Primeiro debate entre candidatos à prefeitura de Torres foi polarizado (mas amistoso)

Alessandro e Tubarão foram mais enfáticos nas críticas do atual governo, em debate da Rádio Maristela. Já Carlos defende a prioridade no Turismo como forma de desenvolvimento

9 de outubro de 2020

Nesta quinta-feira, dia 8 de outubro, aconteceu em Torres o primeiro debate entre os cinco candidatos à prefeitura da cidade no pleito de novembro próximo. O atual prefeito Carlos Souza (PP) defendeu sua reeleição contra Alessandro Bauer (MDB), Carlos Tubarão (PDT), Moisés Matos (PT) e Marcelo Couto (Patriotas), numa realização da Rádio Maristela e apoio da Construtora Monte Belo – que cedeu seu ‘Lounge’ para dar espaço ao debate (que foi também televisionado).

O embate de ideias foi formatado de uma maneira bastante ampla. Houve espaço para respostas de perguntas feitas pelo radialista Leonir Alves, assim como espaço para que os candidatos fizessem perguntas entre si. Tudo de uma forma equânime, dando as mesmas chances para as cinco candidaturas.

Naturalmente quatro das candidaturas acabaram focando em críticas do atual governo, mesmo quando as perguntas eram feitas entre dois opositores do atual prefeito Carlos Souza. Isto significa que as quatro candidaturas não têm (ou pelos menos não tiveram) interesse em fazer embates entre chapas oposicionistas com propostas diferenciadas. Ao contrario, o debate ficou entre as percepções da realidade do atual governo e as políticas propostas pelos outro candidatos que querem ocupar a administração do executivo torrense.

 

Políticas Sociais, Saúde e Dívida pública foram os principais temas

 

Muitos dos questionamentos feitos por candidatos das quatro chapas de oposição foram referentes à sugerida falta de investimentos do atual governo de Carlos Souza na área social. Falta de manutenção em vias do interior, principalmente das praias do sul; críticas à falta de melhorias no sistema de Saúde Pública; e o fato da atual administração ter feito empréstimo de mais de R$ 5 milhões junto ao Badesul – o qual teria elevado a dívida do município. Estes foram os principais embates, sempre levantados por um ou outro opositor. E a resposta do candidato a reeleição Carlos Souza foi sempre de defender seu governo, sugerindo que as críticas eram no mínimo exageradas e que sua gestão trabalhou muito nestas áreas criticadas, em alguns casos com resolutividade acima de outros vários governos anteriores (conforme avaliação do atual prefeito).

 

ALESSANDRO BAUER (MDB)

Alessandro Bauer, candidato do MDB, sempre que questionado focou suas criticas ao governo Carlos principalmente da área de Saúde Pública, Educação, Segurança Pública e a descontinuidade no calendário de eventos turísticos na cidade.  “O Governo do MDB que participei foi o que mais fez novas escolas em Torres. Mas quero saber por que não foi ainda implantado o contraturno nas escolas Municipais”, afirmou Alessandro, sobre Educação num dos embates.

“Não sei como a prefeitura tem a coragem de prometer um Posto de Saúde Fixo nas praias do Sul (Itapeva, Real, Paraíso, etc) quando está desativando postos de Saúde que foram construídos no governo do MDB e nunca foram usados”, questionou Alessandro durante embate direto com o atual prefeito Carlos Souza sobre a Saúde Pública de Torres – para Alessandro a pior dos últimos governos torrenses.

“Percorri cidades que estão sendo exemplo no RS e todas já estão com a Guarda Municipal implantada e com o sistema do cercamento com monitoramento eletrônico, enquanto a prefeitura de Torres nem começou a pensar nisto”, afirmou Alessandro sobre a segurança Pública.

“Pessoas deixam de vir a Torres utilizar seus apartamentos nos finais de semana porque Torres não tem nada para fazer, não manteve calendários de eventos no inverno”, afirmou Alessandro para Carlos no debate.

“Nosso governo (referindo-se a gestão de João Alberto à frente da Prefeitura, entre 2005 e 2012) fez pelo menos 10 campeonatos de surfe em sua gestão e este governo atual não fez nenhum, quando este tipo de atividade não requer muita despesas, somente trabalho e criatividade”, afirmou Alessandro criticando a falta de eventos em Torres.

