Encontro agroecológico visa fortalecer trabalho das agricultoras familiares da região de Torres

No contexto das oficinas sobre o potencial dos quintais na produção de alimentos e na geração de renda, foi realizada na terça-feira (03), no Sítio Café da Roça, em Três Forquilhas, uma atividade de mapeamento das propriedades das famílias agricultoras

4 de fevereiro de 2026

Dando sequência às oficinas sobre o potencial dos quintais na produção de alimentos e na geração de renda, foi realizada na terça-feira, 3, no Sítio Café da Roça, em Três Forquilhas, uma atividade de mapeamento das propriedades das famílias agricultoras. O mapa das propriedades, conforme a técnica Carla Dornelles, é mais uma etapa da dinâmica da metodologia das cadernetas agroecológicas, permitindo conectar as tarefas domésticas com as de campo e assim planejar de forma mais eficiente o trabalho nas propriedades rurais.

Caderneta agroecológica é um caderno onde as agricultoras anotam o que produzem, consomem, vendem, doam e trocam. Criada pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM)  com o Movimento de Mulheres da Zona da Mata e Leste de Minas Gerais, a metodologia vem sendo adotada gradativamente na região de Torres para dar visibilidade à contribuição das mulheres na economia familiar e de seus territórios.

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“Quando a gente planta na horta, a gente não contabiliza o que a gente busca: um tempero verde, uma salada. Ela não entra como dinheiro pra ti. E aí tu te sentes sempre naquela história de tu não traz dinheiro pra casa, tu tá ajudando o teu marido e tu não traz dinheiro. Mas se tu somar, no mês, tudo que tu tiras aqui (da horta), ele dá uma diferença no teu orçamento. Tu também tá gerando renda, também tá contribuindo com isso”, explicou a agricultora Elisane Matos, da comunidade de Porto Colônia, de Dom Pedro de Alcântara.

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Torres, Diana Justo, essa proposta de valorizar a produção dos quintais é importante para despertar resgatar a cultura de ter novamente hortas e frutíferas nas propriedades, com mais qualidade na alimentação. “Sempre falo que uma coisa é eu pegar e colher uma verdurinha fresca meio-dia e já colocar na alimentação. Outra coisa é tu ir lá comprar, colocar na geladeira, permanecer com ela alguns dias ali”.

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Questionada sobre a presença de vários maridos, em uma atividade inicialmente pensada para potencializar o trabalho das mulheres, Diana relatou que eles começaram a vir cerca de duas reuniões atrás e o grupo os aceitou.

 

Acompanhamento técnico

Desde julho, as oficinas já trabalharam temas como compostagem, biofertilizante, adubação verde, manejo ecológico do solo, berços para mudas e visita a um lavandário. O grupo já recebeu mudas e sementes de adubação verde, que a agricultora Cecília Roso, da comunidade de Morro Azul, em Três Cachoeiras, disse ter recuperado uma terra que hoje produz desde folhosas, abóboras, até açaí juçara e banana. Para março está prevista a entrega de kits de ferramentas para as participantes, que também contam como acompanhamento técnico do Centro Ecológico.

 

Partilha e fortalecimento

“A gente faz parte desses encontros, quase que mensais, e eles são  momentos de muita riqueza, onde a gente faz muita partilha, a gente troca desde receitas a mudas, a sementes e conhecimentos também, são momentos muito enriquecedores, onde a gente se fortalece muito com esse grupo. Sou muito grata por isso, por poder participar de mais isso também”, destacou Elisane Matos.

“Tem muito detalhe que só visitar como propriedade ecológica a gente não conhecia. E agora, dentro desse trabalho do quintal, a gente consegue descobrir um monte  de conhecimento, muito conhecimento que as mulheres têm, os homens nunca deram importância”, avaliou Nelson Bellé.

As oficinas sobre quintais e cadernetas agroecológicas são realizadas pelo Centro Ecológico, Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Urbanas (AMTRU), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Torres e de Três Cachoeiras.

A metodologia das cadernetas agroecológicas será um dos momentos de formação da primeira plenária de 2026 do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia.  Dia 10 de março, terça-feira, às 13h30 em Porto Colônia.

 

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Publicado em: Meio Ambiente






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