Aconteceu nesta quarta-feira (4 de março), o Fórum de Competitividade Torres – Litoral Norte. O evento ocorreu nas dependências da Ulbra Torres e é de iniciativa do governo do Estado do RS – através da Secretaria de Desenvolvimento do RS, que tem como secretário o ex-prefeito de Morrinhos, Leandro Evaldt.
O prefeito de Torres, Delci Dimer, participou na abertura do evento. Conforme informa Delci, o fomento da interrelação de atividades públicas e privadas faz parte da estratégia do governo municipal, por isso a comemoração (e apoio) da municipalidade frente ao evento.
Dentre várias palestras, manifestações e explicações técnicas no Fórum, o assunto que foi “protagonista principal” para a região foram os problemas de saneamento básico, atualmente atendidos pela concessionária Aegea/ Corsan – empresa que venceu o leilão da privatização do sistema de saneamento no RS, que opera na maioria das cidades gaúchas (incluindo Torres e região).
O presidente do Fórum Empresarial de Torres, empresário Eraclides Maggi, proferiu uma palestra com propostas “de fundo”. Ou seja, tratou a questão de competitividade do evento sugerindo necessárias abordagens em projetos estruturantes, como Energia, Saneamento, Sistema Viário, Saúde, Segurança e etc. Mas, na prática, também abordou (em seu pronunciamento) as mazelas causadas por vazamento de esgoto no centro e em bairros de Torres, para ele problema “inédito na história da cidade”, pelo número expressivo de casos nesta temporada de verão. “Penso que a prefeitura e a Corsan devem uma explicação e um plano de resolução urgente sobre isso”, disse o presidente do Fórum Empresarial de Torres.
Eraclides também citou alguns desafios estruturantes que devem ser mais trabalhados na região e em Torres, como a chegada do Porto em Arroio do Sal, pedindo que se tenha um projeto de acesso e logística viária para receber os caminhões de carga e descarga no porto, por exemplo. Ainda falou da necessidade de um ‘upgrade’ no atendimento hospitalar em Torres – e pediu atenção das autoridades para que haja viabilização de voos sistêmicos no terminal aeroportuário. Aeroporto que, como lembrou Eraclides, “já recebeu melhorias e está mais pronto para atender maiores demandas”.
Citou afinal o sistema viário de acesso a cidade, afirmando que se trata de “um cartão de vai embora”, para os turistas e veranistas que aqui chegam. Em suma; o Presidente do Fórum Empresarial de Torres pediu que o Estado do RS e a prefeitura local trabalhassem tendo os projetos estruturantes como prioridade.
Corsan estampa desafio colocado para a privatização
Em sua participação, o gerente de relações institucionais da Corsan/Aegea, Cesar Faccioli, apresentou um resumo sobre a estrutura da Corsan e os planos de investimentos previstos e realizados pela empresa no RS desde a privatização (ocorrida em 2023). A seguir, salientou que a privatização (da então estatal Corsan) foi efetivada, justamente, porque a empresa – enquanto gerida pelo Estado do RS – não possuía “nenhuma chance” de atingir as metas de universalização do saneamento, definidas no marco nacional, a serem entregues até o ano de 2033. E afirmou que a empresa projeta dezenas de bilhões em investimentos no estado do RS, incluindo o Litoral Norte como ponto de destaque, ainda.
Sobre saneamento, o presidente da Associação de Construtores de Torres (ACTOR), Ramon Biasi Kras, lamentou que a construção civil de Torres tem aparecido em alguns casos como causadora de problemas ambientais na cidade. Salientou que, ao contrário, as empresas de Construção Civil e empreendimentos imobiliários locais precisam da preservação da natureza para sobreviverem, porque “é esse o perfil do consumidor de imóveis e moradores da cidade”, disse. “Trabalhar contra a natureza seria um tiro no pé de nossas empresas”, desabafou.
Ele teme que os movimentos que se coloquem críticos às atividades de desenvolvimento da construção civil em Torres poderiam causar ‘um caos’ no sistema econômico e social locais, por conta do risco de haver, mais uma vez, uma ação civil pública que interrompa novas construções, como já houve no início dos anos 2000. “A cidade de Torres quebraria, caso mais uma vez movimentos contrários a construção pressionassem a sociedade a limitar a atividade” opinou o líder da ACTOR.









