Primeiro debate í  Presidência da Internet acontece em clima quente”

18 de agosto de 2010
Imagem e texto: Jornal do Comércio

 

Uma parceria entre provedores da web e Jornal do Comércio, aqui do RS, promoveu o primeiro debate feito de forma completa pela Internet e com participação dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas . O evento, realizado pelo jornal Folha de São Paulo e pelo portal UOL no final da manhã da última quarta-feira (18), reuniu Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) em discussíµes mais objetivas e acaloradas, com troca de propostas e de acusaçíµes.  

O evento foi transmitido pela Internet por diversos sites e blogs, entre eles pelo Jornal do Comércio, e movimentou redes sociais como o Facebook e o Twitter, que repercutiam as opiniíµes dos candidatos.   Até mesmo o candidato a Presidência Plí­nio de Arruda Sampaio (P-Sol), não convidado a participar do debate, pí´de fazer seus contrapontos através da Internet – usando a ferramenta Twitcam, ele fazia intervençíµes ao vivo em ví­deo, que foram assistidas por mais de 2 mil pessoas simultaneamente.

   

Marina cobrou de Dilma a reforma Polí­tica. Serra

defendeu Voto Distrital

   

Marina Silva abriu o debate, nos blocos em que os candidatos perguntam a candidatos, indagando Dilma sobre o tema da reforma polí­tica. A candidata petista acenou com a possibilidade de convocar uma constituinte exclusiva para fazer a reforma polí­tica. Na tréplica, Dilma fez a primeira referência direta ao presidente Lula, afirmando que ele se comprometeu a, após sua saí­da do governo, se empenhar na luta pela reforma polí­tica. Serra entrou na discussão, usando seu espaço para perguntas na defesa do voto distrital puro nos municí­pios.  

Na sua pergunta, Serra questionou Dilma sobre a importância do ensino técnico.   E repetiu a proposta que já havia lançado no debate exibido pela rede Bandeirantes, afirmando que irá criar o Protec, uma espécie de ProUni do ensino técnico.    

O clima esquentou logo depois, com Dilma criticando o partido do vice de Serra, o DEM, que tenta acabar na Justiça com o ProUni. "O que você diria aos alunos beneficiados?", perguntou. Serra partiu para o ataque, afirmando que o PT votou contra a Constituinte e contra o plano Real. Alegou ainda que o Dilma "é ingrata com o Itamar e o Fernando Henrique". Dilma rebateu que "a diferença é que nós reconhecemos que votamos errado" e   retomou ao tema da educação. "O que vou repetir é uma questão séria que ainda está no Supremo. Uma lei que quer transformar 104 mil estudantes do ProUni em pessoas sem oportunidade de continuar cursando seus cursos", comentou, mostrando mais tranqí¼ilidade e melhor desenvoltura em relação ao debate exibido pela Bandeirantes.

 

     Candidata improvisada,  candidatos das elites e

      acordos partidários ocos

   

Nos blocos seguintes, os candidatos comentaram os problemas do Enem, do programa Minha Casa, Minha Vida, do acesso í  Internet e da alta carga tributária no Paí­s, entre outros assuntos. Em um dos momentos mais comentados, Marina Silva aproveitou o tema do saneamento para criticar a propaganda de Serra na TV “ "eu não entendi, já que no seu programa de governo ontem teve uma favela virtual, quando eu visitei uma favela muito real ontem". Serra não respondeu a provocação, preferindo citar os avanços em saneamento em duas comunidades de Heliópolis e Paraisópolis, durante sua gestão na prefeitura.  

O debate que já era bom melhorou a partir do quarto bloco, com as perguntas dos internautas. Dilma abriu o bloco respondendo se era "uma candidata improvisada". Já Serra teve que responder se era "o candidato das elites". Só Marina não teve uma pergunta que lhe permitisse comentar sua biografia. No lugar, teve que responder qual a reforma prioritária no seu governo. Aproveitou para criticar o sistema de alianças feitos nos últimos 16 anos por PSDB e PT, que teriam transformado as reformas em "consensos ocos".  

No último bloco, os candidatos responderam a perguntas formuladas por jornalistas. Josias de Souza, colunista da Folha, perguntou a Serra no que se diferenciam as alianças do PT das feitas pelo PSDB com o PTB e o DEM para a eleição. Serra explicou que "todos que estão me apoiando sabem que eu não vou fazer troca-troca de cargos" e mais uma vez criticou o PT. "A recente espionagem sobre Eduardo Jorge, ninguém foi punido. Sabe-se de alguma expulsão? Nada", comentou. Nas consideraçíµes finais, mais uma vez agrediu a candidatura adversária. "O José Dirceu é considerado pelo Ministério Público como o chefe do mensalão e tem um papel muito importante na campanha da Dilma, afirmou.    

Rodrigo Flores, gerente-geral de notí­cias do UOL, perguntou a Dilma sobre sua saúde, lembrando o fato dela ter se tratado de um câncer no ano passado. A candidata aproveitou o espaço para defender o fim do preconceito que envolve o tema e afirmou estar reestabelecida da doença. Comentou que, durante a campanha, "a gente escala todo o dia o Everest".

 Já Marina Silva se recusou a responder a Renata Lo Prete, da Folha, sobre quem apoiará no segundo turno. "Segundo turno a gente discute no segundo turno", afirmou. E, assim como Serra, subiu o tom no seu discurso de encerramento, mostrando que os candidatos que estão atrás nas pesquisas vão subir o tom para tentar deter Dilma Roussef. Criticou a polarização da campanha, afirmando que "estão querendo infantilizar o Brasil com essa história de pai e de mãe", e se apresentou como a única proposta diferente de mudança.

 

Jornal do Comércio      


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados