TECNOLOGIAS Mí“VEIS: Seráque épossí­vel (con)viver sem elas?

1 de dezembro de 2014

As ferramentas tecnológicas estão cada vez mais inseridas em nosso cotidiano e a cada dia que passa nos tornamos mais dependentes delas. Exemplo disso é a quantidade de celulares em uso no mundo. Segundo estimativa da União Internacional das Telecomunicaçíµes (UIT), até o final de 2014 o mundo terá quase 7 bilhíµes de celulares sendo utilizados, quantidade que se equipara ao número de habitantes do planeta.  

 

 

Por Maiara Raupp

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No Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicaçíµes (Anatel), o número de celulares ultrapassou a  marca de um celular por habitante  em novembro de 2010. Dados divulgados recentemente pela Anatel mostram que o paí­s fechou março de 2014 com mais de 273,5 milhíµes de linhas ativas na telefonia móvel.

O uso da internet nos celulares também registra crescimento. Atualmente, 2,3 bilhíµes de usuários de celulares navegam na web pelo aparelho, o que corresponde a 32% de população mundial. Até o final de 2014, a UIT prevê que serão mais de 3 bilhíµes de usuários de conexíµes de internet em todo o mundo.

Seja em casa, na escola, no trabalho, tem sempre um celular tocando ou um sendo utilizado como aparelho de som, máquina fotográfica ou computador. Na mesma velocidade em que a tecnologia evolui, novos recursos facilitadores aparecem e, em contrapartida, surgem novas dificuldades para saber como lidar com essas novidades que invadem nosso cotidiano.

 

Torrenses opinam

 

Quando penso o quanto a tecnologia está inserida em nossas vidas chego a sentir saudades do passado. Hoje vivemos uma época em que não usar as (novas) tecnologia é estar fora do mundo. A tecnologia deixou de ser um referencial. Se transformou em obrigatoriedade, afirmou a secretária torrense Anelise Bossler, acrescentando ainda que não é contra a tecnologia, mas que se deve ter limites para usá-la. A tecnologia está totalmente inserida na minha vida e no meu trabalho. í‰ impossí­vel que hoje alguém tire-a por completo. Mas devemos buscar o autocontrole sobre os aparelhos. Acredito que a tecnologia pode e deve ser utilizada para o crescimento das pessoas e não as pessoas crescerem dependendo dela. Tenho consciência de que ela é facilitadora de tarefas, mas no meu ponto de vista não substitui a mente humana. Prefiro estar sempre rodeadas de amigos e familiares, desfrutando de um ótimo dia de sol com eles. Por isso dou limites aos meus filhos. Incentivo as brincadeiras ao ar livre e estimulo o contato com as pessoas. Mostrando sempre a importância do conví­vio com amigos, uma conversa olho no olho, um abraço, completou Anelise.

A torrense Maí­sa Mello também utiliza bastante a tecnologia em seu dia a dia. Mesmo que í s vezes seja difí­cil, ela procura manter o controle do uso, além de colocar limites em sua filha, de apenas 2 anos. Eu acredito que hoje somos muito dependentes da tecnologia. Eu costumo passar algumas horas em frente ao notebook e í s vezes me sinto extremamente ligada ao celular. ís vezes é incontrolável a vontade de ler a mensagem recebida no celular, mas tento me segurar, principalmente na hora das refeiçíµes. Hoje faz dois meses que meu celular estragou e ainda não comprei outro. No começo foi difí­cil, mas hoje uso o da minha mãe apenas para efetuar e receber ligaçíµes. Me vi com mais tempo, confessou Maí­sa.

Para sua filha não ficar muito tempo envolvida com aparelhos eletrí´nicos, Maí­sa tenta controlar. Minha filha curte ver um filminho na televisão ou videozinhos no notebook. Mas como toda criança tem curiosidade de tudo, eu sou um pouco controladora e não costumo deixar ela muito em frente í  tela não. Quero que ela brinque na rua como eu fazia quando criança. Que corra, que pule. Sem internet ou tablet, é claro. Não sei como isso será no futuro, mas estou tentando mantê-la longe do que não for adequado í  idade dela. Amamos a tecnologia, mas tem que ser na medida certa, concluiu Maí­sa.

 

 

Anelise e os filhos: aproveitando o sol e brincando ao ar livre

 

Mudança de comportamento e os riscos í  saúde

 

A  internet, o telefone celular e muitos novos equipamentos de tecnologia da informação estão transformando o comportamento e as formas de se relacionar com a famí­lia, com os amigos e com as novas possibilidades de viajar pelo mundo sem sair de casa. Mas, também, surgem novos riscos í  saúde para a geração da era digital, devido ao excesso de horas no uso do computador, deficiência de sono e hábitos sedentários, queda do rendimento escolar, pornografia e pedofilia  on-line.

Pesquisas cientí­ficas mostram um aumento no risco de vários problemas emocionais e neurológicos frente ao uso superior a quatro horas diárias dessas tecnologias.  Quanto menor a idade, menos tempo é indicado para o uso de tecnologias.  Mas o que encontramos é uma realidade bem diferente dessa.

Os principais prejuí­zos segundo o estudo são sensação de solidão, depressão, obesidade, ansiedade, baixa autoestima e aumento de agressividade.  As pesquisas indicam que boa parte dos adolescentes que costumam passar muito tempo conectados sentem desânimo, tristeza ou depressão pelo menos uma vez por semana. Este sentimento de vazio pode ser potencializado em uma casa onde todos, nos momentos de possí­vel convivência, encontram-se conectados e isolados em seu mundo, com zero de interação.