 

CARLOS SOUZA(PP)

Carlos Sousa, atual prefeito e que busca a reeleição pelo PP, trabalhou mais na defesa de atual governo, valorizando tudo que foi feito em todas as áreas de trabalho na cidade e lembrando que a prefeitura que assumiu tinha dívidas grandes – além de sua gestão estar passando pela Pandemia do Coronavírus. O prefeito de Torres respondeu a todas as críticas e prometeu manter o seu estilo de trabalho na próxima gestão, caso seja eleito. Carlos defende com unhas e dentes sua prioridade dada aos investimentos no embelezamento e na infraestrutura turística, para ele uma forma de desenvolver a cidade e gerar emprego, renda e impostos para serem investidos na área de Assistência Social.

“Discordo que fomos mal na Saúde. Implantamos vários cursos de qualificação das pessoas além de abrir o a Central de Especialidades” afirmou Carlos sobre as críticas na Saúde.

“Foi o MDB (durante a gestão João Alberto) que não deixou pronta as inscrições dos novos Postos de Saúde, ao não estruturar os Recursos Humanos para trabalharem nos postos”, disse o prefeito respondendo a Alessandro sobre as mesmas críticas.

“Não podemos colocar de uma hora para a outra a Guarda Municipal sem antes medir bem o impacto desta implantação nos custos municipais, pois podemos extrapolar as leis sobre limites de gastos”, afirmou Carlos sobre a não implantação da Guarda Municipal.

“Discordo totalmente que as pessoas não estejam vindo para Torres nos finais de semana. Ao contrário até – neste ano os restaurantes e mercados nos finais de semana têm tido movimentos acima do normal”, afirmou Carlos, rebatendo à crítica de Alessandro sobre calendário de Eventos.

“Investimos mais de R$ 800 mil só na obra de drenagem estrutural na Vila São João e trocamos o material colocado nas estradas, de saibro para Base Graduada, o que já melhorou bastante os problemas de alagamentos e das vias da região e do interior”, afirmou o atual prefeito sobre questionamento do candidato Moisés de problemas nas estradas e em alagamentos.

“Estamos trabalhando com segurança e tendo humildade para reconhecer os erros do passado e manter os acertos deste governo. Temos certeza que estamos no caminho certo”, indicou Carlos em um momento do debate.

 

MOISÉS LIMA (PT)

Moisés Lima, candidato pelo PT, se posicionou com certa independência. Não atacou muito a atual administração, investindo mais contra a falta de políticas públicas em geral. O candidato procurou no debate introduzir as ideias do Plano de Governo feito pelo seu partido, principalmente políticas públicas nas áreas de combate a Violência contra Mulheres, Segurança Pública e Cultura. Inclusive o candidato foi o único que abriu a intenção de criar novas secretarias no governo, caso seja eleito: a de Politicas para Mulheres e a de Segurança Pública.

“Não há mais espaços para a compra de votos em eleição”, afirmou Moisés várias vezes durante o debate, sugerindo que os torrenses valorizem seus votos.

“Há de se incentivar o comércio de Torres trazendo para a cidade o setor da indústria de tecnologia, além de criar uma espécie de berçário para novos empreendimentos locais”, respondeu Moises ao ser indagado em embate com o candidato Tubarão.

“A prefeitura mantém as ruas das praias do sul e da zona sul sempre alagadas e cheias de buracos”, reclamou Moisés ao indagar o porquê disto para o prefeito Carlos.

“Por que o MDB também não forneceu infraestrutura para o trabalho da secretaria de Obras?”, perguntou Moisés ao candidato Alessandro,  que por sua vez havia afirmado que a infraestrutura do departamento de obras do governo atual era precária (sua pergunta inicial).

“O Orçamento Participativo que vai definir as prioridades das praias do sul caso eu esteja no governo”, respondeu Moisés à indagação do candidato Marcelo Couto no debate.

“Você representa o Bolsonarismo. Quero saber então quais são as políticas para atacar a violência contra as mulheres?”, indagou Moisés, cutucando Marcelo Couto.

