultura e da pesca, a presidente do comitê da bacia do Mampituba e o Gestor do Parque de Itapeva onde a micro-bacia do Jacaré está inserida e a PATRAN. Os vereadores Marcos Klaussen, Carlos Monteiro (tubarão) Gisa Webber, Antonio Machado, Alessandro Bauer, Ernando Elias também estiveram presentes. Existem carências e encaminhamentos no qual todos estão engajados em solucionar. Obrigado pela forma cordial em que fui recebido

 

 


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