Pescador de Torres receberá título de Mestre das Culturas Pesqueiras Artesanais do Brasil

Representando Torres, Valtamir 'Nenê' Mattos dos Santos receberá, no dia 1° de julho em Brasília, o título de Mestre das Culturas Pesqueiras Artesanais do Brasil

Federico Sucunza (D) e Valtamir Mattos dos Santos (E) apresentaram projeto de preservação para comissão internacional e na África (Foto : Pedro Piegas / Correio do Povo Memória)
28 de junho de 2026

Representando Torres, Valtamir ‘Nenê’ Mattos dos Santos receberá, no dia 1° de julho, o título de Mestre das Culturas Pesqueiras Artesanais do Brasil. A condecoração – concedida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e Universidade do Pará – será recebida em Brasília.

Valtamir ‘Nenê’ é figura bem conhecida da comunidade pesqueira de Torres – relacionando-se com projetos de sustentabilidade importantes para aliar a pesca com a conservação dos ambientes marinhos na região de Torres.  Em 2024, ele esteve em Camarões, na África, para apresentar um  projeto inovador – que visa utilizar garrafas PET para reduzir a captura acidental em redes de pesca da toninha, pequeno golfinho ameaçado de extinção.

Anúncio 1

Os resultados indicaram uma alta redução das capturas acidentais, em função do uso das  garrafas, sem atrapalhar na atividade pesqueira – e foram tão importantes que o projeto recebeu o reconhecimento do Comitê Científico da Comissão Internacional Baleeira, sendo recomendada sua expansão para outras partes do Brasil e do Mundo.

Em dezembro de 2024, Valtamir também recebeu moção de congratulação da Câmara de Vereadores de Torres (juntamente com o biólogo Federico Sucunza) , por conta dos “relevantes serviços prestados à Sociedade” – destacando-se por ações inovadoras na discussão de manejos em prol do meio ambiente e da pesca sustentável.

Anúncio Slider Meio

Um pouco de Valamir Nenê (por ele mesmo)

Nascido e criado em Torres (RS), Valtamir ‘Nenê’ Mattos dos Santos diz ter muito orgulho de ser pescador. Sua história com a pesca vem de família e começou cedo. Ele é filho de Valdevino José dos Santos – conhecido como Vino – um homem muito respeitado na região, que transformou a pesca em profissão, como uma forma de sobreviver para sua família e também de fugir da dura realidade na roça. “Foi com ele que aprendi, desde menino, não só o trabalho no mar, mas também valores como respeito, honestidade e responsabilidade”, salienta Nenê – indicando que cresceu vendo o pai ensinar os irmãos, e assim foi aprendendo também (com ele e com todos ao seu redor).

Filho homem mais novo de 5 irmãos -dos quais 4 também viraram pescadores – Nenê conta que a pesca sempre foi mais do que um trabalho: “É como um modo de vida, uma cultura que se aprende na convivência, no fazer junto, no remendar uma rede, no limpar um peixe, no saber ler o mar, no olhar, no sentir e no escutar. Me tornei mestre de embarcação ainda jovem, e desde então sigo na atividade, somando mais de 40 anos de experiência no mar”.

Asim como aprendeu, Valtamir ‘Nenê’ também ensinou. Ao longo da sua trajetória, disse ter formado muitos pescadores, alguns que hoje são mestres de suas próprias embarcações. “Acredito que o conhecimento não deve ser guardado, mas compartilhado, passado de geração em geração, como foi comigo. Ensinei meu filho, e hoje vejo meu neto crescendo com esse mesmo amor pela pesca, dando continuidade a essa história”.

Nenê diz que sua atuação vai além do trabalho no mar: sempre buscou contribuir com a comunidade pesqueira de Torres, ajudando no que estava ao seu alcance. “Já participei de iniciativas para melhorar as condições de vida dos pescadores, como a busca por acesso à energia solar para famílias da região. Também abri espaço para rapazes que vinham da droga, e ofereci na pesca uma oportunidade de trabalho digno, ensinando a prática e incentivando o crescimento dentro da atividade”.

Além disso, ao longo dos anos, o pescador Nenê diz que contribuiu com professores, pesquisadores e projetos que buscam compreender melhor a cultura pesqueira artesanal. “Compartilho meu conhecimento, minhas práticas e minha experiência, ajudando a manter viva essa tradição e a dar visibilidade ao saber do pescador. Acredito que sou fruto de uma cultura que se constrói na prática, na oralidade e na vivência. Aprendi no mar, ensinando e aprendendo com outros, e sigo fazendo isso até hoje – mantendo viva a identidade da comunidade pesqueira de onde venho”.

Na parte científica de seu trabalho, ele conta que, há cerca de 6 anos, faz parte de um projeto em parceria com o GEMARS (Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul). “Saio levando comigo, quase sempre, um biólogo para o mar. Criei uma técnica para redução de capturas de pequenos golfinhos e toninhas. Em 2024, fui convidado para uma reunião internacional em Camarões, na África, para apresentar este projeto. Fui reconhecido pela comissão baleeira, que expandiu minha técnica pelo mundo”, explica Nenê.

Para Valtamir ‘Nenê’, ser pescador é uma forma de cuidar das pessoas, ser parte de uma história maior que vem de muito tempo atrás e que continuará depois. “E é com esse sentimento de pertencimento e responsabilidade que sigo contribuindo com minha comunidade”.

 

Quer acompanhar as notícias do jornal A FOLHA Torres no seu celular?

CLIQUE AQUI e acesse nosso grupo no Whatsapp

Anúncio Slider Final
Anúncio Slider Final
Anúncio Slider Final

Publicado em: Meio Ambiente






Veja Também





Links Patrocinados