 

TUBARÃO (PDT)

Candidato à prefeitura pelo PDT, Carlos ‘Tubarão’ se comportou de forma bastante amigável no debate. Tubarão como outros candidatos, defende menos prioridades em obras do Turismo e mais prioridade em investimentos aos bairros. Mas ele enfatizou muitas vezes a questão da dívida da prefeitura, além de repetir que os recursos gastos em investimentos foram feitos com empréstimos tomados em banco e que deverão ser pagos adiante.

Tubarão – ao indagar sobre situação dos comerciantes de Torres após a pandemia, e sugerir que muitas portas de comercio estão fechadas (ou parcialmente fechadas) ainda – colocou uma proposta diferenciada no ar. Sugeriu mais de uma vez que a prefeitura ajudasse para que o empresariado em dificuldades financeiras em Torres negociasse suas dívidas, chegando inclusive a sugerir que fosse dado aval da prefeitura nas negociações dos débitos bancários dos empresários (mas não explicando como isto seria feito).

“Quero que Torres continue sendo uma cidade ambiental, mas gostaria que a questão do Meio Ambiente fosse ensinada nas Escolas, para as nossas crianças”, afirmou Tubarão ao ser indagado pelo prefeito Carlos no debate da Rádio Maristela.

“Nosso Plano é de valorizar o servidor ao invés de trazer pessoas de fora do município para trabalhar aqui como CC’s. Queremos valorizar dos mais simples aos graduados”, afirmou Tubarão após ser indagado por Carlos sobre o tema Funcionalismo Público.

“Torres é uma cidade em que nada pode, por isso os jovens vão para as cidades vizinhas buscar cultura”, afirmou o candidato do PDT ao ser questionado pelo candidato Moisés sobre o futuro da Cultura em Torres.

“Como que o Balonismo pode ser considerado um negócio quando na última edição o evento gerou R$1 milhão de prejuízo?”, perguntou Tubarão em embate entre ele e o candidato Moises, sobre o futuro do Festival Internacional do Balonismo (principal evento do município).

“O próximo prefeito de Torres tem que olhar para os bairros onde as pessoas estão caminhando sobre vazamentos de esgotos. A prefeitura atual coloca somente um punhado de brita para resolver a reclamação”, afirmou Tubarão (cutucando o atual prefeito) ao ser perguntado pelo candidato Marcelo sobre o perfil esperado do candidato a prefeito, caso Tubarão fosse simplesmente morador da cidade.

 

MARCELO COUTO (PATRIOTA)

O candidato Marcelo Couto sugeriu mudança em geral na cidade, sem especificar temas pontuais na maioria dos questionamentos. Ele também valoriza seus posições ideológicas, caracterizando-se como” de direita” e como “bolsonarista”. Marcelo na maioria das intervenções buscou perguntar e responder para outros candidatos, ao invés de questionar o prefeito Carlos.

“Acho que o Estacionamento Rotativo deve ser muito debatido antes de ser implantado, mas penso que deve ser somente na região central”, afirmou Marcelo sobre o tema, quando em conversa com Alessandro (que em princípio é contra o sistema de vagas pagas nas vias públicas).

“O Contraturno escolar é uma questão fundamental a ser implantada no sistema de Educação”, afirmou Marcelo quando também em embate com Alessandro.

“A prefeitura deveria ajudar os agricultores e pescadores a terem acesso ao crédito, além de ajudar a criar locais para que estes vendam seus produtos”, disse Marcelo em questionamento feito por Tubarão sobre o tema.

“Não adianta o morador de rua ser somente atendido pela prefeitura para receber abrigo. A gestão pública deveria atender o morador com treinamento e atendimento psicológico, para que estes não voltem a morar nas ruas”, afirmou Marcelo em embate com o prefeito Carlos.

“O Governo Bolsonaro, assim como eu, não tem nada contra as políticas de defesa das mulheres, isto é uma falácia de setores da esquerda”, respondeu Marcelo Couto ao candidato do PT, Moisés (após este sugerir o contrário).

 

*Editado por Guile Rocha


Publicado em: Política






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