O agrônomo argentino Fernando Pia, referência em agricultura sustentável na América Latina, apresentou no dia 27 de julho para agricultoras e agricultores do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia, o método biointensivo de cultivo de alimentos orgânicos.
Fernando Pia é fundador e diretor do Centro de Investigación y Enseñanza en Agricultura Sostenible (Ciesa) localizado na Patagônia. O curso Horta Orgânica Biointensiva foi realizado no município de Dom Pedro de Alcântara, no centro comunitário de Porto Colônia e na propriedade de Luiz Matos Oliveira e Elisane Pereira – sendo que teve organização do Centro Ecológico, Anama, Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia e Cooperativa Econativa.
O método biointensivo é uma abordagem focada no aumento da produtividade de pequenas áreas cultivadas, basicamente a partir da recuperação e manutenção da fertilidade do solo, proteção dos cultivos, e mudas feitas pelas próprias famílias a partir de sementes mais adaptadas ao clima local.
Para cuidar do solo, a agricultura biointensiva enfatiza o uso de composto de alta qualidade feito com materiais que em geral as famílias têm à disposição: palhas, resíduos de diferentes culturas, resíduos vegetais de toda ordem, de pasto, de horta. “A partir do composto que a gente vai mantendo a fertilidade do solo ao longo do tempo”, descreveu o agrônomo Gustavo Martins, da Ação Nascente Maquiné (Anama).
Para a proteção dos cultivos, Fernando Pia propõe a instalação de pequenas estufas, adequadas a pequenas áreas e de baixo investimento também. “A gente trabalhou na instalação de uma pequena estufa, um túnel baixo, rápida montagem, com materiais de fácil acesso também. A proteção garante mais produtividade por oferecer melhores condições para as plantas se desenvolverem, ou menores perdas em função de situações climáticas, ataques de insetos e aves”, relatou Gustavo.
Complementar ao método biointensivo, o curso destacou a importância de mudas produzidas pelas próprias famílias a partir de sementes locais, o que contribui para o desenvolvimento de variedades mais adaptadas ao ambiente, com maior sanidade e rusticidade, permitindo às famílias mais controle e segurança sobre o que estão plantando e sobre os resultados da colheita.
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