Renascer: novas atividades destacam o aeroporto de Torres

1 de maio de 2012

Escola de voo civil coloca aeroporto para funcionar

 

Após primeiros anos de relativo esquecimento, o aeroporto torrense vêm agora recebendo o devido respeito da atual administração

 

 

Por Lucas Aguirre

 

 

Construção e Inutilização

 

O Aeroporto Regional do Litoral Norte, localizado aqui em Torres, foi construí­do em 1998, com verba integral do Governo do Estado, na época sob a tutela de Antí´nio Britto. O investimento, que custou aos cofres 9 milhíµes de reais, fora realizado com olhos no Turismo: o impulso que levou í  sua construção era a acomodação do então grande número de turistas e veranistas argentinos que povoava a região durante a alta temporada, imaginando receber um fluxo considerável de voos charter (fretados) advindos da Argentina. Em consequência, a rotina do aeroporto também acabaria, pela lógica, recebendo também   veranistas brasileiros.

O uso idealizado, porém, dependia de uma sustentação do número de turistas originários da Argentina. Pouco tempo após a inauguração, entretanto, o aeroporto seria confrontado com a feroz depressão econí´mica dos nossos hermanos que, quase imediatamente, contraiu os gastos de sua população e derrubou a função imaginada para o aeroporto torrense; o de servir de receptáculo ao turismo direcionado ao Litoral Norte gaúcho. Ao invés, a invejável estrutura do aeroporto regional ficou reservada ao aeroclube local e eventuais voos particulares. A média de 20 decolagens e aterrissagens por mês, mantida entre 1998 e 2011, caracterizava o aeroporto como praticamente inativo.

 

 

Aproveitamento da estrutura: do uso indevido ao atendimento das demandas

 

Segundo o atual Administrador do Aeroporto Regional do Litoral Norte, Kennedy Gularte Seger, encarregado desde 2011 pelo espaço, a estrutura estava sendo indevidamente utilizado nos 13 anos que antecederam sua chegada. Isso porque, do ponto de vista puramente estrutural, o aeródromo conta com pista asfaltada de 1,5km, com sustentabilidade de 32 mil toneladas por trem de pouso (capacitada para receber aviíµes de carga) e dotada de excelente sistema de drenagem. Conta com sistema operacional de administração de voos moderno, que inclui equipamentos que possibilitam o balizamento noturno, além de gerador reserva e suficiente espaço para expansão de sua área de hangares. Em resumo, e na opinião de todos os entrevistados para esta matéria, o aeroporto em questão é excelente para o seu tamanho.

De acordo com Kennedy, a não-utilização do aeroporto í  sua capacidade possí­vel, foi um problema de gestão. Derrotado o plano inicial de recebimento de passageiros sazonais e estrangeiros, não houve o esforço de explorar as demais possibilidades da invejável estrutura do aeroporto regional para pí´-la em real funcionamento.

Sob a atual administração, o aeroporto já abriga a escola de paraquedismo Arcanjos, a escola de formação de pilotos civis Realiza, e já formalizou concessão para a rede de aluguéis de carro Localiza, que terá no espaço aeroportuário sua sede operacional de veí­culos para todo o Litoral Norte, Serra Gaúcha e região sul de Santa Catarina.

O potencial de recebimento de aviíµes de carga também já está sendo explorado, recebendo voos regulares da Total Aerolí­neas de carga e JadLog, nos momentos em que o Aeroporto Internacional Salgado Filho encontra-se saturado ou acometido de um dos frequentes nevoeiros. A abertura destes precedentes, somado í  estratégica posição geográfica do aeroporto, aumentou a procura de empresas que intencionam investir em logí­stica a partir da cidade de Torres. Estamos estudando a formalização de diversos contratos para atender descarregamentos guiados, tanto para o RS quanto para Santa Catarina, completa Kennedy.

O enfoque do recebimento de passageiros foi, também, modificado. A curta distância entre Torres e Porto Alegre, Criciúma e outras cidades de notável fluxo comercial acabou por atrair para pouso em Torres empresários em busca de agilidade, em sua locomoção e movimentação: o tráfego leve do aeródromo torna essa intenção realidade.

 

 

Espaço para crescer

 

O resultado conjunto destes esforços, possibilitados pela Secretaria de Infraestrutura e Logí­stica do estado e Governo Estadual, foi um aumento de voos mensais de 20 para 180, ainda utilizando apenas uma parcela do potencial total do aeroporto. A expectativa é de aumento de cerca de 50% desse número para o ano que vem, diz Kennedy.

O dinâmico aumento na sua utilização ainda não chegou ao seu fim. A administração do aeroporto espera, em parceria com a empresa aérea NHT, reavivar o transporte de passageiros coletivo, em aeronaves médias, com cerca de 60 passageiros. Está em estudo a criação de uma linha semanal Torres-Caxias-Porto Alegre. Houveram três reuniíµes entre as partes interessadas sendo que, na última delas, a empresa realizou visita ao aeroporto, revela Kennedy. Razíµes para deixar o habitante torrense otimista com a utilização de seu aeroporto.

 

 

Para quem sonha voar

 

Quem não conhece a Escola de Pilotos Civis Realizar, é bom se familiarizar: pelos próximos quinze anos, o espaço dela no aeroporto de Torres está garantido. Vencedora de licitação aberta pela administração, a escola já capacita pilotos com uma frota de quatro aeronaves semi-novas, todas equipadas com aparelhos de ponta, capazes de simular com precisão a experiência de voo. A área de Torres facilita o ensino, por ter poucas edificaçíµes e tráfego aéreo, declara o Comandante Joel Krás, responsável pela escola.

Atualmente qualificando 26 alunos, a escola oferece cursos tanto para piloto privado quanto comercial, que demandam 35 horas/voo e 150 horas/voo, respectivamente. Todos os nossos alunos estão em busca da licença de piloto comercial, assegura o Comandante. Kras.

Uma das alunas é a jovem Cristina Macahiba, mineira de 20 anos de idade, prova viva de que nem idade, nem gênero, impedem a formação de um (ou uma) piloto. Há cerca de dois meses de conquistar sua licença, Cristina encontra-se alojada nas acomodaçíµes da escola, após iniciar sua formação prática no interior de SP. A reputação da escola me fez vir até Torres, aqui as condiçíµes de aula são excelentes, indica ela.

Kelwin Barros, aspirante a piloto torrense, destaca o preço baixo e as condiçíµes positivas da escola e do aeroporto: Os aviíµes são mais novos do que os do aeródromo de Porto Alegre, e a estrutura do aeroporto de Torres é superior.

O mercado em expansão para pilotos comerciais praticamente assegura vaga empregatí­cia ao completada a formação. Recentemente, perdemos um de nossos instrutores para o trabalho em linha, que irá trabalhar com aviíµes de passageiros, lamenta Joel.

Mês que vem, a Realizar receberá a sua mais nova aquisição para a frota: uma aeronave Piper PA-28 Warrior. Já em construção está o hangar privativo da escola, que contará, além de espaço para abrigar sete aeronaves, os novos alojamentos, refeitório e administração.

 

 

Kelwin Barros é um dos alunos inscritos na Realizar

 

 

 

 

 

 


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