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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

Uso consciente e preservação da Lagoa Itapeva em pauta
Sex, 25 de Novembro de 2016 15:55

 

 Fonte primordial de água potável para os  habitantes Torres e região, do qual pescadores e moradores se beneficiaram por gerações, a Lagoa da Itapeva será pauta no V Fórum Regional de Preservação das Águas da Lagoa Itapeva, que ocorrerá dia 30 em Três Cachoeiras.

 

 

Por Guile Rocha

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A região de Torres é privilegiada no aspecto da disponibilidade hídrica. Pertencendo a duas bacias hidrográficas, a região  é abastecido pelas águas da Lagoa de Itapeva (integrada a Bacia do Rio Tramandai),  lagoa que deposita seus afluentes no rio Mampituba( este integrado a Bacia do Rio Mampituba). 

A Itapeva é uma lagoa litorânea, que possui aproximadamente 31,50 quilômetros de extensão e largura média de cinco quilômetros - estando inserida na Bacia do Rio Tramandaí. Terra de Areia, Três Forquilhas, Três Cachoeiras, Dom Pedro de Alcântara, Torres e Arroio do Sal a margeiam, sendo que Torres e Arroio do Sal são diretamente abastecidos com água captada dela e tratada pela Corsan para consumo. O curso d'água mesmo que desprestigiado, ainda comporta atividades de pesca artesanal devido ao encontro das águas e da vida marinha resultante

Conforme indica a SEMA (Secretaria de Meio Ambiente do RS), a fauna e a flora do entorno da Lagoa Itapeva e no seu interior são características da Planície Costeira do RS. Quanto aos ecossistemas, temos banhados, matas de restingas, mata paludosa, cordões de dunas e campos nativos. Nela ainda aparece em grande quantidade, maciços arbóreos e ninhais de aves aquáticas, além de ser encontrado ratões do banhado, lagartos e tatus.

A ocupação do entorno ocorre como, atividade agropastoris de subsistência, culturas de arroz, milho, feijão, mandioca, cana, psiculturas, pecuária de leite, gado de corte, etc.

Já é sabido pelo meio acadêmico que lagoas litorâneas são frágeis e tendem a secar com o passar do tempo geológico, pois constantemente recebem sedimentos provenientes da erosão das terras altas, causando assoreamento das mesmas.  No caso da lagoa Itapeva não é diferente; ela recebe uma quantidade enorme de sedimentos depositados pelos dois principais rios que desembocam em suas margens – o rio Três Forquilhas e o Rio Cardoso. E a poluição acaba acelerando esse processo (o que se torna preocupante se pensarmos que a Lagoa Itapeva é essencial para o abastecimento de água da região de Torres)

 

Alerta contra a poluição da lagoa

 

Ano passado, durante o IV Fórum Regional de Preservação das Águas da Lagoa Itapeva, foram apresentados resultados preocupantes da análises das águas em pontos da Lagoa - já que foram encontrados elementos nocivos à saúde em níveis acima do permitido. A CORSAN e a Secretaria Estadual de Saneamento apresentaram dados sobre cobertura de água e esgoto nos municípios de entorno da lagoa (e também de outras lagoas do Litoral Norte). Alertaram sobre a importância da instalação de fossa, filtro e sumidouro para tratamento do esgoto sanitário.

Especialistas de diversas áreas contribuíram com palestras sobre o entorno da Lagoa, seu uso e preservação. Gestores das Unidades de Conservação APA Lagoa Itapeva e Parque Estadual de Itapeva (PEVA) apresentaram temas relativos às suas áreas. Mestres e Doutores da UFGRS também trouxeram suas contribuições sobre os temas abordados.

E a quinta edição do Fórum Regional de Preservação das Águas da Lagoa Itapeva acontecerá no dia 30 no município de Três Cachoeiras. As atividades ocorrerão entre as 8h30 da manhã e as 17h (com intervalo para almoço) no auditório da refeitura municipal. Além de palestras com especialistas, a programação terá exposição de produtos da biodiversidade, de atividades ambientais dos municípios da região e distribuição de mudas nativas

 

Alternativas para melhor uso

 

Dani dos Santos Pereira, é ex-secretário de Ação Social de Torres e que até recentemente era presidente das Associações de Bairros de Torres. Ele denunciou, em coluna no jornal A FOLHA (publicada em dezembro de 2015), o que lhe diziam pessoas que moram nas redondezas da Lagoa Itapeva e conhecedoras do espaço: que o local apresenta suas margens degradadas por construções irregulares, desmatamento da mata ciliar, irrigação de lavouras, acúmulo de lixo doméstico e ligações clandestinas de esgoto. "Percebe-se como imprescindível a recuperação não apenas da área adjacente à foz. Foi criado comitê do Rio Tramandaí para tratar da completa recuperação de seu manancial, buscando tornar a orla também boa para lazer balneável e pesca artesanal. A Lagoa da Itapeva é um espaço  que pode ser explorado comercialmente, para transporte aquático, e esportivamente. A massa de árvores existente nas suas margens concentra espécies da flora e fauna que merecem ser preservadas. Nas declividades mais altas do terreno de suas margens existem desde Cemitérios a lixões, que precisam urgentemente de estudos (visando diminuir os impactos na lagoa) ", finaliza Dani dos Santos.

Conforme informações da presidente do Comitê Local da Bacia do Rio Mampituba, Leonila Ramos, a  ONG ONDA VERDE participa como membro do Comitê Tramandai,  representando Torres na categoria Entidades Ambientalistas durante muito tempo.  "A entidade acompanhou os estudos de enquadramento das águas dos rios e lagos desta bacia especialmente o enquadramento da Lagoa de Itapeva. Classificada na classe 2, conforme a Resolução 357/2005 do CONAMA(Conselho Nacional de Meio Ambiente) significa que é adequada ao abastecimento humano entre outros usos. Embora acompanhando mais de longe a atuação do Comitê Tramandai, a ONG ONDA VERDE,  que ocupa atualmente a presidência do Comitê Mampituba, tem sido parceira nas ações relacionadas a preservação   desse manancial hídrico  tão importante para nosso município. Mantê-la na classe 2 e até sonhar com a classe 1 (nível ótimo para o abastecimento de água) deve ser nosso objetivo". 

Aproveitando a ocasião, Leonila Ramos destaca que, nos dias 08 e 09 de dezembro, estarão reunidos em Torres representantes de todas as Bacias Hidrográficas do Rio Grande do Sul num Fórum que tem como finalidade discutir ações para a melhoria da gestão das águas.  

 
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