Que vazio éesse?

29 de outubro de 2010

 

O vazio do ser da era pós-moderna vem sendo discutido amplamente pela Psicanálise no que se refere ao estudo dos sofrimentos psí­quicos relacionados a existência.O que poderia estar acontecendo a esses indiví­duos que nos relatam com tanta freqí¼ência a sensação de vazio? Por que se apresentam tão deprimidos, tão tristes e principalmente tão insatisfeitos com aquilo que chamam de suas impossibilidades, diante da falta, da ausência de alguém, de algo? Recorrem ao comportamento adicto, compulsivo, aonde perdem o limite, por exemplo, da quantidade de comida, das horas na frente da internet, da TV., ou comprando demasiadamente.    

Podemos pensar que uma cultura que estimula   individualização, hedonismo (a busca pelo prazer a qualquer preço) e consumismo, pode   levar í  intensificação de   comportamentos adictos (compulsivos) em nosso cotidiano.A literatura nos aponta,  que no cotidiano atual da busca por um corpo ideal a qualquer preço seria um fator que predisporia, por exemplo,  os indiví­duos í s patologias alimentares .O consumo de mercadorias da Cultura do Narcisismo se apresenta com a promessa de suplantar o tédio, o cansaço, a futilidade e o vazio experimentados diariamente pelas pessoas O consumismo é conseqí¼ência de anos de condicionamento publicitário dentro de uma sociedade pós-moderna, na qual a cada dia são inventadas novas necessidades tecnológicas. A gratificação imediata é um princí­pio da ação diária.  

 O vazio caracterí­stico do ser humano parece ser intensificado pelo individualismo nas relaçíµes,  vigente na atualidade. Do indiví­duo se exige que tenha um corpo perfeito, divulgado incessantemente pela mí­dia, precisando manter-se jovem, saudável e bonito.A busca de felicidade perfeita proposta é impossí­vel. Temos então sujeitos constantemente insatisfeitos com tudo: corpo, trabalho, status social, relacionamentos, etc. Ter é o lema. Quanto mais se tem, mais se quer ter.  

 Desta maneira, existe um investimento demasiado nas coisas do mundo externo, em contrapartida, a interiorização fica em segundo plano. A coisificação da vida, do tudo tem um preço, aliena o individuo, esvazia-o do sentido de Ser em sua subjetividade e essência, em conseqí¼ência, também suas as relaçíµes afetivas, o sentido da vida,   do bem comum, e do humano.    


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