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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO: Ciclista local compete em alto rendimento mesmo sem ter movimentos de um braço
Dom, 04 de Setembro de 2016 23:20

FOTO: Ciclista Marcelo Silva em ação

 

Por Guile Rocha
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Ciclista que morou  7 anos no Passo de Torres (e hoje mora em Osório), Marcelo Silva é um exemplo de superação que mostra a importância da força de vontade nos momentos de dificuldade que cruzam nossas vidas. Deficiente físico, ele perdeu o movimento total do braço direito em um acidente de moto há 11 anos. Mas a dificuldade física não lhe impediu de chegar mais longe: faz um ano que Marcelo está praticando o ciclismo e competindo em alto rendimento com atletas normais.
 

Acidente, recomeço e superação 

Caçula de uma família de 4 filhos cujos pais são naturais do interior de Torres, Marcelo sempre gostou da adrenalina de estar sob duas rodas, e tinha uma moto como meio de transporte. Em 2005, aos 20 anos, ele havia recém partido de Cachoeirinha (onde vivia) para vir morar perto da família na região de Torres, trabalhando com pintura automotiva. Apenas 3 meses depois de chegar na cidade, Marcelo foi visitar amigos em Cachoeirinha e, quando voltava pela FreeWay, sofreu o acidente na estrada que mudaria o curso de sua vida: "Um carro desgovernado veio em direção a minha moto e eu não consegui controlar. Fui jogado barranco abaixo. Acabei com 2 pernas quebradas no Fêmur e o braço direito quebrado. Passei a noite na chuva pedindo socorro até que, no outro dia pela tarde, um caminhoneiro conseguiu me ver (eu e a moto estávamos escondidos debaixo das árvores) e me socorreu. Fui para o Hospital Cristo Redentor (em Porto Alegre) onde fiquei 4 meses internado. Nesse tempo, perdi 25 quilos e descobri que tinha perdido o movimento total do braço direito. Levei mais 1 ano pra começar a caminhar" contou Marcelo ao Jornal A FOLHA.

Sete anos depois, Marcelo, relatou que estava engordando e com muitos maus hábitos, quando teve uma oportunidade de trabalhar com uma empresa de nutrição - onde reduziu 11 quilos de seu peso. "E para dar exemplo para outras pessoas, comecei a buscar algum tipo de atividade física. Tentei academia mas, devido os impacto dos aparelhos e de eu ter muitos parafusos nas pernas, não deu certo. Foi quando comprei uma bicicleta simples".

O atleta começou com pedaladas normais e logo estava participando de competições de nível médio, onde começou a se destacar: "Ai resolvi participar (em fevereiro deste ano) da Copa União de Ciclismo, que é uma competição de nível alto; Na primeira etapa tomei muitas voltas dos atletas mas ai comecei a ver que tinha aumentar meus treinos", diz Marcelo. E hoje -  com treinos de em media 60 km por dia, com uma bike mais qualificada e uma adaptação no guidão (para conseguir frear e trocar marchas) - Marcelo diz que acompanha os atletas de ponta do início ao final da prova. No final de semana passado, ele participou da etapa da Copa União de Ciclismo que ocorreu em Tarumã (Viamão- RS) chegando em  6° lugar na Categoria Força Livre

 

'Nunca deixe ninguém dizer que você não pode' 

Ao Jornal A FOLHA, o ciclista Marcelo Silva sentenciou que o que mais lhe motiva a competir é a vontade de "mostrar para as pessoas que é possível se superar e estar entre os melhores mesmo com dificuldades, motivar as pessoas a ter uma vida mais ativa e saudável". Para as pessoas que passam por dificuldades na vida e não sabem o que fazer, Marcelo ressalta que nenhum problema deve ser considerado grande demais. " Por isso nunca reclamo de ter perdido movimento do braço direito. Sempre agradeço por estar vivo e por ter 2 pernas e o braço esquerdo, com os quais hoje posso fazer tudo que eu quiser. Nunca deixe ninguém dizer que você não pode!

 

 

 

 
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