A Corregedoria da Brigada Militar concluiu, nesta semana, um inquérito que resultou no afastamento de oito policiais militares lotados em Torres, no Litoral Norte gaúcho. Os agentes são investigados por tortura e por “plantar” drogas em um veículo para justificar a prisão de um homem, em fatos que teriam ocorrido durante o ano de 2025.
Segundo a investigação, integrantes da Força Tática teriam agredido um suspeito com socos e chutes durante uma abordagem. Na sequência, agentes do setor de inteligência da própria corporação teriam sido acionados para levar tijolos de maconha até o local, com o intuito de simular um flagrante de tráfico. Para esconder as agressões, os policiais teriam provocado danos ao veículo do homem, tentando simular que os ferimentos foram causados por um acidente de trânsito.
A prova central do caso foi obtida por meio de vídeos registrados nos celulares dos próprios policiais, onde um dos soldados aparece coordenando as agressões. Em um dos registros, agentes chegam ao local com o material entorpecente fazendo piadas, referindo-se à entrega como “Sedex” ou “iFood”. A vítima sofreu uma fratura na mandíbula e chegou a permanecer presa por três meses devido à ocorrência forjada.
O inquérito policial militar foi encaminhado à Promotoria de Justiça Militar, que avaliará se oferece denúncia contra os envolvidos. Em nota, a Brigada Militar afirmou que o afastamento visa a responsabilização administrativa e a avaliação da permanência dos militares na instituição, ressaltando que não tolera práticas de crimes de tortura em seus quadros. (FONTE – Terra.com.br)
Processo que resultou na prisão foi suspenso
A Justiça do RS suspendeu o processo contra o homem que aparece em imagens sendo agredido por policiais militares em Torres, no Litoral Norte do RS, após ser preso por suspeita de tráfico de drogas. O pedido leva em conta o conteúdo do vídeo.
A advogada do homem pediu também a anulação integral do processo. “O Estado não tem autorização para violar direitos, torturar, manipular provas ou agir fora da lei. O papel dos agentes públicos é justamente o contrário: proteger, agir com correção e garantir que o processo seja justo”, afirmou. Ela reforça ainda que o veio à tona agora, com a conclusão do Inquérito Policial Militar, “confirma práticas que jamais poderiam ter acontecido”.
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