Os estudos mostram ainda que cérebro superexposto a essas tecnologias pode ter um déficit em seu funcionamento  tanto em execução quanto em atenção. Pode sofrer com atrasos no aprendizado, raiva expressiva, maior impulsividade, dificuldade de concentração, dentre outros.

De acordo com a psicopedagoga torrense, Bernadete Santos, a proibição do uso não é o caminho. Sabemos a importância da tecnologia nos dias de hoje. Mas tem que saber usá-la, já que o apego pode levar a prejuí­zos desnecessários. Tem que haver adequação para cada faixa de idade. Muitas crianças estão perdendo muito tempo com ela. Sua infância está passando. Estão menos criativas. Se tornaram escravas da tecnologia. Carinho, amor, interação social, contato e outras atividades fazem parte do desenvolvimento saudável. Isso é muito necessário, destacou Bernadete. A pedadoga ressaltou também que em sala de aula ainda não dá para liberar o uso da tecnologia. Para realizar pesquisas acredito que seja essencial a liberação no ambiente escolar, mas tem que saber usar. Hoje em dia há descontrole, não há regras e isso é preocupante, concluiu Bernadete.

Tecnologias e o ambiente escolar

 

Crianças tecnológicas e salas de aula

 

Antes um celular era restrito ao universo adulto. Hoje os aparelhos já fazem parte do mundo infantil. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí­lios (Pnad), divulgada em setembro,  revelou que 58,7% de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos na região Sul têm celular. Mas antes dessa idade, as crianças já começam a ter contato com o dispositivo.

Sem conseguir conter o uso dos smartphones em sala de aula, muitas escolas estão preferindo tratá-los como aliados, e transformando os aparelhos em instrumentos pedagógicos. A sugestão de muitos pesquisadores é o uso pedagógico dos smart ­phones. Pode-se utilizar para pesquisas em dicionários on-line ou aplicativos, a câmera como recurso nas aulas de artes, as redes sociais com geolocalização para as aulas de geografia. Tudo depende do propósito pedagógico e da disponibilidade do professor.

Os celulares ajudam a buscar informaçíµes adicionais de forma mais rápida e ainda a simular situaçíµes. Essas tarefas também seriam possí­veis sem o uso da mobilidade, mas não teriam a mesma agilidade.

O uso de aparelhos em sala não agrada a todos os professores. Pesquisa realizada pela Fundação Nacional de Ciência da Universidade do Estado de Michigan (EUA) confirmou o que muitos desconfiam: o uso de aparelhos eletrí´nicos em sala de aula é altamente prejudicial ao desempenho dos alunos quando utilizados sem o propósito pedagógico. Depois de avaliar 500 alunos, os pesquisadores concluí­ram que mesmo os melhores alunos saem prejudicados se o aparelho for usado em aula sem a finalidade acadêmica.

Sem consenso ainda entre os professores sobre os benefí­cios da tecnologia, há espaço para ambos os comportamentos: usar e não usar. Alguns docentes usam o smartphone de forma restrita, para pesquisa de temas ou apresentação de trabalhos em sala de aula, enquanto outros não permitem nem que os alunos o deixem í  vista, pois acham que ocorre uma dispersão dos estudantes durante as explicaçíµes. Para incorporar os smartphones nas classes é preciso preparo dos professores e planejamento para as aulas. Existem programas, pagos e gratuitos, que podem auxiliar o professor nessa tarefa.

Em Torres esse cenário também não é diferente. Segundo a professora de lí­nguas estrangeiras, Liege Barbosa, as discussíµes sobre o uso de celulares, tablets e notebooks em sala de aula são necessárias, pois há professores que ainda resistem í  ideia de incorporar esses aparelhos í s atividades pedagógicas. Existem muitas experiências positivas nesse sentido em escolas de todo o Brasil e, acredito que, dentro de pouco tempo, veremos mais e mais professores abandonando essa atitude anacrí´nica e utilizando a tecnologia a seu favor. í‰ preciso estar aberto a essas mudanças todas, inclusive í  mudança principal que deverá ocorrer (já está ocorrendo em algumas escolas) e que diz respeito ao modo como vemos e organizamos a sala de aula. Penso que muitos dos problemas disciplinares (e que afligem os professores hoje) poderiam ser resolvidos com uma organização mais dinâmica, mais centrada no aluno e em seus interesses, voltada para o desenvolvimento de projetos inter e multidisciplinares. Isso já ocorre em várias escolas, mas é preciso inovar e evoluir mais ainda, pois as novas geraçíµes estão cada vez mais exigentes, garantiu Liege.

 

Aprendendo com as tecnologias

 

Apesar de ainda haver resistência ao uso de celulares em sala de aula, a Unesco acredita que os aparelhos podem sim auxiliar no processo de aprendizado.   A organização lançou um guia, apresentado em Paris durante a Mobile Learning Week (Semana de Aprendizado sobre Celulares), que traz 10 recomendaçíµes para ajudar governos a inserir o uso de celulares em escolas. Além disso, no documento estão 13 motivos para fazer dos aparelhos aliados da educação. Confira na imagem.

 

 

 

 


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