A questão da privatização ou não privatização mais uma vez se torna ponto de discussão em campanha eleitoral. O assunto é colocado por ambas as partes como um tabu, o que na verdade se trata de ludibriar o povo ainda inculto do Brasil, sugerindo que o tema vende a nação, o que está longe se ser verdade. A palavra soberania é também utilizada como se privatizar ou não uma empresa tirasse soberania de um povo, o que chega a enojar, pois a estatização de uma empresa nada tem a ver com isto. Ao contrário, atualmente o Brasil é dono da Petrobrás e do Banco do Brasil, por exemplo, e opera com o preço de combustível dos mais altos de todo o mundo tendo auto-suficiência em petróleo; e opera com uma das taxas de juros mais altas do planeta, mesmo sendo dono do banco que mais lucrou os últimos anos no país. Isto é soberania ou é exploração?
Poucos são os setores que modernamente ainda resistem í máxima que diz que empresa estatizada trabalha melhor e transfere esta melhora ao povo. Transporte público é um deles, que se mostra um pouco próximo í teoria dos defensores da estatização pela teórica transferência do lucro (chamada pelos comunistas radicais de mais valia) aos preços ou ao melhor serviço no setor. A Carris em Porto Alegre é um dos poucos exemplos bom de empresa Estatal, que demonstra sempre ter melhor qualidade em todos os sentidos perante as outras não estatizadas operando com o mesmo preço. Mas se trata de um serviço direto realizado í s populaçíµes mais pobres, e mesmo assim as tarifas de transporte público da Capital dos gaúchos são consideradas ainda caras perante o poder aquisitivo dos mais pobres, o que sugere, então, que a estatização não é tão boa assim, pois se a Capital vendesse a companhia provavelmente os preços e serviços não seriam modificados, tal são as pressíµes de agencias reguladoras governamentais para definirem os aumentos, e os recursos auferidos pela venda poderiam reforçar o caixa de Porto Alegre que necessita de muita coisa para se desenvolver, como captação e tratamento de esgoto, por exemplo, item que ainda é pífio frente aos desafios do desenvolvimento sustentado manqueteado pela maioria dos políticos.
Qual a vantagem do brasileiro de ser dono da Petrobrás se, na prática, o combustível do Brasil ainda é um dos mais caros? Por que, então, o Brasil não se coloca somente dono das reservas de petróleo ( inclusive as do pré -sal) e vende para a iniciativa privada os recursos extraídos, podendo, então, vender a Petrobrás por trilhíµes de dólares e, por exemplo, resolver o problema de esgotamento sanitário, ou do afunilamento e má conservação do modal de transporte da nação que a deixa pouco competitiva no mercado internacional?
Qual a vantagem de você, ai, leitor, ser dono do Banco do Brasil se pagas as taxas de juros mais altas do mudo e recebes um serviço deste banco muito aquém de instituiçíµes financeiras modernas, enfrentando filas, pagando tarifas acima de suas possibilidades e se obrigando muitas vezes a receber seu salário nestas instituiçíµes somente porque trabalhas em um órgão público, e a lei corporativista obriga que a Folha de pagamento seja executada em ˜bancos Oficiais para melhorar ainda mais o fluxo de dinheiro do banco que é nosso, mas que acaba correndo para o lucro da instituição, que por sua vez não repassa nada para o contribuinte que outros bancos não possam também repassar?
A FOLHA é totalmente a favor da privatização da maioria as empresas do Brasil. Local de empresa é na mão da iniciativa privada. Local de patrimí´nio parado para a especulação capitalista é para estar na mão de capitalistas e não na mão de políticos que, além de não saberem bem operar as empresas, muitas vezes a utilizam para obterem vantagens pessoais tiradas delas. Local de funcionário público é na prestação e serviços públicos í sociedade nas éreas de Educação, Saúde, Infraestrutura, Segurança, Fiscalização e Projetos Sociais, não para vender petróleo ou dinheiro utilizando saudavelmente as regras de mercado, que não repassam aos contribuintes vantagem alguma.
Na verdade este monstro desenhado para os brasileiros sobre a privatização de empresas é comandado por funcionários das estatais e políticos dinheiristas, que temem perderem seus empregos quando as mesmas foram vendidas í iniciativa privado, ou temem perderem fontes de financiamento de campanha. Consequentemente mentem que a estatização rouba da nação suas riquezas minerais e naturais, o que nunca aconteceria, pois o que é nosso é nosso, independentemente da empresa que explora; colocam a palavra Soberania em jogo para gerar medo, quando a verdadeira soberania de um povo é a liberdade de ele saber que os recursos pagos por ele em impostos estão sendo transferidos para serviços sociais e de infraestrutura, o que está longe de acontecer no Brasil. E, afinal, colocam o tema em debates eleitorais, buscando conquistar votos através de um medo que ninguém deveria de ter, somente os funcionários acomodados na lei de estabilidade, que sabem que, se o chefe for privado, seu emprego estará em risco, além de políticos com visão dinheirista no horizonte.
As naçíµes mais desenvolvidas do mundo praticamente não possuem mais empresas Estatais. Preservam as reservas naturais com muito afinco, cobrando o máximo possível por produtos extraídos dela, mas trabalham efetivamente, na política, em servir seu povo não de brincar de ser empresário capitalista selvagem com o dinheiro da população.


